quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Enfim voltei!

Oooooooooie!! Então, eu demorei de novo, eu sei, mas eu prometi que voltaria e volteeeei!!
E dessa vez com um capítulo, modéstia parte, muito bom!! Espero muito que vocês gostem!
Aproveiteeeeem!! Beijoos

CAPÍTULO 15 – NASCIMENTO

- Nina, as meninas já estão aí. – falou Sophia, entrando na sala, onde eu estava, e encostando-se à porta. – Estão esperando no carro.

- Ah. Obrigada. – peguei minha bolsa da faculdade e beijei-a no rosto. – Até mais.

- Tchau. – ela respondeu.

Despedi-me de meus pais que estavam no jardim e fui encontrar Nanda e Lisa. As duas quando me viram encenaram caras de cansadas, como se estivessem me esperando a muito tempo.

- Não, não. Nem façam essas caras. Hoje eu não me atrasei. – eu disse enquanto entrava no carro.

- Só hoje não é Mari. – falou Lisa rindo.

Mostrei a língua para ela.

- Vocês têm noção de quantas vezes eu preciso ir ao banheiro antes de sair? Além disso, preciso de mais tempo para dormir e ainda paro milhões de vezes na escada na hora de descer. Então, não falem nada.

As duas reviraram os olhos e riram de mim enquanto íamos até a faculdade. Chegamos e fomos para as salas. Agora era fácil ficar aqui, eu adora estar aqui. Apesar de eu estar com cara de entediada e preguiçosa, isso nada tinha a ver com a matéria, era só algo normal para minha situação.

Já fazia um mês que minha mãe estava me pedindo para parar com as aulas antes que eu explodisse. E eu não estava muito longe disso, eu mais parecia uma bola gigante prestes a descer rolando algum morro. Mas também não queria parar até que realmente não aguentasse mais. Apesar de ter que sentar de lado na cadeira e sair mais que o normal da sala para ir ao banheiro, eu ainda conseguia, e isso era bom para mim.

Acompanhamos a aula normalmente e depois voltamos no carro de Nanda. Eu queria tanto poder dirigir meu carro de novo, mas é claro que depois de tudo que havia acontecido, meus pais me manteriam longe dele por um longo tempo.

Quando chegamos a minha casa, pedi a elas que dormissem ali aquela noite. Era sexta-feira e não precisávamos nos preocupar com dormir e acordar cedo. E quem é que rejeita o pedido de uma grávida?

Eu dormi na minha cama com Lisa e Nanda dormiu no chão ao nosso lado. Eu estava dormindo bem demais ultimamente. Em geral alguém tinha de me acordar antes que passasse da hora do almoço. Mas aquela noite me senti estranha, não consegui dormir muito bem, demorei muito até pegar no sono pesado.

De repente comecei a sonhar que estava sentindo dores muito fortes em minha barriga. Foi só quando senti Lisa e Nanda tentando me acordar que notei que não era um sonho e que eu estava gritando por causa da dor.

- Ai meu Deus. Mari fala alguma coisa!! – gritava Lisa – Tia Cris? Sophia? Alguém, por favor, venham aqui rápido.

- Lisa... calma... assim... você não ajuda muito. – Eu ofegava, a dor agora tinha passado, mas eu sabia que voltaria, e que talvez fosse ficar pior.

- Isso foi uma contração? Eles estão nascendo? – perguntou Nanda com a voz aguda.

- Eu acho que sim. – sussurei- Acho que a bolsa estourou, estou molhada. AAAH! – gritei com outra contração.

- Eles estão nascendo. Estão nascendo!! – gritou Nanda.

- Ai meu Deus. Ai meu Deus! – gritou Lisa.

- Calem a boca. – gritei ainda mais alto.

- Desculpe. – falaram as duas ao mesmo tempo.

Neste momento minha mãe irrompeu no quarto, seguida pelo pai.

- O que é q está acontecendo aqui? – minha mãe perguntou esfregando os olhos por causa da luz que eu nem percebera que estava acesa.

- Dá pra ouvir os gritos de vocês lá do nosso quarto. – não que o quarto deles fosse muito longe do meu, mas deu para entender.

- É que – Lisa respirou fundo – a Mari vai ter os bebês.

- ELA VAI TER OS BEBÊS. – gritou minha mãe. Em meio a isso veio outra contração e eu gritei mais alto que ela.

- Como assim ela vai ter os bebês? – Perguntou Sophia que veio correndo. Ela derrapou em alguma coisa e caiu um tombo bem barulhento. – Eu estou bem.

Aproveitei a pausa nos gritos e nas contrações enquanto meu pai ajudava minha irmã a se levantar para tentar colocar alguma ordem ali. Aquele nervosismo coletivo não iria me ajudar em nada naquela hora, sendo que eu precisava que todos eles cooperassem.

- Tudo bem, me escutem. AAAH! – demorei um pouco para tomar uma atitude e outra contração veio. Os gritos recomeçaram e eles andavam de um lado a outro do quarto. Esperei a contração passar e tentei de novo. – Parem com isso agora e vamos nos organizar.

Todos respiraram fundo e se acalmaram, incluindo a mim. Lisa me apoiou, me ajudando a sentar. Nanda e Sophia sentaram na ponta da cama e meus pais ficaram de pé esperando o que eu ia dizer. Eu não entendia direito porque eu tinha de dizer o que fazer. Esperava que minha mãe fizesse isso, mas ela apenas ficou me olhando. Um instinto se apoderou de mim e eu sabia o que fazer, ou talvez fossem as várias vezes que eu tinha perguntado a médica sobre isso.

- Mãe, separe a malinha com as roupas e... você sabe o que tem que pegar. – ela tinha que saber, já passara por isso duas vezes. – Lis, pegue uma roupa para mim agora. Pai, você prepara o carro e liga para o hospital. Nanda e Sophia vocês me ajudam a me vestir e sair daqui. – eles continuaram me olhando como se eu não tivesse dito nada. – AGORA – gritei e eles dispararam para fazer o que eu havia pedido.

Respirei fundo, fechei os olhos e pensei na mágica que estava acontecendo. Meus filhos, meus pequenos bebês estavam a ponto de sair de dentro de mim e encararem o mundo a sua volta. Eu finalmente poderia olhar seus rostinhos e poder segurá-los. Poderia fazer por eles tudo o que uma mãe deve fazer. Eu daria a eles o mundo e estaria ali sempre que eles precisassem.

Sorri e abri os olhos novamente. Os outros estavam em ação acelerada. As meninas me ajudaram e rapidamente eu já estava arrumada e pronta para mais uma contração. Minha mãe deixou a mala arrumada e foi no quarto se trocar. Voltou em dois minutos. Nunca a vi se arrumar tão rápido. Minhas amigas e minha irmã também se arrumaram e logo me ajudaram a descer. Meu pai estava desligando o telefone e também estava pronto.

Minha mãe começou a me dizer para respirar fundo, me acalmar, porque tudo daria certo. Apesar de eu achar que ela dizia para convencer a si própria, eu confiei nela e consegui relaxar. Até começar outra contração, é claro.

Eu, mamãe e papai fomos em um carro, e as meninas no outro. Eu precisava de espaço para respirar. No carro lembrei-me de alguém que me mataria se não fosse avisada.

- Mãe, ligue pra Cláudia. Acho que ela gostaria de estar aqui também.

É claro que eu estava certa. Quando minha mãe ligou para ela, Cláudia disse que sairia de lá naquela hora, mesmo sendo tarde e estar em outra cidade. Me senti aquecida com a notícia. Era verdade que não tínhamos nos dado bem no começo, mas ela era uma mulher incrível e seria uma ótima avó para meus bebês. E muito presente, eu sabia disso também.

Então, inevitavelmente, pensei em alguém que deveria estar ali, mas não estaria. Eu queria, não, eu precisava dele ali. Respirei fundo e passei a mão pela barriga quando era levada para dentro do hospital. Um nó se alojou em minha garganta quando realmente me caiu a fixa de que seria agora, e seria sem ele.

Comecei a ficar muito tonta devido ao nervosismo, aquelas paredes brancas e o cheiro de hospital. Acho que cheguei até a delirar, pois, antes de tudo escurecer, pensei ter visto quem eu mais queria ali.

Quando finalmente abri os olhos, já estava tudo preparado e eu podia sentir dores cada vez mais fortes. Percebi que agora não havia mais tempo para hesitar, não que eu tivesse essa opção. O médico falava com alguém e eu não sabia se era comigo. Ele e as auxiliares estavam prontos para amparar meus bebês que, eu podia sentir, viriam naquele exato momento. Eu não conseguia enxergar nada e não sabia o que fazer.

Neste momento senti alguém apertar minha mão e sussurrar em meu ouvido:

- Seja forte Marina. Você consegue, eu sei que consegue.

Minha mãe? Não, essa não era sua voz. Definitivamente não. Era a voz de um homem. Uma voz que eu conhecia muito bem e que nunca poderia esquecer. Eu só podia estar delirando outra vez. Não podia ser...

- Eu estou aqui com você meu amor. – ele apertou minha mão. – E você vai conseguir.

Oh meu Deus! Eu não estava delirando e nem ficando louca. Ele estava mesmo ali comigo. Era ele quem segurava minha mão quando nossos filhos estavam vindo ao mundo. E naquele momento, somente naquele momento, nada mais além desse fato era importante.

Agarrei-me a esse fato do melhor jeito que pude enquanto apertava sua mão e fazia o que o médico dizia, empurrando com a maior força. Doía, doía muito, mas isso valia a pena.

E então aconteceu.

Eu ouvi o choro de meu bebê, enquanto ouvia Felipe dizer no meu ouvido que era o menino. Eu sorri e novamente empurrei, pois minha garotinha ainda estava por vir. Então ouvi também o seu choro. Aquilo era a mais pura e linda música para meus ouvidos.

Você conseguiu. Eu disse a mim mesma, ecoando as palavras de Felipe em meu ouvido. Sim, eu conseguira, finalmente eu poderia vê-los e tocá- los.

- Parabéns mamãe. – ouvi uma voz feminina dizer enquanto lentamente e com cautela colocava meus bebês perto de mim.

A emoção que senti não poderia ser descrita em palavras e transbordou em forma de lágrimas. Eles eram lindos, perfeitos. Meus bebês. E eu devotaria minha vida a eles.

Eles eram tão pequenos e delicados que tomei o maior cuidado que pude quando me estiquei pra beijar a testa dos dois. Eles choravam em sincronia, e as minhas próprias lágrimas eram derramas junto, mas por pura alegria.

Muito antes do que eu desejava, eles foram tirados de mim, para serem bem cuidados, como eu também fui.

Quando acordei, parecia que uma aura de felicidade estava em volta de mim. Eu sorri antes mesmo de abrir os olhos e naquele momento eu não queria mesmo abri-los.

- Eu senti tanta falta desse sorriso. – Felipe suspirou enquanto colocava a mão em meu rosto.

Eu abri os olhos de nervoso e afastei sua mão de meu rosto, sem conseguir dizer nada.

- Me desculpe. Eu apenas...

- O que você está fazendo aqui? – minha voz saiu tão baixa que eu mal me escutava. Ele respirou fundo antes de responder.

- Eu sei que não tenho o direito de estar aqui hoje. Mas eu...

- Não me refiro ao hospital. – eu me sentia completamente fria agora – Digo aqui, no meu quarto.

- Eu sei que não devia. – ele caminhou até a porta – Mas eu queria estar aqui para cuidar de você. – ele se aproximou novamente de mim – Eu quero conversar com você. Explicar...

- Eu não quero conversar com você. – mentira, respirei fundo, corrigindo – Não agora, não aqui.

- Eu sei que você está magoada comigo. Eu lhe dou toda a razão, mas...

- Saia daqui Felipe. – eu estava prestes a desabar e não daria esse gostinho a ele. Dessa vez eu não me entregaria – Por favor, eu preciso que você saia.

- Tudo bem, eu saio. Mas preciso que você me prometa duas coisas.

- Duas? Você Não está merecendo nem uma, que dirá duas.

- Por favor Marina. – eu apenas suspirei, então ele continuou – Primeiro eu quero que não me proíba de ver os bebês. – isso foi uma tremenda surpresa – Por mais erros que eu tenha cometido, eles ainda são meus filhos e eu quero vê-los.

- Tudo bem, eu não proibiria você de vê-los. De jeito nenhum.

- Obrigado. – ele respirou fundo e sorriu. Ele precisava sair logo dali antes que eu sucumbisse.

- E qual era a outra coisa? – perguntei olhando para o outro lado. Ele respirou fundo e franziu o cenho antes de responder.

- Eu quero... não, eu preciso que você me prometa que – puxou meu rosto para encará-lo – me dará uma chance de me explicar.

- Acho que você já deixou as coisas muito claras quando foi embora. – falei afastando sua mão de meu rosto – Não preciso de mais explicação do que isso.

- Por favor Marina, isso é tudo o que lhe peço. Apenas uma chance. Depois disso você pode fazer o que quiser. Pode me xingar, gritar, me matar, o que for. Mas, por favor, apenas escute o que tenho a dizer.

E agora, o que eu faria? Era uma boa proposta poder matá-lo no final. E eu queria conversar com ele, mas eu sabia que havia grande possibilidade de eu sair muito mais machucada. Era uma decisão muito difícil.

- Tudo bem, lhe darei essa oportunidade. – respirei fundo e encarei-o – mas não espere muito mais do que isso.

- Não se preocupe, uma conversa é só o que peço.

- Ótimo. Então agora peço que você... – fui interrompida por uma enfermeira e minha mãe, cada uma com um bebê no colo.

- Desculpe interromper, mas eles estão com fome mamãe. – falou a enfermeira enquanto ela e minha mãe colocavam os bebês em meu colo. O cheiro e o calor deles me dominaram completamente e eu me peguei sorrindo como boba.

Aquela era a primeira vez que eu os alimentava, então eu memorizei cada segundo da melhor forma que pude. Eram tão fortes e verdadeiros os sentimentos que estavam brotando em mim. Eu os amava de uma forma totalmente entregue.

Em meio a tudo isso, olhei para Felipe com o canto dos olhos e paralisei com o que vi naquele olhar. Tinha um brilho completamente diferente ali. Era um brilho de admiração, adoração... amor.

Aquele olhar quase me fez perder todo o controle e noção de tempo. Por pouco não levantei dali e fui abrasá-lo, para dizer que estava tudo bem.

Controle-se Marina! Eu disse a mim mesma.

Respirei fundo e me concentrei nos bebês. Eles foram as únicas coisas que conseguiram me segurar ali naquela cama. Graças a Deus. Levantar e ir até Felipe seria um erro total.

Por mais que minha cabeça estivesse girando, eu não estava alheia ao fato de que minha mãe estava encarando Felipe como se fosse arrancar sua cabeça do lugar. Não posso negar que gostei um pouco disso.

Mas antes que ela pudesse atacar, a enfermeira falou comigo. Certamente ela notou o clica tenso.

- E então mamãe – era tão bom ser chamada assim – já escolheu os nomes dos anjinhos?

Oh meu Deus! Os nomes. Eu realmente havia esquecido os nomes. Foi tanta correria, tanta coisa para pensar que eu acabara esquecendo este detalhe. Como se não fosse primordial. E agora? Quais nomes eu escolheria?