terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Quem é vivo sempre aparece!

HAHA... demorei, mas voltei! E vou tentar escrever mais rápido pra postar mais. É que tava uma correria de fim de ano, formatura, vestibular... enfim, não consegui escrever antes, mas agora deu. Sem mais delongas... beijos.



CAPÍTULO 16 – “LEMBRAR DE POR NOME”

Tudo bem, eu tinha que pensar rápido se não quisesse entrar para o ranking de pior mãe do mundo. Certo, o que a enfermeira acabara de dizer?? Já escolheu os nomes dos anjinhos? Anjinhos. Pode ser um começo. Ang... Ângela? Não. Angélica? Não. Hm, mas e que tal...

- Angelina, a menina se chamará Angelina. – falei, satisfeita por ter conseguido um nome que eu gostasse rapidamente.

- Angelina? É diferente, mas também é lindo. Eu gosto. – disse minha mãe, passando uma mão em minha testa.

- É lindo mesmo. E o menino? – questionou a enfermeira.

Decidi ignorar o fato de que ela estava sendo um pouco metida. Eu podia seguir a mesma linha. Então, Ângelo? Eu não gostava desse. E agora?

- Leonardo. Se você não se importar, eu gostaria que fosse Leonardo. – disse Felipe.

Eu fiquei completamente sem palavras. Eu não podia negar que achava esse nome lindo, e ele já o tinha citado algumas vezes. Mas eu não queria dar o braço a torcer. Se eu tiver um nome melhor...

- Eu acho que você não tem direito algum de dar uma opinião. – falou minha mãe, enfurecida.

- Mãe, por favor, pare. – respirei fundo – Leonardo é lindo, eu gosto. – ele sorriu para mim e eu virei o rosto.

- Marina...

- Mãe, chega! – a olhei pontuando o que tinha dito – É isso, está decidido.

- O que está decidido? – perguntou Lisa enquanto entrava com Nanda no quarto. A enfermeira aproveitou para sair.

Elas cumprimentaram Felipe, e eu notei que foi por ajuda delas e não de minha mãe que ele ainda estava ali. Ela fuzilava-o com os olhos e acho que ela queria tanto quanto eu que ele fosse logo embora. Mesmo não sendo pelo mesmo motivo.

Ele deve ter notado, pois quando as meninas chegaram perto de mim, ele disse:

- Acho melhor eu ir embora agora.

- Pois eu acho que você não devia nem ter vindo. – disse minha mãe.

Eu não consegui falar nada, ninguém conseguiu. Felipe assentiu e saiu. Senti uma profunda dor no peito, como se ele estivesse me deixando de novo. Respirei fundo, memorizando o cheiro dos bebês para deter a sensação. Era totalmente ilógica. Ele nem tinha voltado para mim de qualquer forma.

A enfermeira, que acompanhava tudo em silêncio, foi a primeira com coragem de falar.

- Bom, eu tenho que levá-los agora.

- Já? – reclamei, puxando-os para mais perto.

- Você tem que descansar querida, e eles estarão bem cuidados. – disse minha mãe.

- Tudo bem então.

Entreguei-os a enfermeira e minha mãe a acompanhou para fora do quarto.

- E então, como se sente? – perguntou Lisa quando elas saíram.

- Feliz, cansada... completamente confusa. – as duas riram de mim.

E eu estava muito confusa mesmo. Principalmente com o fato de Felipe ter aparecido ali. Eu quis tanto que ele estivesse ali, que era como se eu soubesse que ele viria. Mas como ele ficou sabendo que eu estava ganhando os bebês? Por pura intuição tenho certeza que não.

- Espere aí... – interrompi Fernanda que começava a falar. – Foram vocês, não é? Vocês avisaram a ele. – Agora eu tinha certeza, e as caras que elas fizeram só confirmaram minha afirmação.

- Ai Nina, ele me pediu para avisar e... – disse Nanda.

- Como é que é? – quase fiquei sem ar.

- Ele queria estar aqui Mari. – falou Lisa, tentando ajudar.

- VOCÊS TINHAM CONTATO COM ELE?

As duas se olharam e ficaram vermelhas de vergonha. Eu comecei a ficar muito irritada.

- Eu não acredito que fizeram isso comigo. Vocês sabiam para onde ele foi e não me contaram nada.

- Não foi assim Nina. Escute. Somos amigos a muito tempo e ele me pediu, quase ordenou que eu não contasse nada. Foi horrível para mim mentir para você, mas eu vi que você estava ficando melhor e achei que era a coisa certa. E Lisa também não tem culpa de nada. Ela apenas foi lá na casa dele e viu ele lá e... – ela parou, notando ter falado demais.

- Na casa dele? Ele estava lá o tempo todo? Era por isso que eu não podia ir lá, é óbvio. E você morando com ele.

- Não exatamente isso. Ele ficava pouco lá, arranjou um emprego. E o resto do tempo... ele tentava ver você.

Eu não conseguia falar, nem raciocinar, eu estava paralisada. Eu me sentia enganada, traída, como se fosse a única que não soubesse de nada. Mas eu não tinha raiva delas, eu podia entender. Era uma situação muito complicada. Fechei os olhos e encostei a cabeça no travesseiro.

- Mari, por favor, fala alguma coisa.

Respirei fundo e abri os olhos.

- Não estou brava com vocês. Eu, de certa forma, entendo. Eu só preciso absorver essa história toda, ok?

- Tudo bem. Nós vamos deixá-la descansar. Sua mãe deve estar aqui logo. – informou Nanda.

Assenti, e elas saíram. Fiquei aliviada de ficar um pouco sozinha. Minha cabeça girava de tanta informação nova e eu não sabia como ordená-las. O bom foi que eu estava tão cansada que peguei no sono antes mesmo de minha mãe entrar no quarto.

Quando acordei novamente, o quarto estava escuro e silencioso. Peguei o celular de minha mãe que estava em uma mesinha ao lado e olhei a hora. Eram 3 da manhã. Hm, eu tinha dormido por um bom tempo então. Avistei minha mãe dormindo desajeitadamente em um sofá cama. Eu a amava tanto. Tantas coisas eu já tinha feito, e mesmo assim, ali estava ela.

Recostei a cabeça e tentei organizar os fatos. Primeiro: Felipe tinha voltado, ou melhor, tinha me deixado vê-lo de novo, e eu não fazia ideia do porque disso. Segundo: isso resultaria em uma conversa que mudaria tudo, e eu devia estar preparada. Terceiro: agora eu tinha duas crianças que dependiam de mim. Quarto: eu tinha que fazer alguma coisa em relação a tudo isso, antes que eu ficasse completamente louca.

Os bebês eram a parte mais fácil. Eu já os amava completamente e daria tudo de mim a eles sem pensar duas vezes. O problema era o resto, que se resumia a uma palavra, ou melhor, um nome: Felipe.

Quando eu realmente achei que estava curada, ele volta do além. E eu sabia que ainda o amava intensamente, mas não podia me entregar. E eu nem sabia porque de fato ele estava aqui. Preferi acreditar que era só pelas crianças, afinal, como ele mesmo disse, eles são filhos dele também. Essa era outra coisa que não batia: não foi por causa deles que ele se afastou? Então, que sentido tem isso tudo?

Eu teria que deixar todas as perguntas para depois. Minha cabeça já girava novamente e eu estava tonta. Decidi respirar fundo e voltar a dormir.

Eu vi uma casa, vi a mim e a Felipe, vi também duas crianças brincando a nossa frente. Lembrei de já ter pensado nisso antes. Mas agora, esse sonho tinha uma certa esperança que eu sequer pensei em ter novamente.

Acordei assustada. Eu não podia criar um mundo de sonhos onde tudo era lindo quando a realidade não era essa.

Respirei fundo três vezes antes de abrir os olhos e notar que havia alguém ali. Meu pai estava de costas para mim, olhando algum programa na TV que estava num volume muito baixo. Permiti-me olhar a hora antes de falar com ele e me surpreendi ao ver que tinha conseguido dormir uma boa parte da manhã. Eram 9 horas. Ajeitei-me nos travesseiros e me fiz barulho para chamar a atenção do meu pai.

- Nina, meu amor, eu não vi que você tinha acordado. – ele veio até mim e beijou minha testa – Como se sente?

- Bem, de verdade. – sorri para ele – Você já os viu?

- Sim. – eu notei seus olhos brilharem como nunca antes – Eles são tão lindos.

Fiquei tão feliz com a reação dele que meus olhos encheram d’água e eu não consegui falar mais nada. Neste momento minha irmã entrou no quarto.

- Nina, como você está? Eu estava tão preocupada. Eu já vi os bebês, eles são tão lindos. E os nomes, nossa, eu amei os nomes Nina.

- É bom ti ver também Sophia. – eu ri, enquanto ela me dava um abraço.

- Boas notícias. Os bebês estão bem e vocês vão poder ir pra casa hoje mesmo. É ótimo, não é? – ela sorriu de orelha a orelha.

- Maravilhoso, eu odeio ficar aqui. – reclamei, recostando a cabeça.

O resto da manhã foi ocupado com entradas de enfermeiras que trouxeram os bebês, o que me acalmou e também comida. Não que fosse a melhor do mundo, mas era alguma coisa, e eu estava faminta. Foi tanta movimentação que me impediu de pensar e isso era muito bom.

Os bebês dormiam suavemente quando minha mãe chegou sorrindo, mas com um aspecto muito cansado. Eu tinha aprendido a respeitá-la muito mais e conhecido um lado novo nela que nunca havia visto e me encantou. Ela não desistia do que quer que acreditasse.

- Está pronta para ir pra casa princesa?

- Ah, por favor, tire-me daqui.

Ela riu, veio até mim e beijou minha testa.

Minha mãe me ajudou a me arrumar e recolher as coisas enquanto os bebês ainda dormiam. Foi extremamente difícil me movimentar. Eu não tinha noção do quão cansada estava, mas fiz um esforço.

Quando tudo estava pronto minha família fez questão de pedir uma cadeira de rodas para me levar para fora, o que achei um exagero, mas foi bom não precisar caminhar e pude levar Angelina e Leonardo no colo. As enfermeiras nos corredores sorriam para mim e eu sorria de volta, depois olhava para eles e sorria ainda mais. Como podiam ser tão perfeitos?

Meu pai me ajudou a entrar no carro e Sophia entrou atrás comigo. Eu só conseguia sorrir, e ela parecia irradiar a mesma alegria que eu. Deixei que ela levasse Leonardo pois, querendo ou não, uma hora eles acabavam pesando.

Quando chegamos em casa eu pedi que Sophia me desse Leonardo. Virei-os para o portão de entrada e sussurrei em seus ouvidos:

- Bem vindos ao lar.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Enfim voltei!

Oooooooooie!! Então, eu demorei de novo, eu sei, mas eu prometi que voltaria e volteeeei!!
E dessa vez com um capítulo, modéstia parte, muito bom!! Espero muito que vocês gostem!
Aproveiteeeeem!! Beijoos

CAPÍTULO 15 – NASCIMENTO

- Nina, as meninas já estão aí. – falou Sophia, entrando na sala, onde eu estava, e encostando-se à porta. – Estão esperando no carro.

- Ah. Obrigada. – peguei minha bolsa da faculdade e beijei-a no rosto. – Até mais.

- Tchau. – ela respondeu.

Despedi-me de meus pais que estavam no jardim e fui encontrar Nanda e Lisa. As duas quando me viram encenaram caras de cansadas, como se estivessem me esperando a muito tempo.

- Não, não. Nem façam essas caras. Hoje eu não me atrasei. – eu disse enquanto entrava no carro.

- Só hoje não é Mari. – falou Lisa rindo.

Mostrei a língua para ela.

- Vocês têm noção de quantas vezes eu preciso ir ao banheiro antes de sair? Além disso, preciso de mais tempo para dormir e ainda paro milhões de vezes na escada na hora de descer. Então, não falem nada.

As duas reviraram os olhos e riram de mim enquanto íamos até a faculdade. Chegamos e fomos para as salas. Agora era fácil ficar aqui, eu adora estar aqui. Apesar de eu estar com cara de entediada e preguiçosa, isso nada tinha a ver com a matéria, era só algo normal para minha situação.

Já fazia um mês que minha mãe estava me pedindo para parar com as aulas antes que eu explodisse. E eu não estava muito longe disso, eu mais parecia uma bola gigante prestes a descer rolando algum morro. Mas também não queria parar até que realmente não aguentasse mais. Apesar de ter que sentar de lado na cadeira e sair mais que o normal da sala para ir ao banheiro, eu ainda conseguia, e isso era bom para mim.

Acompanhamos a aula normalmente e depois voltamos no carro de Nanda. Eu queria tanto poder dirigir meu carro de novo, mas é claro que depois de tudo que havia acontecido, meus pais me manteriam longe dele por um longo tempo.

Quando chegamos a minha casa, pedi a elas que dormissem ali aquela noite. Era sexta-feira e não precisávamos nos preocupar com dormir e acordar cedo. E quem é que rejeita o pedido de uma grávida?

Eu dormi na minha cama com Lisa e Nanda dormiu no chão ao nosso lado. Eu estava dormindo bem demais ultimamente. Em geral alguém tinha de me acordar antes que passasse da hora do almoço. Mas aquela noite me senti estranha, não consegui dormir muito bem, demorei muito até pegar no sono pesado.

De repente comecei a sonhar que estava sentindo dores muito fortes em minha barriga. Foi só quando senti Lisa e Nanda tentando me acordar que notei que não era um sonho e que eu estava gritando por causa da dor.

- Ai meu Deus. Mari fala alguma coisa!! – gritava Lisa – Tia Cris? Sophia? Alguém, por favor, venham aqui rápido.

- Lisa... calma... assim... você não ajuda muito. – Eu ofegava, a dor agora tinha passado, mas eu sabia que voltaria, e que talvez fosse ficar pior.

- Isso foi uma contração? Eles estão nascendo? – perguntou Nanda com a voz aguda.

- Eu acho que sim. – sussurei- Acho que a bolsa estourou, estou molhada. AAAH! – gritei com outra contração.

- Eles estão nascendo. Estão nascendo!! – gritou Nanda.

- Ai meu Deus. Ai meu Deus! – gritou Lisa.

- Calem a boca. – gritei ainda mais alto.

- Desculpe. – falaram as duas ao mesmo tempo.

Neste momento minha mãe irrompeu no quarto, seguida pelo pai.

- O que é q está acontecendo aqui? – minha mãe perguntou esfregando os olhos por causa da luz que eu nem percebera que estava acesa.

- Dá pra ouvir os gritos de vocês lá do nosso quarto. – não que o quarto deles fosse muito longe do meu, mas deu para entender.

- É que – Lisa respirou fundo – a Mari vai ter os bebês.

- ELA VAI TER OS BEBÊS. – gritou minha mãe. Em meio a isso veio outra contração e eu gritei mais alto que ela.

- Como assim ela vai ter os bebês? – Perguntou Sophia que veio correndo. Ela derrapou em alguma coisa e caiu um tombo bem barulhento. – Eu estou bem.

Aproveitei a pausa nos gritos e nas contrações enquanto meu pai ajudava minha irmã a se levantar para tentar colocar alguma ordem ali. Aquele nervosismo coletivo não iria me ajudar em nada naquela hora, sendo que eu precisava que todos eles cooperassem.

- Tudo bem, me escutem. AAAH! – demorei um pouco para tomar uma atitude e outra contração veio. Os gritos recomeçaram e eles andavam de um lado a outro do quarto. Esperei a contração passar e tentei de novo. – Parem com isso agora e vamos nos organizar.

Todos respiraram fundo e se acalmaram, incluindo a mim. Lisa me apoiou, me ajudando a sentar. Nanda e Sophia sentaram na ponta da cama e meus pais ficaram de pé esperando o que eu ia dizer. Eu não entendia direito porque eu tinha de dizer o que fazer. Esperava que minha mãe fizesse isso, mas ela apenas ficou me olhando. Um instinto se apoderou de mim e eu sabia o que fazer, ou talvez fossem as várias vezes que eu tinha perguntado a médica sobre isso.

- Mãe, separe a malinha com as roupas e... você sabe o que tem que pegar. – ela tinha que saber, já passara por isso duas vezes. – Lis, pegue uma roupa para mim agora. Pai, você prepara o carro e liga para o hospital. Nanda e Sophia vocês me ajudam a me vestir e sair daqui. – eles continuaram me olhando como se eu não tivesse dito nada. – AGORA – gritei e eles dispararam para fazer o que eu havia pedido.

Respirei fundo, fechei os olhos e pensei na mágica que estava acontecendo. Meus filhos, meus pequenos bebês estavam a ponto de sair de dentro de mim e encararem o mundo a sua volta. Eu finalmente poderia olhar seus rostinhos e poder segurá-los. Poderia fazer por eles tudo o que uma mãe deve fazer. Eu daria a eles o mundo e estaria ali sempre que eles precisassem.

Sorri e abri os olhos novamente. Os outros estavam em ação acelerada. As meninas me ajudaram e rapidamente eu já estava arrumada e pronta para mais uma contração. Minha mãe deixou a mala arrumada e foi no quarto se trocar. Voltou em dois minutos. Nunca a vi se arrumar tão rápido. Minhas amigas e minha irmã também se arrumaram e logo me ajudaram a descer. Meu pai estava desligando o telefone e também estava pronto.

Minha mãe começou a me dizer para respirar fundo, me acalmar, porque tudo daria certo. Apesar de eu achar que ela dizia para convencer a si própria, eu confiei nela e consegui relaxar. Até começar outra contração, é claro.

Eu, mamãe e papai fomos em um carro, e as meninas no outro. Eu precisava de espaço para respirar. No carro lembrei-me de alguém que me mataria se não fosse avisada.

- Mãe, ligue pra Cláudia. Acho que ela gostaria de estar aqui também.

É claro que eu estava certa. Quando minha mãe ligou para ela, Cláudia disse que sairia de lá naquela hora, mesmo sendo tarde e estar em outra cidade. Me senti aquecida com a notícia. Era verdade que não tínhamos nos dado bem no começo, mas ela era uma mulher incrível e seria uma ótima avó para meus bebês. E muito presente, eu sabia disso também.

Então, inevitavelmente, pensei em alguém que deveria estar ali, mas não estaria. Eu queria, não, eu precisava dele ali. Respirei fundo e passei a mão pela barriga quando era levada para dentro do hospital. Um nó se alojou em minha garganta quando realmente me caiu a fixa de que seria agora, e seria sem ele.

Comecei a ficar muito tonta devido ao nervosismo, aquelas paredes brancas e o cheiro de hospital. Acho que cheguei até a delirar, pois, antes de tudo escurecer, pensei ter visto quem eu mais queria ali.

Quando finalmente abri os olhos, já estava tudo preparado e eu podia sentir dores cada vez mais fortes. Percebi que agora não havia mais tempo para hesitar, não que eu tivesse essa opção. O médico falava com alguém e eu não sabia se era comigo. Ele e as auxiliares estavam prontos para amparar meus bebês que, eu podia sentir, viriam naquele exato momento. Eu não conseguia enxergar nada e não sabia o que fazer.

Neste momento senti alguém apertar minha mão e sussurrar em meu ouvido:

- Seja forte Marina. Você consegue, eu sei que consegue.

Minha mãe? Não, essa não era sua voz. Definitivamente não. Era a voz de um homem. Uma voz que eu conhecia muito bem e que nunca poderia esquecer. Eu só podia estar delirando outra vez. Não podia ser...

- Eu estou aqui com você meu amor. – ele apertou minha mão. – E você vai conseguir.

Oh meu Deus! Eu não estava delirando e nem ficando louca. Ele estava mesmo ali comigo. Era ele quem segurava minha mão quando nossos filhos estavam vindo ao mundo. E naquele momento, somente naquele momento, nada mais além desse fato era importante.

Agarrei-me a esse fato do melhor jeito que pude enquanto apertava sua mão e fazia o que o médico dizia, empurrando com a maior força. Doía, doía muito, mas isso valia a pena.

E então aconteceu.

Eu ouvi o choro de meu bebê, enquanto ouvia Felipe dizer no meu ouvido que era o menino. Eu sorri e novamente empurrei, pois minha garotinha ainda estava por vir. Então ouvi também o seu choro. Aquilo era a mais pura e linda música para meus ouvidos.

Você conseguiu. Eu disse a mim mesma, ecoando as palavras de Felipe em meu ouvido. Sim, eu conseguira, finalmente eu poderia vê-los e tocá- los.

- Parabéns mamãe. – ouvi uma voz feminina dizer enquanto lentamente e com cautela colocava meus bebês perto de mim.

A emoção que senti não poderia ser descrita em palavras e transbordou em forma de lágrimas. Eles eram lindos, perfeitos. Meus bebês. E eu devotaria minha vida a eles.

Eles eram tão pequenos e delicados que tomei o maior cuidado que pude quando me estiquei pra beijar a testa dos dois. Eles choravam em sincronia, e as minhas próprias lágrimas eram derramas junto, mas por pura alegria.

Muito antes do que eu desejava, eles foram tirados de mim, para serem bem cuidados, como eu também fui.

Quando acordei, parecia que uma aura de felicidade estava em volta de mim. Eu sorri antes mesmo de abrir os olhos e naquele momento eu não queria mesmo abri-los.

- Eu senti tanta falta desse sorriso. – Felipe suspirou enquanto colocava a mão em meu rosto.

Eu abri os olhos de nervoso e afastei sua mão de meu rosto, sem conseguir dizer nada.

- Me desculpe. Eu apenas...

- O que você está fazendo aqui? – minha voz saiu tão baixa que eu mal me escutava. Ele respirou fundo antes de responder.

- Eu sei que não tenho o direito de estar aqui hoje. Mas eu...

- Não me refiro ao hospital. – eu me sentia completamente fria agora – Digo aqui, no meu quarto.

- Eu sei que não devia. – ele caminhou até a porta – Mas eu queria estar aqui para cuidar de você. – ele se aproximou novamente de mim – Eu quero conversar com você. Explicar...

- Eu não quero conversar com você. – mentira, respirei fundo, corrigindo – Não agora, não aqui.

- Eu sei que você está magoada comigo. Eu lhe dou toda a razão, mas...

- Saia daqui Felipe. – eu estava prestes a desabar e não daria esse gostinho a ele. Dessa vez eu não me entregaria – Por favor, eu preciso que você saia.

- Tudo bem, eu saio. Mas preciso que você me prometa duas coisas.

- Duas? Você Não está merecendo nem uma, que dirá duas.

- Por favor Marina. – eu apenas suspirei, então ele continuou – Primeiro eu quero que não me proíba de ver os bebês. – isso foi uma tremenda surpresa – Por mais erros que eu tenha cometido, eles ainda são meus filhos e eu quero vê-los.

- Tudo bem, eu não proibiria você de vê-los. De jeito nenhum.

- Obrigado. – ele respirou fundo e sorriu. Ele precisava sair logo dali antes que eu sucumbisse.

- E qual era a outra coisa? – perguntei olhando para o outro lado. Ele respirou fundo e franziu o cenho antes de responder.

- Eu quero... não, eu preciso que você me prometa que – puxou meu rosto para encará-lo – me dará uma chance de me explicar.

- Acho que você já deixou as coisas muito claras quando foi embora. – falei afastando sua mão de meu rosto – Não preciso de mais explicação do que isso.

- Por favor Marina, isso é tudo o que lhe peço. Apenas uma chance. Depois disso você pode fazer o que quiser. Pode me xingar, gritar, me matar, o que for. Mas, por favor, apenas escute o que tenho a dizer.

E agora, o que eu faria? Era uma boa proposta poder matá-lo no final. E eu queria conversar com ele, mas eu sabia que havia grande possibilidade de eu sair muito mais machucada. Era uma decisão muito difícil.

- Tudo bem, lhe darei essa oportunidade. – respirei fundo e encarei-o – mas não espere muito mais do que isso.

- Não se preocupe, uma conversa é só o que peço.

- Ótimo. Então agora peço que você... – fui interrompida por uma enfermeira e minha mãe, cada uma com um bebê no colo.

- Desculpe interromper, mas eles estão com fome mamãe. – falou a enfermeira enquanto ela e minha mãe colocavam os bebês em meu colo. O cheiro e o calor deles me dominaram completamente e eu me peguei sorrindo como boba.

Aquela era a primeira vez que eu os alimentava, então eu memorizei cada segundo da melhor forma que pude. Eram tão fortes e verdadeiros os sentimentos que estavam brotando em mim. Eu os amava de uma forma totalmente entregue.

Em meio a tudo isso, olhei para Felipe com o canto dos olhos e paralisei com o que vi naquele olhar. Tinha um brilho completamente diferente ali. Era um brilho de admiração, adoração... amor.

Aquele olhar quase me fez perder todo o controle e noção de tempo. Por pouco não levantei dali e fui abrasá-lo, para dizer que estava tudo bem.

Controle-se Marina! Eu disse a mim mesma.

Respirei fundo e me concentrei nos bebês. Eles foram as únicas coisas que conseguiram me segurar ali naquela cama. Graças a Deus. Levantar e ir até Felipe seria um erro total.

Por mais que minha cabeça estivesse girando, eu não estava alheia ao fato de que minha mãe estava encarando Felipe como se fosse arrancar sua cabeça do lugar. Não posso negar que gostei um pouco disso.

Mas antes que ela pudesse atacar, a enfermeira falou comigo. Certamente ela notou o clica tenso.

- E então mamãe – era tão bom ser chamada assim – já escolheu os nomes dos anjinhos?

Oh meu Deus! Os nomes. Eu realmente havia esquecido os nomes. Foi tanta correria, tanta coisa para pensar que eu acabara esquecendo este detalhe. Como se não fosse primordial. E agora? Quais nomes eu escolheria?

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Capítulo de Natal

Oiiiiii!!! Então... eu decidi postar um capítulo antes q todo mundo desistisse de mim... ashasashasahsh... Só q eu não tenho o próximo pronto, e estão começando as férias (o//), então provavelmente vai demorar pra mim outro :(( Mas eu não vou deixar de postar, prometo!
Só uma coisinha sobre o capítulo de hoje: ele é mais uma passagem de tempo, não tem tanta informação. Mas mesmo assim, espero que esteja bom. =D
Então tá, leiam aee... Bom natal e boas férias pra todo mundooo!!!!!!! Beijos..


CAPÍTULO 14 – RECOMEÇANDO

Nos primeiros dias as horas pareciam não fazer sentido para mim. Era como se nada de diferente pudesse acontecer, nada que me fizesse achar que as coisas pudessem realmente mudar.

Mas eu queria com todas as minhas forças ficar bem, voltar a ter uma vida normal. E eu ia fazer isso. Eu merecia um futuro bom e meus filhos também. Então firmei essa decisão em minha cabeça e segui em frente.

A primeira coisa que fiz foi me concentrar novamente na faculdade. Eu sabia que dali a alguns meses eu teria que me afastar outra vez, mas eu tinha que me ocupar com alguma coisa. Apesar de a faculdade me lembrar muito de Felipe, eu gostava muito de estar lá.

O único problema era que eu não queria voltar sozinha. Lisa ia para a faculdade também, mas eu precisava que alguém estivesse durante a aula comigo. Então quando descobri que Fernanda fazia o mesmo curso que eu e que tinha planos de se mudar para minha cidade, implorei para que ela viesse logo.

- Por favor, eu faço o que for preciso, eu preciso que fique aqui.

- Nina eu queria esperar mais um pouco antes de me mudar de vez para cá.

- Esperar o que? Agora é tão bom quanto qualquer momento. Por favor!

Ela respirou fundo, pensou e finalmente sorriu.

- Tudo bem, você venceu.

Ela voltou para sua cidade para arranjar a transferência e pegar suas coisas, e uma semana depois estava tudo pronto. Eu ofereci a ela minha casa, mas ela insistia em ficar na casa que antes era de Felipe. Ela dizia que já que ele fora embora era melhor ela ficar por lá mesmo, sem ter que incomodar a mim ou a minha família. Cláudia a apoiava e até mesmo Lisa, então não tive o que dizer. Desde que ela estivesse ali eu não tinha do que reclamar.

Como eu imaginava foi um pouco triste ir a faculdade sem Felipe, mas eu afastei o sentimento que me dizia que eu precisava dele para tudo. Eu tinha de colocar na minha cabeça – e no meu coração – que daqui pra frente seria assim.

Na aula, me concentrei no que estava sendo explicado e, mais rápido do que eu pensava, eu estava completamente concentrada na matéria e apreendendo o que o professor dizia.

À medida que as aulas iam passando – e o tempo junto com elas – eu ia ficando mais forte, ia plantando uma nova felicidade em meu coração, diferente da que eu tinha antes, mas que também era muito boa.

Eu estava tomando as rédeas da minha vida outra vez, estava comandando-a novamente, e agora, eu sabia o que estava fazendo e sabia que era o certo. E eu estava feliz, contrariando o que eu pensava antes – que não havia felicidade sem Felipe.

E o melhor de tudo era que eu gostava mesmo de estar grávida, de saber que dali a alguns meses eu estaria com meus bebês em meus braços e poderia cuidar deles e eles seriam tudo na minha vida.

Nos dois últimos meses de gravidez me pus a fazer tudo que não havia feito nos primeiros em relação aos bebês.

Fui com minha mãe comprar berços, carrinhos, coisas para o quarto que ela sabia escolher melhor que ninguém. Nanda, Sophia e Lisa me ajudaram a escolher as roupinhas e coisas mais delicadas. Elas se deliciaram e me fizeram prometer que elas seriam madrinhas dos bebês. Teria que conciliar três madrinhas para duas crianças.

E os nomes. Nunca pensei que seria tão difícil decidir os nomes. Eram tantas opções e eu não podia colocar qualquer nome simplesmente por impulso, tinham que ser nomes que fossem escolhidos com cuidado, pois seriam sua identidade para toda a vida.

- Use nomes estrangeiros, eles são tão chiques. – falou Lisa. Estávamos em meu quarto colocando-o em ordem para a chegada dos novos moradores.

- Não. Nomes compostos, eles são mais fortes. – replicou Nanda.

- Ainda acho que deve usar nomes bem simples, para que seus filhos não sejam aberrações. – continuou Sophia.

- Ai filha, faça uma homenagem a seus avós, ou aos avós dos seus filhos. – falou minha mãe com os olhos brilhando.

- Ah! – gritei por fim. – Assim vocês não ajudam em nada. Eu escolherei os nomes que achar melhor e pronto.

Elas deram de ombros e continuaram com seus afazeres. Ao fim deste dia – e também de toda a semana – eu ainda não tinha escolhido os nomes.

Quando faltava um mês para eu ter minha gestação completa, o meu quarto tinha ficado pronto. Ele estava todo mudado agora. Minha cama estava ladeada pelos berços. Havia um cantinho todo especial que fora preparado pela minha mãe, onde ela colocara uma cadeira de balanço e brinquedinhos. A parede neste canto agora tinha um papel de parede com bichinhos estampados.

O meu closet tinha um espaço bem grande com roupinhas pequeninas e meu banheiro teve algumas melhorias que facilitariam os meus cuidados com as crianças.

Em toda a minha vida, eu nunca fora tão mimada quanto agora – e eu sempre fui muito mimada. Quando não eram meus pais, era minha irmã ou minhas amigas, e até Cláudia que ligava praticamente todos os dias pra saber como eu estava.

Eu estava cada vez mais ansiosa para o dia do nascimento dos meus bebês. Eu queria tanto saber como eles eram, tocá-los, segurá-los em meus braços, fazer tudo o que uma mãe deve fazer.

Toda noite, antes de dormir, eu ficava algum tempo passando as mãos em minha barriga, falando para os bebês, e esperando que eles dessem algum sinal, e às vezes eu os sentia chutar. Isso me acalmava, me dava paz e me fazia dormir muito melhor.

- Vocês serão tão lindos. Perfeitos. Espero que vocês se pareçam com o seu pai, ele é o homem mais lindo que já conheci. – eu disse a eles um dia desses.

Foi estranho para mim, mas não me doeu falar de Felipe. Deixou-me apenas um pouco chateada, mas nada que pudesse alterar meu humor. Eu falei com sinceridade, com carinho, de um jeito que não trazia a lembrança os sentimentos ruins que eu sentia.

- Quando vocês estiverem maiores, eu vou lhes contar tudo sobre seu pai. – eu sorri – Como ele era, o que ele costumava fazer e me dizer. Vocês nunca terão de sentir raiva. Eu prometo.

Não, eu não deixaria que eles tivessem raiva de Felipe. Eles não ficariam sabendo do que realmente aconteceu. Eles não precisavam saber. Ninguém mais precisava sofrer. E para falar bem a verdade, a essa altura, nem eu mais sofria tanto.

Eu estava vivendo um momento de tanta paz que nada mais importava. Não que eu tivesse esquecido Felipe completamente, mas demorou menos tempo do que eu esperava para a dor pela perda se tornar apenas uma saudade. Saudade de um tempo bom, como o que se sente pela infância.

O futuro era o que me importava agora. O meu futuro e o dos meus filhos. Cansei de esperar sentada que algo acontecesse e me mostrasse o caminho da felicidade. Eu iria atrás dela e a alcançaria, sem ter medo de lutar.

Coloquei isso tão forte dentro de mim, que até minha aparência mudou. Meu rosto tinha certo brilho, meus olhos perderam as terríveis olheiras que me assombravam e eu me sentia mais viva.

Sim, viva, finalmente eu “voltava” a estar viva!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Notícia!

Oioioiiiii!!

E aí galera, belee?? Então, eu sei que faz alto tempo que eu não posto, mas é que eu to sem tempo pra escrever com todas as provas e trabalhos e tudo mais... prometo que se depois de tudo isso eu não pirar, eu continuo postando ASHASHAHAHS.
Mas falando sério, o mais rápido possível vou achar uma brechinha pra poder postar o próximo capítulo!! Talvez coloque essa semana ainda, mas não tenho certeza!!
Então aguardem que daqui a alguns dias terão mais um pouquinho do meu livro aqui :DDD
Aaaah! E pra quem se pergunta: "Qual o nome do livro?"
O livro ainda não tem nome hehe... estou aberta a ideias se alguém tiver alguma =P


Então é isso, obrigada pela paciência e aguardem mais notícias, beijoos!!

sábado, 25 de setembro de 2010

Oie!!

Ooooii gente!! Bom, hoje eu venho pra postar outro capítulo! Esse é um capítulo bem teenso e bem importante, então eu peço pra quem não leu os outros, pra não ler esse ainda, pq senão perde a graça =))))
Então vão lá, e quem é mais sentimental, prepara o lencinho, hehe... beijinhoos

CAPÍTULO 13 – SURPRESAS

- Marina! Princesa acorde, você tem visitas. – minha mãe me chamava. As palavras dela não faziam sentido, eu não conseguia encaixá-las.

- Hã? O que? – sentei e cocei os olhos para poder acordar.

- Você tem visitas querida. Se arrume e depois desça. – ela me deu um beijo na testa e depois saiu do quarto.

Levantei e tentei me recompor, tentando imaginar quem eram as pessoas que teriam vindo me ver. Sim, “as pessoas”, porque minha mãe havia dito visitas, certo? Eu não sabia ao certo, não conseguira ouvir direito o que ela disse, mas estava muito curiosa para descobrir.

Depois de estar devidamente apresentável, saí do quarto e desci as escadas. Quando entrei na sala, tive de me apoiar para não cair, tamanho choque que senti ao ver quem estava lá me esperando. Sentada no sofá estava dona Cláudia, a mãe de Felipe. Ela se levantou e sorriu ao me ver.

- Marina, que bom vê-la bem. – ela andou até mim e estendeu os braços para um abraço.

Eu a abracei, mas não estava entendendo nada. O que ela fazia ali e que receptividade era aquela? Eu não achava uma resposta. Ela pegou minha mão e me levou até o sofá.

- Pela sua cara vejo que está estranhando minha visita, não é? – ela disse e eu corei.

- Desculpe. É só que me pegou de surpresa. – ela riu de minha explicação.

- Está tudo bem. Eu entendo, não fui muito legal com você da última vez que nos vimos. – ela deu um sorriso amarelo.

- Ah! Não se preocupe. Não penso mais nisso. – tentei mudar de assunto – Quando chegou aqui?

- Ontem. Queria ter vindo antes, mas não pude. – ela respirou fundo – Marina, como você está, de verdade?

- Eu... – não conseguia falar direito, não entendia o que ela queria – estou confusa.

- Olha Marina, eu vim aqui, porque eu queria dizer que você tem meu total apoio. – agora sim eu estava confusa.

- O que quer dizer?

- O que Felipe está fazendo com você não tem perdão. Eu sei que no começo eu ia contra o namoro de vocês, mas ele escolheu você e tem que assumir as responsabilidades que isso trouxe. Eu quero que você saiba que eu vou estar aqui para o que você precisar.

Uma emoção muito forte atravessou meu coração e se instalou ali. Era tão bom ouvir aquilo, principalmente sendo dela. Eu me senti acolhida, me senti bem.

- Muito, muito obrigada. – eu disse enquanto uma lágrima escorria por meu rosto.

- Não tem nada para agradecer Marina. Apenas cuide bem de meu neto, ou neta. – ela sorriu colocando a mão em minha barriga.

Ficamos ali conversando por mais algum tempo até que alguém apareceu na porta da sala.

- Cláudia, porque não me esperou? – Fernanda, que parecia ter corrido falou.

- Achei que você demoraria no banho.

Fernanda revirou os olhos e depois olhou para mim, com um sorriso se abrindo nos lábios.

- Marina!

- Nanda! – levantei e fui até ela.

Era muito bom vê-la ali, me senti imediatamente feliz. Depois da conversa que tivemos, realmente passamos a gostar uma da outra. Não tínhamos mais nos visto desde então, mas mantínhamos contato, por telefone e pelo computador. Ela me apoiou muito quando os problemas começaram a aparecer e tinha me dito que mais dia menos dia apareceria ali para me ver.

- Que bom que está aqui. – falei com sinceridade enquanto a abraçava.

- Viu? Eu disse que viria! – ela abriu um largo sorriso.

- Sim, você disse. – eu ri. Eu me sentia tão bem agora que era fácil demais sorrir agora, mesmo depois da noite anterior... – Felipe não me contou que vocês estavam aqui.

- Nós pedimos a ele que não contasse. Queríamos fazer surpresa. – respondeu Nanda radiante.

- Pode ter certeza que fizeram. – as duas riram.

Convidei-as para almoçar ali e elas aceitaram, então passamos muito tento juntas, conversando sobre tudo, mas o assunto principal sempre era o bebê. Cláudia era a que mais falava nele e eu podia ver nela uma alegria em ser avó que eu nunca poderia imaginar. Eu sabia que meu filho poderia não ter o pai – cada vez que pensava nisso um pouco de minha felicidade ia embora –, mas sabia que teria suas duas avós por perto.

Minha mãe havia se juntado a nós em uma conversa no jardim sobre nomes para o bebê – eu realmente não andara pensando muito nisso. Ela olhou no relógio e pulou da cadeira.

- Marina, vá se arrumar logo, estamos atrasadas. – ela disse me puxando da cadeira.

- Atrasadas para que mãe?

- Ir ao médico. Você tem consulta. – ela virou para Cláudia – Venham junto, talvez descobriremos o sexo do bebê hoje.

Quando ela disse isso eu quase caí. Como assim descobrir o sexo do bebê? Já? Eu não sabia se estava preparada. Mesmo assim não havia outra saída, então fui para meu quarto, puxando Nanda pelo braço e me arrumei o mais rápido possível para não irritar minha mãe.

Ao entrar no carro lembrei-me de avisar Lisa, que ficaria brava se eu não avisasse e que eu sabia que chegaria ao hospital antes de mim. Depois de desligar o celular, pensei em outra pessoa a qual eu deveria ligar, mas eu não tive coragem e pedi para Nanda ligar para Felipe por mim.

Nanda ficou um bom tempo com ele no telefone e pelo jeito ela tentava convencê-lo de ir. Aquilo me desanimou ainda mais, mas eu tentei desviar essa ideia da cabeça e pensar no que mais importava agora.

Chegamos ao hospital e como eu previ, Lisa já estava lá. Minha surpresa foi em ver que Felipe estava lá com ela esperando. Pela sua cara ele não parecia muito confortável ali. Quando fui chamada para a consulta minha mãe se levantou para ir comigo e Felipe – com um empurrãozinho de Lisa e Nanda – nos seguiu.

A médica que me atendeu já era conhecida de muitos anos da família, então foi fácil ficar tranquila. Ela conversou rapidamente comigo e depois me levou até onde seria feita a ultrassonografia.

Foi fácil, eu tive apenas que ficar deitava enquanto a médica analisava o que via na tela. Eu não sabia dizer quem estava mais nervoso: eu, minha mãe ou Felipe. Nós três estávamos completamente atentos ao que a médica dizia ou fazia, e isso apenas nos deixava mais nervosos, pois ela pouco falou por um tempo. Depois ela olhou para mim e para Felipe e perguntou:

- Já pensaram em nomes?

Eu dei um sorriso amarelo e respondi:

- Não, ainda não.

- Então quando for escolher o nome pense em dois, um para menino e outro para menina.

- Sim, farei isso. – falei inocentemente, como se fosse algo normal de uma médica dizer.

- O que eu quis dizer foi que você precisará dos dois nomes. Parabéns, vocês terão um casal de gêmeos. – Ela disse sorrindo.

Eu não sabia o que fazer, o que dizer. Gêmeos? Como pode? Eu não sabia se ficava feliz ou triste. Olhei para Felipe. Ele me olhou de um jeito que eu não gostei, um olhar que eu não queria ver. Eu sabia o que aquele olhar significava, mas não queria, eu não podia acreditar que fosse verdade.

Felipe desviou o olhar e sem dizer nada saiu da sala, quase correndo. Eu queria chamar por ele, gritar por ele, mas não consegui fazer nada. De repente tudo se apagou a minha volta e eu não pude impedir que ele fosse embora.

- Eu não acredito que ele fez isso com ela. Nunca pensei que ele de verdade tivesse coragem de abandoná-la. – as palavras raivosas de Lisa me acordaram e trouxeram a verdade a minha cabeça. Eu comecei a chorar sem nem ao menos abrir os olhos.

- Nina, não chore princesa. Olhe para mim filha. – minha mãe dizia nervosa. Eu abri os olhos e encarei-a.

- Mãe, ele se foi! Ele realmente me deixou! – eu abracei-a e chorei em seus braços, sem mais forças.

- Fique calma filha, vai ficar tudo bem!

- Como vai ficar tudo bem? Não tem como. – minha voz soava como um sussurro.

Minha mãe esperou que eu me acalmasse e parasse de chorar para falar novamente. Ela sentou na minha frente e disse que Felipe havia deixado uma carta para mim que Fernanda havia encontrado em seu quarto. Provavelmente porque ele sabia que assim a carta chegaria até mim.

Elas me entregaram a carta e saíram do quarto – nem havia notado que estava em casa – para que eu pudesse ler sozinha a carta. Respirei fundo e abri o papel que estava dobrado e colocado dentro de um envelope.

Nina, dizia na primeira linha da carta. A letra estava tremida.

Eu simplesmente não sei explicar o porquê do que estou fazendo, mas vou tentar. Você mais que ninguém merece uma explicação, pois você é a pessoa mais importante da minha vida, mesmo que não acredite nisso. E não acho que deva... sou um grande idiota.

Quando você me contou que estava grávida eu perdi meu chão. Eu não consegui me imaginar cuidando de uma criança, tendo que formar uma família, pelo menos não agora. Então eu fiz a primeira burrada com você, e depois não parei mais.

Hoje, quando a médica disse que... eram duas crianças, eu fiquei pior ainda. Entenda, não tenho como dar nenhum tipo de futuro para você ou para essas crianças. E é por isso que estou indo embora. Não pense que está sendo fácil, é a pior coisa que já fiz em toda minha vida, mas não vejo outro jeito.

Entenda também que não estou fazendo isso por mim, estou fazendo por você e por... nossos filhos. Eles merecem muito mais do que a mim como pai. E você... você é a pessoa mais especial que já conheci e seu lugar é ao lado de um homem de verdade, que não seja tão covarde e que cuide de você. Eu irei agradecer a qualquer um que consiga colocar no seu rosto o sorriso que eu tanto amo.

Eu sempre a amei e sempre amarei. Amo você mais que tudo e todos. Nunca, nem por um segundo duvide disso. Por favor, se puder, me perdoe. Tenha toda a felicidade do mundo, a felicidade que eu não posso lhe dar. Espero que encontre alguém que a faça sorrir, embora eu nunca mais vá querer ninguém. Você é e sempre foi a única pra mim.

Me perdoe, Felipe.

Quase não consegui enxergar as últimas linhas da carta, devido a quantidade de lágrimas que caía de meus olhos. Eu tentava com todas as minhas forças entender e aceitar aquilo, mas eu não conseguia. Nada nem ninguém me fariam entender que ele havia me deixado de verdade, que dessa vez ele não voltaria.

Como as coisas haviam mudado de rumo tão rapidamente? Num momento eu era a pessoa mais feliz do mundo e tinha certeza que iria passar a vida toda com Felipe, meu primeiro e, eu tinha certeza, único amor. No outro eu estava a espera de duas crianças que eu não fazia ideia de como criar e Felipe havia me deixado.

A primeira coisa em que pensei foi em desistir. Eu fechei os olhos e visualizei um futuro que eu sabia que não teria. Eu, Felipe e as duas crianças em uma casa do jeito que eu sempre sonhei que teria depois de me casar. Eu via as crianças brincando a minha volta e via Felipe sorrindo para mim enquanto observava a cena. Depois eu via ele vindo até mim, me abraçando e dizendo: “eu amo você”.

Como eu queria ficar com os olhos fechados e nunca mais ter de abri-los. Mas eu não podia. Tirei da minha cabeça a ideia de desistir e abri os olhos. O que eu via agora eram as paredes do meu quarto, que de repente pareciam sem graça. Além disso, eu podia ver o futuro que verdadeiramente eu teria. Era um futuro negro, que eu não gostava. E eu sabia que só eu poderia mudá-lo.

Eu tinha que encontrar forças para isso, para mudar as coisas. Não somente por mim, mas por meus pais, por Sophia, minhas amigas e meus filhos. Eles não mereciam sofrer as minhas custas, e eu ainda tinha muita vida pela frente, mesmo que ela não me importasse muito sem Felipe ao meu lado.

Mas antes de fazer qualquer coisa eu tinha que colocar a cabeça no lugar. Tinha que pesar minhas prioridades e as coisas menores. Comecei analisando a carta de Felipe. Se ele realmente ainda me amava e queria que eu fosse feliz, era isso que eu faria, por ele, pelo amor que sempre sentiria por ele.

Havia apenas uma coisa que mesmo se eu quisesse não aconteceria. Eu nunca pertenceria a outro. Nunca amaria outro e meu sorriso seria eternamente dele.

P.S.: Só pra saber? Quem alguém querendo me matar depois desse capítulo??? ahasha Respondam nos coments, obri! E se tiverem alguma sugestão ou alguma dúvida de alguma coisa que não tenha ficado clara, perguntem nos coments tb que eu leio sempre... beijos

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Volteei...

E aí galera!! Demorei, mas não morri *batendo na madeira*... Desculpem mas é que eu estava cheeia de coisas pra fazer, e tenho q atualizar os capítulos também, mas prometo q eu vou terminar de postar o livro. Então aí vai mais um capítulo, bjbj

CAPÍTULO 12 – REALIDADE

As semanas passavam devagar enquanto eu ficava em casa sem fazer nada. Dificilmente saía do quarto e quando o fazia era para saber de Felipe. Apesar de estar me apoiando, ele não parou sua vida e nem eu queria que ele o fizesse. Continuava indo a faculdade e agora também trabalhava. Também não estava mais dormindo em minha casa, mas ia me ver pelo menos uma vez ao dia e quando não ia, ligava.

Eu me sentia uma velha esperando seu marido chegar em casa do trabalho, se enchendo de comida e sem forças para fazer nada. Eu não aguentava mais ver meus pais se preocupando comigo, apesar de Sophia estar muito pior que eu.

Então decidi mudar as coisas. Decidi levantar a cabeça e seguir em frente sem precisar da pena de ninguém. Pena não, mas ajuda sim. Pedi a Lisa que viesse conversar comigo, que ficasse comigo e ela o fez sem reclamar. Ela me escutava e me dizia coisas que eu deveria ouvir e que me ajudavam a seguir em frente. A primeira coisa que fiz, depois que ela me convenceu de que era o certo, foi ir falar cara a cara com Sophia, quando ela voltou para casa.

Bati na porta de seu quarto e perguntei se podia entrar. Sophia respondeu animadamente que sim. Respirei fundo duas vezes e abri a porta com a mão trêmula. Entrei e a vi deitada na cama com um sorriso dirigido a mim. Olhei seus braços. Cicatrizes iam da mão até o ombro. No rosto também havia algumas e nos seus olhos se notava alguma diferença por causa dos cacos de vidro. Congelei no lugar onde estava.

- Venha aqui Nina. – ela chamou ainda sorrindo – Senti sua falta.

Uma lágrima escapou por meus olhos e eu não consegui mover um dedo.

- Não acredito. – ela disse – Já era sensível, grávida então... chora por qualquer coisa. – ela parecia estar brincando.

Corri até a seu lado e me ajoelhei do lado se sua cama, abraçando-a.

- Desculpe. – pedi chorando – Por favor.

- Pare com isso. O que está pensando?

- Olhe como você está. Olhe o que te fiz. E você ainda sorri para mim.

- Você não tem culpa de nada. Acidentes acontecem.

- Como pode dizer isso? – perguntei levantando. Ela estava calma demais, como conseguia não sentir raiva de mim. – Eu devia estar no seu lugar! – gritei.

- No meu lugar? – ela se levantou e pude ver leves cicatrizes na perna. – Eu entrei naquele carro porque quis. E você aprendeu a lição. Não pense que eu estaria tão calma se não soubesse disso.

- Mas olhe seus braços. E seu rosto.

- Já disse que entrei naquele carro porque quis. – Ela gritou irritada com minha insistência.

- Tudo bem. – respirei fundo. – Não quero discutir com você. – puxei-a de volta para a cama – Apenas diga que me perdoa.

- Não tenho o que perdoar.

- Por favor. – eu precisava daquilo.

Ela me olhou fundo nos olhos, depois para a parede. Respirou fundo, olhou de novo para mim e disse:

- Perdôo.

- Obrigada. – eu disse e abracei-a.

Fiquei mais um tempo com ela enquanto ela matava sua curiosidade sobre como era estar grávida. Depois, muito mais calma e confiante, voltei a meu quarto onde Lisa me esperava no computador.

- Eu disse que seria muito melhor se você conversasse com ela.

- Claro que disse. – eu sorri – Estou mais calma agora.

- Isso é bom. – fez uma pausa – Agora já pode voltar a viver.

- Não teve graça.

- Eu sei. – ergueu uma sobrancelha – É serio, você tem que voltar para a faculdade.

- Acha mesmo?

- Tenho certeza. Não dá para parar sua vida só... – foi interrompida por Felipe que entrava no quarto.

- Desculpem. Venho depois. – falou vendo Lisa ali.

- Não. Eu já estava indo. – Lisa disse repentinamente séria.

Os dois não se falavam direito desde que Felipe contou para Lisa o que havia feito. Ela não concordava com aquele acordo que fizemos. Dizia que era loucura e eu sabia que ela estava certa, mas não iria me arriscar a perder Felipe.

Eu sabia que tudo que estava fazendo, o modo como estava vivendo era errado. Eram apenas ilusões de que não havia nada de ruim na minha vida, que estava tudo perfeito. Mas a verdade é que cada coisa estava sobre a outra, virando minha vida, e a dos outros, de cabeça para baixo. Meus pais viviam em constante preocupação comigo e Sophia. Esta tentava encarar os problemas que eu infligi a ela. Eu via Felipe com o rosto cada vez mais cansado a cada dia. Lisa também se preocupava muito comigo e os dois não se falavam mais por minha causa. E eu estava parada no tempo, sem saber como seguir em frente.

Perdi toda minha calma e confiança quando os vi “disputando” para ver quem ficaria no quarto e quem sairia para que os dois ficassem a vontade.

- Você fica. – olhei para Lisa – E você entra. – apontei para Felipe.

- Não se preocupe. Não me importo de vir outra hora. – falou Felipe com um sorriso fraco para mim.

- Fique. Eu já disse tudo que queria.

O modo como falavam, como se estivessem entre inimigos e não entre amigos de infância, me fez tremer de raiva por saber que a culpa era minha.

- Mas que droga! – gritei e os dois me encararam – O que pensam que estão fazendo? – perguntei levantando.

- Fique calma. Não me importo mesmo de vir outra hora. – Felipe disse ao se aproximar de mim.

- E de perder uma amiga por minha culpa, não se importa? – ele encarou o chão envergonhado com minha pergunta – Não aguento mais ver vocês assim.

- Não se preocupe isso é coisa nossa. – Felipe tentou me sentar novamente na cama.

- Não. – soltei suas mãos de mim – Meus melhores amigos brigam por minha culpa e você diz para eu não me preocupar?

- Não é culpa sua. – os dois falaram ao mesmo tempo.

- Vendo vocês assim, meus pais, Sophia, eu penso que devia ter morrido naquele acidente. – falei enfurecida.

- NÃO! – falaram juntos de novo – Nunca mais repita isso Marina! – continuou Lisa.

- Então, por favor, parem com isso. Façam isso por mim, se é que eu posso pedir mais alguma coisa de vocês.

Nenhum dos dois falou nada a princípio, apenas se encararam, como se conversassem por olhar, procurando um jeito de resolver aquilo.

- Mari – começou Lisa – você sabe que eu não concordo com o que vocês estão fazendo.

- Não estou pedindo para você concordar. Apenas para perdoar. Se eu perdoei, porque você não pode? – sorri fracamente para ela.

Ela não disse nada, então me virei para Felipe.

- Você não sente falta de nossas conversas, de tudo que fizemos juntos? Nós três? – puxei-o para sentar na ponta da cama.

- Claro que sinto, mas não posso obrigá-la a aceitar uma coisa de que também não gosto.

- E você Lis, não sente? – peguei sua mão.

- Sinto, mas... – interrompi-a.

- Mas nada. – suspirei – Ouçam. – pedi – Não sou mais uma criança que precisa de alguém para tomar suas decisões. Sei que o que estou fazendo não é certo, mas entendam, não posso viver sem... – preferi não terminar a frase ao ver a cara de Felipe – Não briguem por causa de minha idiotice. Por favor? – peguei a mão dos dois e as juntei.

- Tudo bem. Eu já não estava mais aguentando isso mesmo. – falou Lisa sorrindo e deitando em meu colo.

- Nem eu. – completou Felipe.

Puxei Felipe para mais perto e abracei os dois forte, como se nunca fosse soltar. Eu os amava demais e não queria que nada nos separasse. Nunca.

Lisa, agora apoiada por Felipe, me convenceu a voltar a ir para a faculdade e eu comecei naquele dia mesmo. Era como um flashback. Eu e meus dois melhores amigos indo a faculdade juntos, como naquele primeiro dia. Isso quase me fez chorar. Sentia que as coisas estavam se encaminhando.

Lisa foi para sua sala, me desejando boa sorte e eu fui com Felipe até a minha. Foi estranho estar lá novamente, com aquelas pessoas que eu mal conhecia, mas que sentia falta, pois era uma parte da minha vida que eu gostava muito. Respirei fundo e entrei na sala.

No começo foi fácil. Sentei no fundo da sala e Felipe me ajudou a entender a matéria. Fiquei um pouco perdida, mas depois comecei a entender o que o professor explicava. Mas no meio da aula, comecei a perceber alguns olhares em minha direção. Então me dei conta do que olhavam.

Eu já estava com uns cinco meses de gravidez e minha barriga era perceptível em minha blusa justa. Não estava muito grande, pois eu era muito magra e isso ajudava um pouco, mas mesmo assim era algo visível. Fiquei envergonhada e coloquei o casaco fino que havia levado só por levar. Felipe olhou confuso para mim, pois estava uma noite quente.

- Está com frio? – perguntou erguendo uma sobrancelha.

- Não. – olhei para minha barriga – Estão todos olhando.

- Ah. – virou o rosto para verificar com os próprios olhos – Deixe que olhem. – falou por fim.

Assenti e virei novamente para o professor e tentei me concentrar. Quando a aula finalmente acabou, fui falar com o professor, tentar explicar minha faltas e achar um jeito de não rodar naquela cadeira. Ele foi muito simpático e disse que eu podia fazer alguns trabalhos para compensar.

Umas meninas acabaram ouvindo minhas explicações e confirmaram suas desconfianças. Começaram a cochichar e eu vi a notícia de que estava grávida se espalharia rapidamente. Tentei não prestar atenção, mas umas meninas que tinham inveja de eu namorar Felipe não deixaram.

Quando saí da sala com Felipe elas estavam em uma roda conversando. Uma delas, a mais popular, que sempre arranjava um jeito de se mostrar melhor que os outros, falou alto o bastante para que eu pudesse ouvir:

- Eu avisei a vocês. Aquelas que se mostram as mais santas são as piores. Depois, meninas como eu é que são o problema. Por acaso eu ando por aí exibindo uma barriga de grávida?

Aquelas palavras entraram em minha mente sem eu querer e me dominaram de modo que uma raiva tremenda me domou. Quem aquela garota insignificante pensava quer era para julgar a mim e as minhas ações sem ao menos me conhecer? Para se achar melhor porque a grávida era eu e não ela?

Sem pensar comecei a andar na direção a ela, fuzilando-a com os olhos. Ela me olhou e sorriu de modo desafiador quando me viu avançando, como se quisesse que eu fizesse algo.

Minha mão se levantou involuntariamente enquanto eu continuava andando em sua direção. Ela recuou alguns passos, amas continuou a sorrir, o que só aumentou minha raiva. Quando lancei minha mão na direção do rosto daquela garota irritante, outra mão mais forte que a minha me segurou.

- Não vale a pena. – Felipe sussurrou em meu ouvido enquanto me puxava para longe dali. – Ela não sabe de nada. Não pode te julgar.

Julgar. Naquele momento eu notei porque tivera tanta raiva, eu sabia que aquela não seria a última vez em que eu teria que agüentar o julgamento das pessoas. E eu não queria passar por aquilo. Por um momento pensei em deixar tudo de lado e voltar a ficar trancada dentro de casa.

- Ela está certa. – fixei o olhar no chão – Eu devia ter vergonha de sequer sair de casa.

- Não fale isso. – ele puxou meu rosto para que pudesse olhar em meus olhos – Você não tem culpa do que aconteceu. Ninguém tem. Você não deve sentir vergonha, tem é que sentir orgulho de não ser tão covarde quanto eu.

- O que quer dizer?

- Quando você soube que estava... grávida – ele vacilou ao dizer isso -, você sequer pensou em outra opção a não ser criar essa criança. Ao contrário do que eu fiz.

Eu não consegui responder nada a ele, e ele também não disse mais nada. Então eu decidi mudar de assunto antes que as coisas piorassem.

- Vamos embora daqui. Não há nada mais o que fazer aqui hoje.

- Você está certa, vamos.

- Antes que eu decida bater em mais alguém. – sorri para ele, tentando amenizar a situação.

Ele sorriu para mim, mas de repente ficou sério, enquanto encarava alguma coisa. Virei-me na direção do que ele encarava e vi Anderson, que mantinha seus olhos dirigidos a minha barriga. Por instinto passei minhas mãos nela, como se para proteger.

Olhei novamente para Felipe e, ainda encarando Anderson, ele passou o braço por minha cintura e me puxou o mais próximo possível que pude ficar dele. Era como se um instinto de proteção tivesse se apoderado dele. Eu não pude deixar de sorrir enquanto apoiava meu rosto e seu ombro, mesmo sabendo que criar esperanças poderia me machucar muito depois.

- Ou, antes que você decida bater em alguém. – completei enquanto ele me puxava rapidamente em direção ao carro.

Enquanto ele me levava até em casa eu ficava pensando nas palavras daquela garota e não conseguia tirar da minha cabeça a ideia de que ela não seria a última a falar coisas assim para mim.

Eu sabia que as pessoas não achavam certo ter filho com a minha idade e na verdade nem eu achava. Eu não tinha a responsabilidade suficiente para criar uma criança e o pior é que eu poderia ser mãe solteira, mas nem disso eu tinha certeza ainda. Uma lágrima escapou de meus olhos e Felipe notou.

- Ainda está pensando no que aquela garota disse, não é? – ele disse secando a lágrima.

- Estou. Não exatamente ao que ela disse, mas ao fato de que ainda vou ouvir muitas coisas assim. – olhei minhas mãos.

Ele estacionou o carro em frente a minha casa, saiu e abriu a minha porta antes de falar novamente.

- Não importa o que ninguém fala disso. Só importa o que você está fazendo para o seu bem e para o bem... do bebê. – ele desviou os olhos, depois voltou a olhar para mim – E pode ter certeza de que você está fazendo a coisa certa. – depois falou baixo, como se para si próprio – Aliás, é a única que está fazendo o que é certo.

Ele me abraçou forte por um momento. Um abraço cheio de significados. Como se naquele abraço ele estivesse me dando o que não poderia me dar de outra forma. Eu me apertei contra ele antes que ele pudesse se afastar. Mas ao contrário do que pensei, ele não fez isso. Ele me puxou mais e mais, até quase doer da força que ele fazia para me segurar tão perto.

Meu corpo agiu contra minha vontade e quando vi, e estava aproximando meu rosto do dele. Não faça isso, não faça isso! A parte racional de mim dizia para a parte que não conseguia mais agüentar um dia sem Felipe.

Felipe seguiu meu movimento, e então a parte racional de mim se rendeu a outra, sem mais forças para lutar. Ele segurou meu rosto entre as mãos enquanto delicadamente beijava minhas bochechas. Depois passou a minha testa e meu nariz, até finalmente alcançar minha boca.

Neste momento me esqueci de todo o resto, só ele importava. Eu só conseguia sentir seus lábios nos meus, seu cheiro, sua pele sob minhas mãos e nada mais fazia sentido sem isso. Parecia que ele sentia a mesma coisa, eu sabia que ele sentia, e ao mesmo tempo eu sabia que isso poderia não ser suficiente para mudar sua decisão.

Quando pensei nisso a parte racional voltou a mim e me deu forças para me afastar dele quando ele também o fez. Felipe fixou o olhar no meu por um momento, e eu podia ver nos seus olhos um grande remorso, não pelo beijo, mas pelo resto, por tudo que viria depois e que ele não sabia se poderia me dar.

- Não devíamos ter feito isso. – sussurrei. Minha voz não sairia mais alto do que aquilo.

- Eu sei. Desculpe. – a voz dele não estava mais alta do que a minha.

Depois disso nenhum de nós sabia mais o que dizer. Fechei meus olhos e me encostei em seu ombro, enquanto ele apertou os braços a meu redor, um último abraço. Beijou meus cabelos e me afastou delicadamente, depois entrou no carro e esperou até eu entrar em casa, e então se foi.

Fui direto até meu quarto e agradeci silenciosamente por minha mãe não ter feito nenhuma pergunta. Troquei minha roupa o mais rápido possível e tentei não olhar em direção a minha barriga para não começar a chorar. Deitei na cama e fechei os olhos pensando.

Depois de um bom tempo analisando tudo que tinha acontecido aquela noite e também as opções que tinha para meu futuro, concluí que eu devia para de ter medo. Não devia me importar com o que os outros pensavam.

Não era fácil colocar isso em prática, mas eu não devia mais viver apenas a sombra de uma esperança e deixar todo o resto de lado. Eu tinha de erguer a cabeça e seguir em frente. Essa era a minha realidade agora e nada faria isso mudar. Por instinto coloquei as mãos em minha barriga e depois acabei dormindo, mais calma e confiante, apesar de ainda estar triste.

P.S.: Eu nem acredito q esse já é o capítulo 12, isso é mto divertido ahsahahsaah

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

De novo, de novo!

Oiiie pessoas... Mais um capítulo hj proces... Leiam e divirtam-se, aaah! e comentem. É com os comentários q eu vejo se o blog tah bombando ou não ahsahshashasahs =P
Então vamos lá... beijinhooos

CAPÍTULO 11 – CONFLITOS

Estava em uma sala junto com algumas pessoas: minha mãe, Sophia, Lisa, Felipe e uma criança que não reconheci. De repente a sala ficou escura e quando voltou a clarear, minha mãe havia sumido. Escureceu novamente, clareou e Sophia desapareceu. Outra vez e Lisa sumiu. Depois aconteceu com Felipe e com a criança que chorava antes de sumir. Eu caí no chão e fechei os olhos, mas algo me dizia que eu não estava dormindo ou desmaiada.

Abri os olhos assustada e encarei o teto. Aquele sonho fora muito real e me deixara pior do que já estava. Estranhei ao ver a parte de cima de minha cama, que indicava que eu estivesse em minha casa. A primeira coisa que veio a minha cabeça foi Sophia. O que aconteceu? Como ela estaria? E depois lembrei do meu namorado, ou ex, eu não tinha como saber.

Sentei na cama e comecei a procurá-lo. Não o via em lugar algum, então enlouqueci. Ele havia me deixado novamente. Descumprido a promessa. Por quê? Por quê?

- Não. Não. – sai pulando da cama e me segurando nela para não cair. – Felipe! – gritei desesperada – Felipe!

Estava a ponto de cair no chão sem esperanças para aguentar mais aquilo, quando dois braços fortes me seguraram. Mesmo sem olhar para trás, eu soube que era ele.

- Ei, ei. – sussurrou me virando de frente para ele – Estou aqui. Fique calma.

- Acordei... você... sumiu. – eu chorava ao falar – Achei que... tivesse me... deixado. – abracei-o forte.

- Eu não prometi que ficaria aqui? – perguntou calmamente.

- Sim, mas...

- Então eu ficarei aqui. Ouviu?

- Sim – solucei – Mas... não te vi... em lugar algum.

- Eu estava no banheiro. Só isso. Agora venha cá. – levou-me de volta a cama – Acho que isso vai te acalmar – continuou – Sua irmã está no hospital internada, mas não sofreu nada muito grave. Seus pais estão lá com ela e me pediram para ficar aqui com você.

- Eles ainda se preocupam comigo. – falei mais calma – Mesmo eu sendo um monstro.

- Você não é um monstro, amor. – sorri ao ouvir isso.

- Amor?

- Eu não disse que deixei de te amar. Pelo contrário. Disse para você não esquecer que te amo. – encarou o chão.

- Então por que fez aquilo?

- Falamos disso depois. Acho melhor... – interrompi-o.

- Não. Falaremos agora. – encarei-o.

- Você deve descansar. Não pense nisso agora. – ficara sério.

- MAS QUE DROGA! – gritei – Até quando vai ficar me enganado. Pensa que pode brincar com isso. Isso não é um jogo. – segurei o choro e tentei ser firme – O que tem aqui – coloquei a mão na barriga – é nosso filho. Não há como mudar isso. Então fale a verdade, porque não estou nem um pouco disposta a tirá-lo, se é isso que pensa.

- Não. É claro que não. – levantou – nunca pediria isso. Só...

- O que? – irritei-me.

- Alguém podia criá-lo.

- NUNCA. – levantei também e ele me apoiou – Eu vou criá-lo. Com ou sem você.

- Tudo bem. Escute-me, pode ser? – sentei de novo encarando a parede. – Nina?

- Fale. – olhei-o.

- Eu ainda não sei o que fazer. Não pedi um filho.

- E eu pedi? – cruzei os braços.

- Dá para escutar? – puxou meu rosto – Te proponho uma coisa. – suspirou – Vou cuidar de você até decidir o que fazer. Garanto isso até me decidir. – segurou minha mão – Mas se não quiser que eu fique, vou embora agora mesmo.

- Isso não é uma garantia de que vai ficar conosco. – olhei para minha barriga – Certo?

- Certo. – fechei os olhos – Nina, eu me odeio por isso. Mas não tenho como te prometer mais do que isso.

- Então terei que me acostumar com a incerteza. – uma lágrima desceu pelo meu rosto e ele secou-a.

- Desculpe. Por favor. Não quero que me odeie.

- Bem que eu queria te odiar agora. – ri sem nenhum divertimento – Mas nunca conseguiria. – deitei em seu colo.

- Cuidarei de você. – sussurrou – Cuidarei de você.

- Então comece agora. – tentei acabar com o clima frio – Estou com fome.

- Claro. – sorriu – Comeu algo depois que saímos do hospital?

- Não.

- Você é louca de ficar tanto tempo sem comer.

- Dormi a noite toda, ou hoje ainda é o pior dia da minha vida?

- Não fale assim. – endureceu a voz.

- Só responda. – sentei.

- Não dormiu a noite toda. – levantou e foi até a porta – Vou pegar algo para você comer. Já volto.

- Preparar você quis dizer. – sorri um pouco.

- É o que quer?

- Sim.

- Tudo bem então. Não demoro.

Ele saiu do quarto e eu me encostei em uns travesseiros. De olhos fechados, tentei repassar tudo que havia acontecido naquele dia que parecia nunca ter um fim. A descoberta de que estava grávida, a rejeição de Felipe, o acidente de Sophia, Lisa tentando me ajudar, Anderson aparecendo e Felipe finalmente me salvando de tudo aquilo.

Tum. Tum. Tum. Ouvi batidas na porta e vi meu pai entrando, com uma expressão séria. Poucas vezes o vi daquele jeito. Encarando seus olhos a dor por Sophia voltou a meu peito.

- Filha, eu... – interrompi-o antes que ele dissesse o que queria.

- Perdão, pai. Desculpe por Sophia, ela não tem culpa de nada. Desculpe por mostrar que não sou o que você pensava. Por despontá-lo. Por ser um monstro. – lágrimas saltaram de meus olhos.

- Não estou aqui para te julgar. – sua voz era fria – Estou sabendo de tudo o que aconteceu. – sentou na ponta de minha cama – O que você fez foi muita falta de responsabilidade, e nada justifica isso. Mas posso entender seus motivos.

- Desculpe. – não conseguia encara-lo.

- Sinto que tenho culpa em tudo isso. Por estar tão pouco tempo com você. – baixou os olhos.

- Não pai. Ninguém tem culpa a não ser eu. Poderia dizer que Felipe tem, mas ele não é responsável pelos meus atos. Só peço que me perdoe, se puder. – encarei-o.

- É claro que perdôo. Você é minha filha. Mas não faça nada assim novamente.

- Obrigado pai. – ele estendeu os braços e eu abracei-o.

- E está de castigo. Por tempo indeterminado.

- Sem problemas. – sorri.

Beijou minha testa e saiu, mas antes disse que me amava, e que eu entenderia dali a alguns meses do que ele estava falando. Eu tinha a leve impressão de que já sabia. Que já sentia por aquela coisinha pequena dentro de mim o amor que ele sentia por mim.

Felipe entrou no quarto enquanto eu tentava me distrair com alguma música, mas eu mal prestava atenção. Pensava em Sophia. Ele colocou uma bandeja lotada a minha frente que cheirava muito bem.

- Não terei que separar algo para você vomitar, não é?

- Acho difícil enjoar com sua comida. Não cheira a sopa de hospital. – respirei fundo para não lembrar do cheiro.

- Como foi com seu pai? – perguntou enquanto eu começava a comer.

- Ruim. – fiz uma pausa – E bom.

- Era para eu entender? – ele me olhou com dúvida.

- Foi ruim ter que encara-lo, mas foi bom porque ele não me crucificou por nada.

- Agora entendi.

- Onde está minha mãe?

Antes que ele pudesse responder, meu celular tocou e era ela. Estava no hospital com Sophia, que queria falar comigo. Congelei no momento em que minha mãe passou o celular para ela.

- Nina. Você está bem? – ela perguntou com a voz fraca e me segurei para não chorar ao ouvi-la.

- Não acredito que está preocupada comigo. Devia estar com vontade de me matar.

- Um pouco. – riu – Mas sei que não fez por mal, e quero te ver bem.

- Não estarei se você não estiver.

- Não se preocupe. Isso nos meus olhos e as cicatrizes não são nada. – eu ainda não sabia exatamente o que ela tinha. Não entendi o que era “Isso nos meus olhos”.

- Eu te amo. Desculpe-me.

- Eu também. Tenho que desligar. Mamãe está mandando. Tchau.

Quando desliguei um jorro de lágrimas se derramou sobre meu rosto e Felipe me abraçou tentando me consolar. Minha irmãzinha era mais adulta que eu. Não merecia o que estava passando. Não tinha culpa de eu ser desequilibrada.

- Ela perguntou... se eu... estava bem. – eu não conseguia acreditar.

- Se preocupa com você.

- É ela que está em um hospital e não eu. – respirei fundo, esperei um pouco e continuei – Sabe o que ela tem nos olhos?

- No acidente... – ele parecia sem jeito.

- Pode falar.

- Cacos de vidro. Pequenos pedaços entraram em seus olhos. Ela ficou com um problema de visão, mas nada muito grave.

- Deixei-a sega? – fiquei perplexa.

- Não. Você é surda? Tem um problema de visão. Não ficou sega, longe disso.

- Cicatrizes também?

- Algumas, principalmente no braço.

- Você a viu? – ele balançou a cabeça afirmativamente – E?

- Ela só não me espancou pelo que fiz porque estava deitada naquela cama. – ele riu sem graça.

- Essa é minha irmã. – suspirei – Nunca me perdoarei.

- Não pense nisso agora. Ainda não terminou de comer.

- Claro. – revirei os olhos.

Devorei tudo como sempre fazia com a comida que ele me preparava e isso me fez esquecer um pouco dos problemas.

Com tudo que estava em minha cabeça acabei esquecendo de todo o resto. Quando comecei a me ajeitar para dormir, ele me lembrou de que tinha de tomar banho, e por um momento me perguntei como conseguia olhar para mim no estado em que me encontrava.

Ele me levou até o banheiro e me ajudou a separar tudo que precisaria. Quase caí para trás quando me olhei no espelho, com os cabelos desgrenhados e olheiras gigantescas. Ter conversado com meu pai e Sophia tinha me acalmado e eu já voltava ao normal. Ainda tinha a cabeça lotada de problemas, mas sabia que eles tinham solução.

Com minha perna daquele jeito, Felipe não teve outra opção senão me ajudar e não parecia se importar. Apesar de não falar nada e ser muito cuidadoso, eu via desejo em seus olhos, mas não tentei nada nem o forcei a tentar.

Durante todo o tempo em que ficamos no banheiro não falamos nada. Eu não me atreveria. Tinha medo de falar besteira e fazer com que ele fosse embora novamente, mesmo sabendo que isso era uma possibilidade verdadeira.

Sentei em um banquinho e comecei a me vestir. Notei o jeito que ele me olhava e fiquei completamente vermelha. Era como se ele me quisesse envolvida em seus braços e sentisse vergonha disso. Era como se ele achasse que não podia sentir isso. Talvez pensasse assim por causa do acordo que fizemos e comecei a pensar como seria ruim tê-lo ali e não tê-lo ao mesmo tempo. Era algo muito difícil de conviver.

- Tudo bem. Já posso me deitar. – falei tentando alterar o clima.

- Claro. – sorriu e me levou até minha cama, me deitando cuidadosamente.

- Vai ficar aqui, não vai? – perguntei com a voz baixa e sem encará-lo. – Me refiro a ficar aqui. – apontei para o espaço da cama a meu lado.

- Se você quiser. – baixou os olhos.

Balancei a cabeça afirmativamente e dei um meio-sorriso. Sim, era o que eu queria. O que eu mais queria e sabia que não deveria querer. Ele – e agora também aquela criança – era tudo em minha vida. Eu amava meus pais, amava Sophia e Lisa também, mas nada se comparava ao que eu sentia por ele. Era algo incontrolável. Algo que nem se eu quisesse sairia de dentro de mim, e esse não era o caso. Eu precisava dele.

Observei-o indo para o banheiro e voltando depois de alguns minutos, pronto para dormir. Deitou-se ao meu lado e ficou sorrindo para mim, mas não se aproximou nem me tocou. Eu sabia que não conseguia ficar assim por muito tempo, então espichei a mão e peguei a dele, depois virei para o outro lado. Parecia que ele pensava na mesma coisa que eu, pois senti seu corpo mais perto do meu e seus braços me envolverem.

Por reflexo, virei o rosto para desejá-lo boa noite. Porém, ao mesmo tempo, ele inclinou a cabeça para beijar meu rosto e assim acabamos nos beijando. Minha vontade era de não desgrudar dele, mas eu virei o rosto rapidamente me afastando.

- Me desculpe. – sentia meu rosto esquentar com minha vergonha, sem bem saber de que.

- Desde quando pede desculpas por me beijar? – perguntou me virando de frente para ele.

- Eu não sabia se... podia. – encarei a parede.

- Então somos dois. – virou meu rosto para ele – Não sei se devemos. Se isso é bom pra você.

- Bom é. Pode ter certeza. – fiz graça, ele riu.

- Entendeu o que quis dizer. – sim, eu havia entendido – Tenho medo de te desapontar.

- Não acha que é um pouco tarde para pensar assim? – perguntei irônica.

- Machuquei você muito. – suspirou – Não quero fazer isso de novo.

- Não vejo outro jeito. – em todas as alternativas eu me via machucada.

- Como assim? – ele não entendeu.

- Com esse acordo eu me machuco. Sem você aqui, também me machuco. Não vejo outra saída.

- Eu não queria que fosse assim. – me olhou culpado.

- Já me acostumei. – falei friamente e me virei, encerrando a conversa.

Não o olhei novamente e ele também não disse mais nada. Apenas apaguei a luz e tentei dormir, mas não conseguia. Aquela conversa girava insistentemente em minha cabeça, me fazendo tontear. Os minutos passavam e o sono não vinha, eu continuava imóvel. Tentava espia-lo pelo canto dos olhos, mas não via nada naquele escuro.

Depois de muito tempo fui vencida pelo cansaço e acabei dormindo, mas isso não ajudou em nada, pois o sonho retornou a aparecer. Acordei assustada no outro dia e Felipe me olhava e perguntava o que eu tinha.

- Um sonho. É só um sonho ruim. – coloquei a cabeça entre as mãos, tentando esquecer.

- Venha cá. – me puxou para perto e passou a mão pelo meu cabelo. – Fique calma, está bem?

- Sim. Não se preocupe. – falei tentando levantar. Eu devia resistir, pelo meu próprio bem.


P.S.: Eu não sei pra quem dedicar hj =( Então eu decidi q eu vou dedicar pra mim mesma pq eu to quebrando a cabeça pra terminar esse livro o// (bem pouquinho achada =P)Fuuuuuuui...