
Oii!!! Adivinheem... hj eu to aqui pra postar o primeiro capítulo do meu livroo!!!
CAPÍTULO 1 - FIM DAS FÉRIAS
Entrei, tirei meu roupão, me olhei no espelho de corpo inteiro dando uns giros e me dirigi a pia de mármore, que tinha todos os meus cremes e hidratantes em cima. Na primeira gaveta do armário da pia ficavam minhas maquiagens. Na segunda gaveta, objetos para cabelo. E na terceira ficavam meus acessórios. Acima da pia, havia um lindo espelho em que eu me enxergava até a cintura. E ao lado, meus perfumes se encontravam em prateleiras também de mármore.
Lavei o rosto, escovei os dentes e passei apenas dois hidratantes, pois estava com preguiça aquele dia. Abri a primeira gaveta e tirei a base, o lápis preto, o rímel e um gloss de morango, daqueles com cheirinho. Era o único item não importado. Da segunda gaveta tirei uma escova de cabelos e uma tiara xadrez escuro, que era mais discreta. E da terceira gaveta tirei apenas um brinco de prata em forma de estrela.
Coloquei meus cabelos louro-avermelhados por dentro das costas do pijama e comecei a me maquiar, passando os produtos na ordem em que os tirara da gaveta. Terminado isso, puxei meus cabelos para frente e comecei a penteá-los de cima para baixo, tirando os nós. Não entendia como meu cabelo tinha tantos. Quando terminei me dirigi ao closet, passando pelo quarto.
Ele ficava na frente do banheiro, do lado oposto do quarto, atrás da parede que exibia uma enorme foto atual minha rodeada por outras com a família e os amigos (não, eu não tinha namorado). Era como se a parede fosse um mural.
O closet não era muito largo mas era comprido, ocupando a parede inteira. Peguei uma legging preta, um vestidinho lilás sem estampa, um cinto, e uma sapatilha que combinava com a tiara. Vesti tudo e me olhei no espelho do closet, aprovando o destaque que dava aos meus olhos. E então ouvi Maria, a empregada que já se tornara da família, pois cuidara de mim desde criança chamar:
- Dez minutos para o almoço, bonequinha.
- Já estou descendo.- respondi rapidamente, sem querer pedir mais uma vez que ela parasse de me chamar com aquele apelido infantil.
Desci as escadas e fui até a sala onde meus pais e minha irmã Sophia me aguardavam para o almoço. Sentei-me à mesa e antes de poder falar algo, meu pai disse:
- O que aconteceu para você conseguir vir na hora certa para o almoço? Aliás, você está muito bonita Nina.
- Aconteceu que hoje é o começo do fim das minhas férias e quero aproveitar cada minuto. E muito obrigada papai, também acho que estou linda hoje.
- Ah Marina, deixa de ser convencida!- disse Sophia, que adorava acabar com a minha paciência, mas que eu a adorava.
- É para quem pode Sophizinha.
- Não me chame de Sophizinha, eu já fiz quinze anos, e você sabe que...
- Chega meninas! Maria mande servir o almoço, por favor. - disse minha mãe que já estava acostumada com nossas briguinhas.
Após terminar, pedi para meus pais se poderia fazer uma festa de volta as aulas no Domingo.
- Ah, já estava demorando, não é?
- Eu sei, - dei uma risadinha - mas eu posso fazer, não é mamãe?
- Tudo bem, tudo bem.
- E eu posso providenciar tudo sozinha?
- Nina...da última vez...
- Papai, prometo que vai ser muito diferente. – prometo que ninguém acabará com a louça como da outra vez, pensei, e continuei quando o vi abrir a boca para falar. – A Sophia pode me ajudar se você preferir. Por favor, deixa pai.
- Tudo bem, você me convenceu. Mas terá de convidar os amigos dela também.
- O que? Você não está falando sério! São um bando de pirralhos, como vou convidá- los para minha festa?
- Meus amigos não são pirralhos. – disse Sophia, se metendo onde não fora chamada.
- Eles só têm dois anos a menos que você Princesa.
- São quase três mãe, estou quase com dezoito e...
- O.k. Nina, te deixo planejar toda a festa sozinha, desde que convide os amigos da Sophia. – Papai tentou dar um fim a conversa.
- Tá, tá, com licença.
Levantei-me e fui direto para a cozinha para falar com Maria sobre o que serviríamos. Sentei-me em um banquinho perto da pia e comecei a falar.
- Maria, eu...
- Claro, claro bonequinha, eu preparo as comidas e bebidas para sua festa.
- Obrigada Maria, você sabe o que quero, certo?
- Acho que lhe conheço o suficiente. – Conhecia mesmo, pois bastou eu abrir a boca para ela dizer: - E você me conhece bastante para saber que não vou parar de lhe chamar de bonequinha.
Revirei os olhos depois sorri para ela e me dirigi ao meu quarto para preparar a lista de convidados. Peguei uma folha rosa do bloquinho de papel e coloquei todos os nomes de amigos e conhecidos, como sempre fazia. Depois, contra minha vontade, fui ao quarto de Sophia e entreguei-lhe outra folha para que ela escrevesse o nome de seus convidados.
Liguei para os amigos mais íntimos e mandei um e-mail para os demais, mandando minha irmã fazer o mesmo. Juntas, escolhemos a decoração e as roupas que usaríamos,
biquínis e vestidos de festa, pois ela se prolongaria. Quando finalmente terminei de organizar tudo, já eram 5 horas da tarde, então me juntei a minha família para assistir a um filme daqueles em que no final, todos estão chorando.
Como já se tornara costume, eu, minha irmã e minha mãe, fomos até a academia que ficava na direção oposta a sala de estar, perto do jardim. Sophia fazia suas séries seguindo as orientações de mamãe, mas eu já me guiava sozinha, afinal, não demoraria muito eu faria dezoito anos, e queria fazer tudo sozinha, até mesmo as seqüências da academia, mesmo que isso me deixasse dolorida.
Já estava estranhando que mamãe não estivesse tentando opinar sobre a festa. Ela reclamava que tudo acabava nas mãos dela, mas quando posta de lado ela também não se via satisfeita. Quando estávamos na esteira ela começou:
- Como estão os preparativos para a festa Princesa?
- Tudo encaminhado.
- Tudo mesmo?
- Sim.
- Tem certeza? Nada faltando? Cardápio, bebidas, decoração...DJ, aposto que não conseguiu um DJ tão rápido assim.
- Está tudo certo, um amigo vai tocar.
- Mas não tem nada faltando, nada, nadinha?
- Ai, ai D. Maria Cristina! Está tudo certo, agora pare com isso e se concentre, antes que você caia da esteira.
Quando eu disse isso ela virou o rosto para a esteira e deu uma leve derrapada. Dei uma risadinha e ouvi Sophia rindo também, mas acho que mamãe não notou, e se notou fingiu muito bem.
Ao final, fiquei com pena dela, pois estava desesperadamente tentando se meter nos preparativos. Então disse a ela para ver como seria a iluminação, mesmo já tendo dado um jeito nisso também. Ela sempre me ajudava quando eu precisava de alguma coisa, quando tinha que convencer papai, então tentei deixá-la feliz.
- Ótimo meninas, acho que perdemos uns quilinhos hoje, agora vão tomar banho antes que o jantar fique pronto.
Fiz o que dissera e fui para meu quarto. Peguei uma calça de moletom preta e uma regata amarela no closet e fui tomar um banho. Como tinha planejado, enchi minha banheira de sais e espuma e afundei no meio dela, pois estava cansada demais.
Lavei com delicadeza meus cabelos e perfumei cada centímetro do meu corpo, o que me fez relaxar. Relaxei tanto que quase dormi, mas então meu telefone tocou e só não o joguei longe porque era minha melhor amiga, Lisa.
- Alô.
- Mari, oi amiga, é a Lisa.
- Eu notei, o que você quer?
- Nossa, que humor, nem parece que vai dar uma festa, o que aconteceu?
- Desculpe, não foi nada, é que estava quase dormindo na minha banheira, mas porque você ligou?
- Ai, perdão, quer que eu ligue outra hora?
- Você sabe que não. Não me agüentaria de curiosidade, fale logo.
- Então, você lembra do menino que vinha na minha casa quando éramos menores?
- Aquele que não parava de puxar meu cabelo?
- Ele mesmo. É que ele se mudou para cá, e...
- Tudo bem, pode trazê-lo, mas ai dele se puxar meus cabelos de novo. – Nós duas rimos juntas.
- Obrigada, até Domingo então. Beijo.
- Beijo.
Desliguei e tentei me lembrar daquele garoto. Qual era o nome dele mesmo? Ah, Felipe, ele se chamava Felipe. Os pais dele eram amigos dos pais de Lisa, e em alguns finais de semana vinham visitá-los aqui, mas já fazia muito tempo. E como estávamos sempre juntas, nós três costumávamos brincar. Ou melhor dizendo, nós duas corríamos e ele não desistia enquanto não conseguia arrancar meus cabelos. Depois corria até seus pais, como se a culpa fosse nossa. Eu o detestava quando criança, e agora teria de aturá-lo na minha festa. O que eu não fazia pela Lisa?
Com muita força de vontade, levantei da banheira, me sequei e coloquei minha roupa, tentando dispersar a idéia de ver aquele garoto novamente. Saí do banheiro e estava prestes a me atirar em minha enorme cama de casal, quando Maria bateu à porta.
- Bonequinha? Nina?
- O que é Maria?
- Dessa para o jantar.
- Ah Ma, traga-o para mim aqui em cima, por favor?
- Não senhora, seus pais estão a sua espera. Dessa já!
- Tá bom, vamos então.
Jantei sem muita vontade, estava com sono e cada minuto parecia uma eternidade. Como se fosse planejado. Tudo para me deixar mais cansada. E meus pais não paravam de falar, o problema é que era comigo, me impedindo, assim, de poder ir logo ao meu quarto. Perguntavam sobre a festa, os convidados, a faculdade, se eu estava ansiosa...
Quando finalmente consegui me livrar, fui direto para o quarto, sem olhar para os lados, me dirigindo a cama. Eu me sentia como se nada pudesse me incomodar quando estava deitada nela, como se não precisasse de mais nada.
Não demorei a pegar no sono e a começar a sonhar. Era um sonho estranho. Começava tudo bem, era a minha festa, que estava perfeita. Eu estava andando em volta da piscina, quando alguém puxava meus cabelos, eu me virava e via o menino, Felipe. Acordei um pouco assustada, mas comecei a rir sozinha. Mesmo assim não quis dormir de novo, então fui para o banheiro e enchi minha banheira.
Fiquei ali por mais ou menos uma hora, e então finalmente me enrolei em meu roupão e me maquiei da mesma forma do dia anterior, prendendo meu cabelo em duas tranças ao final. Olhei pela janela, fazia um dia lindo, com sol forte, então fui ao closet e peguei um shortinho jeans e uma bata floreada.
O Sábado não fora muito diferente da Sexta-Feira, um pouco mais divertido apenas, pois todos fomos jogar vôlei no jardim. E ao fim do dia eu estava novamente cansada e fui dormir. Mas antes liguei para Lisa.
- Lisa?
- Oi Mari, tudo bem? Preparada para a festa amanhã? Já separou sua roupa, não é? Aposto que vai ser demais. – eu ri ao telefone. - O que foi? – ela perguntou.
- Sua mania de fazer milhares de perguntas ao mesmo tempo. E a resposta é sim para todas elas.
- Aaah, me desculpe, mas você queria alguma coisa?
- Você sabe quem vem amanhã? Alguém te falou alguma coisa? Ninguém me confirmou que viria.
- Acho que as mesmas pessoas do ano passado, e os que entraram esse ano, é claro. Mas você está querendo saber sobre os meninos, não é?
- Você sabe que sim. – ri novamente, e ela também.
- Ótimo, acho que são os mesmos de sempre, talvez alguns novos. E tem o Felipe também. – Dei uma gargalhada e ela se assustou. – O que foi agora?
- Estava falando de garotos, e não de um monstro que arrancava meus cabelos.
- Não fale dele assim, está muito diferente.
- Aposto que tão feio quanto era quando criança...
- Não sei, não o vi ainda, só conversei por telefone, e vi algumas fotos, mas não dá para dizer nada através delas.
- Hmm. Veremos amanhã então. Vou desligar porque estou com muito sono.
- Tudo bem, um beijo.
- Outro.
E então fui dormir na expectativa do dia seguinte.
Acordei muito entusiasmada naquele Domingo. Estava “elétrica” demais para continuar dormindo, então liguei o rádio e fiz a dança da última apresentação da escola. Isso me deixou meio melancólica, nunca haveria outra apresentação na escola. Dancei até me dar conta de que ainda estava de pijama. Coloquei rapidamente um shortinho xadrez com uma regata verde e um chinelinho confortável. Fui ao banheiro e deixei separado tudo o que iria usar naquela tarde. Passei lápis e gloss e prendi o cabelo em um rabo-de-cavalo. Nos quartinhos que ficavam perto da piscina, deixei toalhas: azuis e brancas no masculino e rosas e brancas no feminino, sem dar chance às empregadas que fariam isso.
Enquanto almoçava, não parei quieta. Mexia as pernas, tamborilava os dedos na mesa, vazia perguntas repetitivas a todos e comia freneticamente. Isso realmente irritou meu pai.
- Nina, pelo amor de Deus, pare com isso! Parece que vai fazer um discurso para milhões de pessoas, e não dar uma simples festa.
- Não é uma simples festa para mim papai, você sabe disso. E, além disso, a Sophia também está nervosa.
Todos olhamos para ela, que surpresa ficou vermelha e só conseguiu dizer:
- Eu... eu não...
- Não compare Nina, e agora vá arranjar algo pra fazer.
- O.k., estou indo. Sophia, venha comigo.
- Eu? Por quê?
- Venha logo.
Ela se levantou e me seguiu até a sala de jogos. Ela me olhou com surpresa e eu disse:
- Que foi? Só quero jogar vídeo-game.
Ela balançou a cabeça, riu e se sentou a meu lado para começarmos a jogar Super-Mário, que era o único que eu conhecia e gostava de jogar.
Desisti de tentar passar o Chefão e liguei para Lisa, para que ela viesse logo para minha casa. Fui esperá-la no jardim e fiquei olhando enquanto ele era arrumado, prestando atenção a cada detalhe. Andei até o salão onde ficaríamos mais tarde e estava ficando impecável, perfeito, exatamente como eu imaginara. Quando minha amiga chegou a levei direto para meu quarto, onde ela deixou as coisas dela e olhou tudo o que eu usaria, opinando sempre.

