terça-feira, 27 de julho de 2010

Oooiiee!!

Gaaaleerinhaaa!! Eu ia postar no findi, mas como eu to de férias (o//) eu acabo nem lembrando q dia é e esqueci de postar =p Mas hj eu to aqui pra postaar entaum não entrem em pânico, vcs jáh vão saber oq vai aconteceer!!!! Tah eu voou parar de enrolar, curtam aí!!
Ahh!! E bom resto de fériaas ashahsahsahshas beijinhos...
(Esse capítulo tah pra lá de teeeensoo!!)

CAPÍTULO 10 – INESPERADO

Quando acordei no outro dia, minha mãe tomava café sentada no sofá-cama. Sorriu para mim e me deu bom dia, mas sua expressão de preocupação ainda estava lá. Então, dei adeus a minha tentativa de esperar que ela falasse e perguntei o que tinha acontecido.

- Não se preocupe.

- Mãe, fale logo. Tem a ver comigo?

- Sim. – ela suspirou.

- Então me conte. Eu mereço saber.

- Ontem – ela respirou fundo – a médica me chamou para conversar. Disse-me que tinha que falar algo sério sobre você. Ela disse que achava que você ainda não devia saber, porque não mostrou preocupação quanto a isso.

- Isso o que mãe? – fiquei apreensiva.

- Me responda umas perguntas. Por favor. – fiquei calada. – Você anda comendo demais, não é?

- Sim. – realmente estava. Era só olhar para mim para notar que eu estava maior.

- Chorando sem motivo aparente?

- Sim, também.

- Enjoando?

- Mãe, onde está querendo chegar? – estava quase irritada com aquilo.

- Junte os sintomas filha.

- Sintomas? – de repente me dei conta do que ela tentava me dizer. – Eu... eu... – olhei para minha barriga.

- Você está grávida Marina.

Milhões de coisas passaram em minha cabeça em apenas um segundo. Comecei a ligar as coisas, e estava tudo muito na cara. Como não havia me dado conta antes? Me dado conta de que estava grávida. De repente tudo a minha frente escureceu.

- Marina? Acorde filha. – minha mãe batia no meu rosto fracamente.

Despertei e tentei me lembrar do que havia acontecido. Encostei a cabeça no travesseiro e respirei fundo. Você está grávida Marina. Grávida. A idéia ainda não estava certa na minha cabeça.

Por instinto ou curiosidade, passei a mão pela minha barriga, tentando sentir algo. Senti que havia um volume nela e logo afastei a mão. Essa ideia me vez lembrar de perguntar algo a minha mãe.

- A médica disse de quantos meses estou?

- Três. Talvez mais, talvez menos. Você está bem?

- Sim. Só estou tentando assimilar.

- Terá que contar a Felipe.

- Eu sei. Mas farei isso quando voltarmos. Quando recebo alta?

- Daqui a pouco. Felipe foi arrumar tudo, pegar as malas e logo estará aí para nos levar.

Perguntei mais algumas coisas para ela sobre enjôos, desejos e sensibilidade. A resposta dela foi que isso não tinha nem começado ainda, que eu me acostumasse. Pensei muito enquanto Felipe não chegava e até passei a gostar da ideia de ter um bebê. De ter a capacidade de gerar uma nova vida. Por sorte nasceria com a beleza do pai. Pensei até em nomes, mas parei quando Felipe chegou, queria contar de um jeito que ele recebesse sem ser um choque.

Finalmente saí daquele quarto e daquele hospital, e me dirigi ao carro, apoiada em Felipe, pois minha perna ainda estava quebrada. Sentei na frente com ele e minha mãe foi no banco de trás. Estávamos muito silenciosas, então, para não preocupar Felipe, às vezes eu inventava algo a dizer.

Depois de uma viagem cansativa, chegamos a minha casa. Felipe tirou as coisas do carro e depois me ajudou a sair. Decidi que contaria a ele naquela hora. Pedi a ele que me ajudasse a sentar numa cadeira do jardim. Quando ele se sentou respirei fundo e comecei a falar:

- Tenho que te contar uma coisa muito séria.

- Aconteceu alguma coisa com você que eu não saiba. O acidente deixou alguma sequela?

- Não, não tem a ver com o acidente. Para falar a verdade, sem ele eu não teria descoberto.

- Marina, você está me assustando.

- Fique calmo. Vou tentar falar de um jeito fácil. – segurei sua mão. – Sabe o jeito que venho comendo?

- Como assim?

- Meus enjôos. – ele ficou me olhando – Os choros.

- O que tem isso?

- Junte os sintomas. – repeti as palavras de minha mãe. Ele arregalou os olhos – Estou grávida. – concluí.

Ele ficou me olhando fixamente, sem mexer nenhuma parte do corpo. Comecei a ficar preocupada, sem saber o que ele estava pensando sobre aquilo. Comecei a sacudi-lo para ver se despertava, mas não parecia estar adiantando.

- Felipe! – chamei – Pelo amor de Deus, responda!

Ele piscou, levantou e olhou novamente para mim.

- Não posso. – falou, finalmente – Desculpe, mas não posso. – se virou para ir embora.

O que ele estava dizendo? Eu sabia, mas não queria entender. Não podia passar pela minha cabeça que ele estivesse me deixando. Levantei me apoiando em uma muleta e segurei-o pelo braço.

- Como assim não pode? – perguntei num sussurro, quase sem forças.

- Me desculpe Marina. Desculpe. – ele parecia irritado consigo mesmo – Só não se esqueça que te amo. – deu um beijo em minha testa e se foi.

Escorreguei para uma cadeira sentindo que ia cair a qualquer momento. O que senti não poderia ser descrito em palavras. Uma dor horrível se apoderou do meu coração, a pior que já senti. Eu não entendia, não podia entender por que ele me deixara.

Só não se esqueça que te amo. Se me amava por que então fazia aquilo? Quem ama quer ver feliz. Então por que ele acabava com minha felicidade daquele jeito? Entende, que se eu te perder, perco meu chão? Lembrei de ter dito isso a ele uma vez, no meio de uma discussão. E era assim que me sentia, sem chão, sem vida, completamente perdida.

Levantei cambaleando e entrei em casa procurando minha mãe, pois precisava dela, precisava chorar no colo dela, precisava que ela me confortasse. Sem eu entender por que, nenhuma lágrima saía de meus olhos, apesar de toda a dor que eu sentia por dentro.

- Mãe! Mãe! – comecei a gritar.

- Ela saiu. O que aconteceu Nina? – Sophia falou preocupada.

- Felipe me deixou. – me joguei nos braços dela, fazendo-a cair no sofá – Porque estou grávida.

- Mamãe me contou. Mas por que ele fez isso? – ela fez a pergunta na qual eu procurava a resposta.

- Não sei. Não faço ideia.

Ela não perguntou mais nada, apenas passou a mão pela minha cabeça. Depois de algum tempo, a dor transformada em raiva, decidi que não podia ficar mais ali. Tinha que sair, sem saber para onde. Levantei novamente e tentei ir rápido, mas minha perna não estava ajudando em nada. Fui para a garagem, seguida por Sophia, que perguntava o que eu estava fazendo.

Peguei a chave do Volvo e fui até ele. Queria dirigir, sair dali. Mesmo com uma perna engessada. Entrei no carro quase caindo e Sophia entrou no outro lado.

- Você está louca? – perguntou – Vai dirigir com uma perna engessada?

- Tenho carteira. – gritei.

- E daí? Isso significa q pode dirigir desse jeito. – segurou minha mão – Pare de bancar a idiota.

- Desça do carro. – falei sem olhá-la.

- Não sem você.

- Ótimo.

Com a perna boa acelerei o carro e saí da garagem. Sophia colocou o cinto e ficou rígida, quando percebeu o jeito que eu estava dirigindo. Tentava acelerar com a perna e frear com a muleta. O carro dançava, de um lado para outro.

Não sabia por que, mas aquilo fazia a raiva passar um pouco, mas não o suficiente para eu voltar ao normal. Não conseguia agir com racionalidade. Agia por impulso. De repente, numa curva, eu não consegui vencer. O carro girou na pista, sem que meu pé e minha muleta o controlassem. Eu não conseguia enxergar nada, apenas ouvia os gritos de Sophia. Senti um baque forte e o carro parou.

Eu havia batido contra um muro, mas só o lado de Sophia fora atingido. Olhei-a e a vi desacordada com muitos cacos de vidro da janela sobre ela. Sangrava muito e a cabeça estava encostada na porta, como se jogada para o lado.

A dor aumentou ainda mais quando a vi daquele jeito. Tudo por culpa minha. Eu jamais me perdoaria por aquilo. Pensei em mexer nela, em chamá-la, em gritar por ajuda, em algo que fizesse o que eu sentia passar, mas nada adiantaria.

Então, peguei meu celular que estava no meu bolso e liguei para a emergência. Pelo menos tiraria minha irmã dali, do estado em que estava, completamente imóvel. Esperei fora do carro e, uns vinte minutos se passaram até que a ambulância finalmente chegasse. Quando chegou e eu vi que Sophia estaria em segurança, peguei minha muleta e saí dali, do jeito mais rápido que pude. Ainda, nenhuma lágrima saída dos meus olhos. Aquilo era completamente incomum.

Andei até uma praça, não muito longe da faculdade e sentei em um banco. Respirei fundo muitas vezes e liguei para a única pessoa que não me pediria maiores explicações e nem me julgaria.

- Lisa? Lis eu estou perdida. – falei com a voz entrecortada.

- Mari? O que foi? Você está bem? O bebê está bem? – ela perguntou preocupada.

- Como você soube?

- Felipe me ligou. – ela pausou – E para constar, eu quis chutá-lo pelo que fez. – não consegui rir com o jeito dela. Nada mais tinha graça para mim. – Mas o que houve então?

Contei a ela toda a história, de modo simplificado, pois não queria que aquilo doesse mais do que já doía. Falei que havia chamado a ambulância e que Sophia estaria a salvo.

- Preciso de você Lisa. Ajude-me.

- Você não tem noção do que sinto em te dizer isso, mas não estou na cidade. Tive de viajar com meus pais. Desculpe. – sua voz era desanimada.

- Obrigada. Terei de dar outro jeito.

- Onde está?

- Na praça perto da faculdade. Por quê?

- Espere aí. Não saia daí. Entendeu?

- Sim. – desligou.

Não tentei entender o que ela pretendia, apenas confiei nela e fiz o que ela disse, pois eu sabia que era o certo a fazer. Baixei a cabeça e apoiei-a nos braços. Ela girava sem parar e eu ouvia as vozes de minha mãe, Lisa, Sophia e Felipe. Todas ao mesmo tempo. Até que ouvi uma voz diferente e notei que não vinha de minha cabeça.

- Marina? Você está bem?

Olhei para cima e vi Anderson, o garoto estranho que não parava de me ligar. Ele me olhava fixamente e esperava uma resposta.

- Problemas. Apenas alguns problemas. – falei sem vontade.

- Aposto que é culpa do tal Felipe. – ele desdenhou.

- Um pouco. – respondi.

- Sabia que um dia ele faria alguma coisa com você. Nunca confiei nele. Ele não é para você. Já devia ter desistido a muito tempo. – ele não parava de falar.

- Por favor. Pare, não quero falar nisso. – pedi.

- Tudo bem. Precisa de ajuda?

- Não. – respondi apenas.

- Venha comigo. – ele me levantou do banco – Posso fazer o que você quiser.

- Não. Obrigada. – tentei me soltar de sua mão.

- Pare com isso. – engrossou a voz – Venha.

- Me solte! – gritei.

- Eu posso te dar o que ele não deu. Fazer o que ele não fez. – ele apertava meus braços e me puxava ao mesmo tempo. – Ser o que ele não foi.

- Chega. Solte-me agora. – eu pedia em vão.

- Não ouviu o que ela disse? – uma voz conhecida perguntou.

Naquele momento, quando ouvi aquela voz, foi como se uma estranha felicidade se apoderasse se mim. A voz de Felipe, a que eu mais queria ouvir, tão perto de mim. Eu não o via, pois estava atrás de mim, então me concentrei em sua voz.

- Ela não te quer. Ela te odeia. – Anderson gritava – Saia daqui. Estamos conversando.

- Não é o que parece. – as mãos de Felipe tocaram minha pele, enquanto ele tentava me libertar de Anderson e um arrepio passou por meu corpo.

- Ela vem comigo. – Anderson gritou.

- Deixei-a decidir. – A voz perfeita disse firmemente.

Anderson encarou-o e depois soltou meus braços. Apoiando-me na muleta, finalmente enxerguei Felipe, que apesar de ter me magoado, era quem eu queria ver, quem me acalmaria.

Sem ter muito em que pensar me atirei na direção de Felipe, que me segurou em seus braços fortes.

- Vá embora. Eu cuido dela. – ouvi-o falar para Anderson que se virou e saiu correndo.

Felipe me levou até o carro, onde me colocou no banco da frente e entrou do outro lado. Olhou-me enquanto eu respirava fundo e perguntou:

- Tudo bem? – olhei-o como se a resposta estivesse estampada em minha testa – Você entendeu.

- Sim. – fixei os olhos na janela.

Não falamos nada por muito tempo, sem mesmo nos olharmos enquanto ele dirigia. Até o momento em que ele soltou o que queria dizer desde o momento em que me viu.

- Então. – pausou – Nós brigamos e você chama logo o tal do Anderson para te ajudar?

Senti a raiva voltar a meu corpo e me dominar enquanto ouvia aquelas palavras.

- PARE O CARRO. – gritei – AGORA.

- O que foi? – ele teve a coragem de perguntar.

- Pare o carro.

Ele diminui a velocidade e parou perto de uma calçada. Abri a porta e saltei do carro. Mal conseguia andar, mas minha vontade era sair correndo. Minha fuga não durou muito, pois ele logo me alcançou. Abraçou-me por trás me impedindo de sair e começou a sussurrar no meu ouvido:

- Fique calma. Eu estou aqui e vou cuidar de você. Esqueça o que falei agora. Vou cuidar de você.

Com as palavras dele, uma enxurrada de emoções passou por mim e todas as lágrimas retidas em meus olhos pareciam querer escapar ao mesmo tempo. Virei-me e abracei-o forte, chorando e falando ao mesmo tempo.

- M...me aj...ajude. – sussurrei – N...não suporto tu...tudo isso.

- Respire fundo. – levou-me até o carro – Tudo irá se resolver. Respire fundo.

Fomos até sua casa e durante todo o tempo, eu não parava de chorar. Ele tentava me consolar, mas não havia muito a fazer. Tirou-me do carro e me carregou até seu quarto, me colocando na cama e me cobrindo com alguns cobertores.

- Está melhor? – ele perguntou passando a mão por minha cabeça.

- N...não. – solucei – Sophia. – consegui dizer.

- Eu sei. Eu sei. Lisa me ligou e falou tudo. Vou me informar de como ela está. Tente se acalmar e dormir. Pelo menos um pouco, faça um esforço.

- Fique aqui. – pedi.

- Estou aqui. – deu um sorriso fraco.

- Prometa. N...não vai sair daqui. Fi...fique comigo. Pelo menos a...agora. – supliquei.

- Descanse.

- Por Favor. Pro...prometa.

- Estarei aqui. Ficarei aqui. Prometo. – beijou minha testa.

Passou para o outro lado da cama e deitou me abraçando. Só assim consegui parar de chorar e descansar por algum momento, mesmo que o menor de todos. Foi o único momento de paz daquele dia.

Eu tive esperanças de que ele não me deixaria mais. Que ficaria comigo e com nosso filho. Mas também sabia que acreditar nisso poderia ser em vão. Mas no momento, o que importava era que ele tinha prometido ficar comigo, pelo menos naquela hora.


P.S.: E hoje, no meio das fériaas, oh coisa booa, eu dedico esse post pra BETINHAA q eu amoo demaais. s2. "I like your beard" =P Saudades bebê, e saudades de todas vcs minhas gatinhaas bjinhoos

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Aeee, maais!!

Oiiiiee bunitinhaas... To aqui com mais um capítulo, antes q eu apanhe de alguéem =P
Não me matem por favor, demorei mas to aqui. Até pq se me matarem vão ficar sem mais capítuloos hshashahashahsah
Espero q gostem... o negocioo tah beem tensinhoo hihi, beijinhooos

CAPÍTULO 9 – CONCILIAÇÕES

Quando desci, ela me aguardava sentada no sofá, e quando me viu, acenou para eu segui-la para fora da casa. Andamos um pouco até uma praça, onde sentamos em uns balanços antigos, mas resistentes. Esperei um pouco e ela começou a falar.

- Bom. Você deve achar estranho o que estou fazendo, não é?

- Sim, confesso que sim.

- Então me deixe explicar. – ela virou de frente para mim – Não sei se você ouviu, eu e o Felipe discutindo ontem a noite?

- Ouvi, mas ele não quis me dizer o que houve. – entendia cada vez menos o que ela queria.

- Eu tentei beijar ele a força. – ela olhou para baixo.

- O que?! – fiquei com raiva. O que ela queria me dizendo aquilo?

- Acalme-se. – como ela queria que eu me acalmasse? – Felipe não correspondeu.

- E você fez tudo isso só para me dizer que ele não correspondeu?

- Não. – fez uma pausa – Quero te pedir perdão. Só agora entendo o que ele sente por você. É amor de verdade. Um amor que ele nunca sentiu por mim. E, que agora, nem eu sei se senti por ele.

- Está me pedindo perdão? – fiquei pasma.

- Sim. Não tenho o direito de me meter, e para ser bem sincera, nem Cláudia o tem. Será que... podemos ser amigas. – ela estendeu a mão.

Fiquei atordoada com tudo aquilo, mas pude entender claramente o lado dela. Então decidi optar pelo lado que deixaria a mim e a Felipe mais felizes. Apertei a mão dela e sorri, iniciando uma boa amizade, eu sabia.

Saímos da praça e começamos a voltar para a casa. Dentro de mim havia felicidade pelo que acabara de acontecer, que mesmo sendo estranha era boa, me acalmava e me dava mais esperanças de que Cláudia um dia me aceitasse. Fernanda me desviou de meus pensamentos quando começou a falar.

- Estou curiosa para saber o que Cláudia dirá sobre isso. Sobre minha súbita mudança de ideia, como ela mesma diria.

- Eu também.

- Mas não me importo. Essa é minha decisão e não vou mudá-la.

Sorrimos uma para a outra.

- O que me deixa mais curiosa é o que Felipe vai pensar. – continuei.

- Verdade. – ela concordou.

- Isso vai ser engraçado. – ri. – Ai meu Deus! – no meio da rua havia um animal atropelado. Detive-me na calçada, mas Fernanda foi até ele.

- Covardes inúteis! – xingou.

Depois disso, tudo ocorreu muito rápido. Um carro veio em alta velocidade, e iria atropelar Fernanda.

- Fernanda. – gritei e ela se virou para mim, mas não se levantou.

Então corri para o meio da rua e empurrei-a, tirando-a da direção do carro, que devia ser dirigido por alguém bêbado. Mas não tive a mesma sorte. O carro me atingiu do lado do corpo, me derrubando no chão e ainda passou por cima da minha perna. Antes de desmaiar, ainda consegui ouvir os gritos de Fernanda, que chorava e Felipe, que vinha correndo de dentro da casa e gritava meu nome.

Quando acordei estava tonta, via tudo nublado e parecia que havia algo muito pesado comprimindo minha perna. Depois de alguns segundos olhei para o lado e vi Felipe, que dormia. Pelo jeito, parecia que estava ali a muito tempo, e comecei a me perguntar a quanto tempo eu estava ali.

Não quis incomodá-lo, então o deixei dormir, tentando não fazer barulho. Mas meu corpo pareceu ir contra mim. Quando tentei me sentar na cama, senti dor por todo ele. Soltei um grito de dor que saiu sem minha vontade e acabei acordando Felipe.

- Nina. Meu amor. Como se sente? – levantou-se e veio até mim.

- Como se um caminhão tivesse passado por cima. – ri e minha barriga doeu.

- Foi um carro, mas foi ruim do mesmo jeito. Eu sinto muito.

- Tudo bem. Você não tem culpa. Como está Nanda? – quis saber.

- Nanda? – estranhou meu novo jeito de chama-la – Ela está bem, só sofreu arranhões.

- Graças a você. – disse ela, que entrava no quarto. – Como se sente?

- Melhor. Que bom que está bem. – Felipe parecia mais pasmo a cada segundo.

- Quando foi que se tornaram amigas de infância? – ele perguntou rindo.

- Minutos antes de eu ser atropelada por um bêbado idiota. – ri também. – Aliás, sabem algo dele ou dela.

- Ele. – respondeu Nanda. – Lipe anotou a placa e agora ele vai responder por isso. Não se preocupe.

- Por mim ele poderia ter batido o carro em um poste. Não ficaria nem um pouco triste. – falou Felipe irritado.

- Não diga isso. Não se deseja isso a ninguém. – bati três vezes na mesinha de madeira a meu lado.

- Tem noção do que senti ao te ver daquele jeito?

- Vou deixá-los. – interrompeu Nanda, me dando um beijo na testa. – Volto para vê-la. – saiu do quarto.

Voltei o rosto para Felipe e continuei de onde ele havia parado.

- Eu estou aqui, não estou?

- Mas poderia não estar. Entrei em pânico quando vi que você não acordava.

- Eu acordei Felipe. – apertei forte sua mão. – E estou aqui com você, está vendo? – sacudi a mão a frente de seus olhos.

- Boba. – sorriu – Não sei o que faria se o pior tivesse acontecido. Aliás, sei sim. Iria logo atrás de você. – ele parecia melancólico demais.

- Cale a boca. – gritei.

- Mas...

- Se vai falar besteiras, poupe o trabalho. – virei o rosto.

- Tudo bem. Tudo bem. Mas é verdade. – revirei os olhos. – Olhe para mim.

- Você me irrita falando assim.

- Eu sei. – ele se aproximou e me beijou delicadamente. – Mas... – recomeçou a falar.

Porém eu o puxei para mim, pois sentia uma profunda vontade de estar com ele, de beijá-lo, de não larga-lo mais. Ele retribuiu e me abraçou tomando muito cuidado de não me machucar.

- Desculpem. – alguém entrou no quarto, fazendo-nos parar. – Volto outra hora.

- Não. – falei rápido, ao ver que era Cláudia. – Fique.

- Não atrapalho?

- Não. – respondi, enquanto Felipe a fuzilava.

- Eu... – ela respirou fundo – Só queria conversar com você.

- Não é uma boa hora. – Felipe cuspiu as palavras. Parecia bravo com ela ainda.

- Não vejo problema. – olhei-o firmemente e ele acenou com a cabeça.

- Tudo bem. – cruzou os braços. Virou-se para ela – Pode começar.

- Felipe. – falei calmamente – É melhor você sair.

- O que? – me olhou incrédulo.

- Por favor. – sustentei seu olhar.

- Está bem. – falou depois de alguns segundos.

Aproximou-se de mim e me beijou por um longo tempo, como se para jogar na cara de sua mãe. Afastei-o delicadamente e sorri. Então ele saiu e Cláudia começou a falar.

- Serei rápida. – olhei-a firmemente. – Quero agradecer por Nanda e pedir desculpas por ter sido tão dura e não ter visto quem você realmente era. Agora sei que ama mesmo meu filho.

- Mais que tudo. – afirmei.

- E ele a você.

- Fico feliz por ouvir isso. Só acho uma pena tudo isso ter acontecido para você se dar conta da verdade.

- Eu sei e peço perdão. Só quero que entenda. Sei que o que ele sente não é de agora e o vi sofrer por causa disso. Era esse meu medo. Mas ele te ama e eu vou ter que me conformar. E o que você fez por Nanda, não há o que pague.

- Não quero que goste de mim só pelo que fiz.

- Prometo que não será assim. Apenas me dê um tempo. Por enquanto, será que pode me aceitar como sogra? – estendeu a mão.

- Desde que cheguei aqui, era tudo que queria ouvir. – Apertei-a.

- Fico feliz. – soltou a mão – Agora vou indo. Felipe não vai agüentar mais que cinco minutos longe de você. – sorrimos.

Cláudia saiu do quarto e Felipe entrou em seguida. Lágrimas começaram a sair dos meus olhos e ele correu para mim, sem entender o porque daquilo.

- O que foi? O que ela fez?

- Nada.

- Então por que está chorando?

- Não sei. Emoção. Não sei se tenho um motivo.

De umas semanas para cá eu estava chorando muito e sem motivos aparentes.

- Tem certeza?

- Sim. Talvez seja porque gostei de ter o consentimento dela.

- Que bom. – beijou minha testa – Mas se for outra coisa me fale.

Balancei a cabeça afirmativamente e mudei de assunto.

- Meus pais estão sabendo?

- Sim. Meu pai foi contar. – olhou o relógio – Agora deve estar vindo com eles.

- O que? Ele foi até lá só para avisá-los?

- Foi. Mas pense. Seus pais ficariam muito preocupados. Assim fica mais fácil. Eles ficam mais tranquilos.

- Obrigada. – passei a mão pelo seu rosto.

- Não há de que. – beijou-a.

Conversamos mais um pouco até uma enfermeira trazer o meu almoço. O cheiro daquela sopa de hospital me fez enjoar, e Felipe teve de sair correndo atrás de algo em que eu pudesse vomitar.

Ele ficou muito preocupado, pois eu estava muito pálida, mas eu disse que estava bem, que ele ficasse descansado. Mas só se aquietou depois que eu decidi dormir, o que me fez muito bem.

Como já era tarde a hora que fui dormir, só acordei no outro dia. Felipe dormia espremido do meu lado, em um sofá-cama que era muito menor que seu tamanho. Vê-lo ali me deu uma estranha sensação de paz, pois sabia que o teria a meu lado, não importava o que acontecesse dali par frente nem das decisões que tomássemos. Ou assim eu esperava que fosse.

- Amor? Felipe? Amor. – acordei-o.

- O que foi? – ele deu um pulo do sofá-cama – O que aconteceu?

- Nada. Eu estou bem.

- Que susto me deu. – se jogou novamente no sofá. – Então por que me acordou? – falou de um jeito debochado.

- Fiquei com pena de vê-lo apertado nesse sofá pequeno.

- Não se preocupe, estou bem aqui.

- Está? Então não preciso te convidar para deitar aqui comigo. – ironizei.

- Isso é golpe baixo. – ele riu. – Tem certeza que tem espaço aí para mim?

- Desde que não role para cima de minha perna, sim.

- Muito engraçado.

Depois que ele deitou comigo, não demorei a pegar no sono. Afinal, aquele era o jeito que eu mais gostava de dormir, nos braços dele, me sentindo completamente protegida e ligada a ele para sempre.

Porém levei um susto ao acordar. No sofá que antes dormia Felipe, meu pai e minha irmã estavam sentados, olhando para mim. Eu não sabia se ficava feliz por tê-los tão perto de mim, ou envergonhada por saber que meu pai me via dormindo abraçada a Felipe.

- Pai! Sophia! Que bom vê-los. – falei enquanto tentava acordar Felipe com cutucões na barriga.

- Como se sente filha? – perguntou papai, que tentava desviar o olhar de Felipe.

- Melhor agora que estão aqui. Onde está mamãe?

- Falando com a médica.

- O que foi? – Felipe acordou – O que foi?

- Olá Felipe. – disse Sophia rindo.

- Ah! Seu Luiz! Sophia. – começou a levantar da cama – Como vão?

- Bem, bem. – papai falou sem olhá-lo.

- Com licença. – Felipe beijou minha testa e foi até o banheiro.

- Estão aqui a muito tempo? – perguntei tentando desfazer o clima.

- Não. Faz pouco tempo que chegamos. – meu pai fez uma pausa. – A médica diz que você recebe alta amanhã. Sua mãe ficará aqui para te levar para casa. – veio até minha cama e segurou minha mão.

- Não precisa. Felipe me leva. – ele me olhou com reprovação – Tudo bem. Tudo bem.

- Ótimo. Agora nós vamos indo. Sua mãe estará logo aqui. – beijou minha testa.

- Não podem ficar mais?

- Não. – falou parecendo contrariado – Temos que voltar agora.

- Tudo bem, então. Vejo vocês amanhã.

- Se Deus quiser, minha filha.

- Depois quero assinar esse gesso. – disse Sophia, saindo do quarto com meu pai.

Tive de rir de minha irmã mais nova. Segundos depois meu celular tocou. Era Lisa, que devia estar mais preocupada que o necessário.

- Oi Lis.

- Como você está? Como se sente? Machucou-se muito? Fiquei tão preocupada... – ela falou de uma vez.

- Estou bem, não se preocupe. Volto amanhã.

- Ótimo, pois quero saber de tudo.

- Claro que quer. – ri – Amanhã nos falamos.

- O.k. Mande um beijo para Felipe. Até.

- Pode deixar. Até.

Desliguei o telefone e coloquei-o na mesinha de cabeceira. Deitei a cabeça nos travesseiros e fechei os olhos, pois ainda parecia que algo comprimia meu corpo e tentava afastar essa sensação.

Algum tempo depois, ouvi a porta do banheiro bater e vi Felipe caminhando em minha direção. Ele acabara de tomar banho e seus olhos verdes estavam bastante destacados. Com uma das mãos mexia no cabelo bagunçado e molhado, de um jeito que me enlouquecia. Sorrindo e vendo o jeito que eu o olhava ele perguntou:

- O que foi Nina?

- Isso é covardia.

- O que? – sentou na ponta da cama, ainda mexendo nos cabelos.

- Eu estou aqui horrível jogada em cima desta cama e você aí – apontei para ele – perfeito.

- Acho que não. – ele balançou a cabeça – Estou muito longe da perfeição. E você é a atropelada mais linda que já vi.

- Mentiroso.

- Acha que eu mentiria pra você? – ele se aproximou.

- Na verdade não. – nós rimos – Então digamos que é coisa de alguém cegamente apaixonado.

- Apaixonado sim. – passou a mão pelo meu rosto – Cego não.

- Está bem. – beijei sua mão – deixe assim. – fiz uma curta pausa – Venha cá.

Ele se aproximou de mim e quando ia me beijar, meu celular tocou novamente.

- Ótimo. – ele soltou se afastando – Espero que seja alguém importante.

Sorri para ele, peguei o celular que ele me alcançava e atendi sem olhar o número, como havia me acostumado.

- Alô.

- Marina. É o Anderson.

- Anderson? Está tudo bem? – perguntei curiosa. Tentei imaginar qual o trabalho da faculdade que eu havia atrasado.

- Comigo sim. Mas fiquei sabendo que você se acidentou.

- Ficou? – Lisa devia ter contado. Desde quando ele perguntava coisas sobre mim para ela? E desde quando ela respondia?

- É. Queria saber se está bem, se precisa de ajuda.

- Estou bem. Minha mãe e Felipe estão comigo. – olhei para ele e ele encarava uma janela de braços cruzados.

- Ah. Tudo bem então. Tchau.

- Tchau.

Larguei o celular na mesinha ainda tentando entender o porquê daquela ligação. Depois me concentrei em Felipe que parecia irritado. Ele realmente não gostava daquele garoto e tinha razão, ele era estranho.

- Felipe. – nada – Amor, Felipe. – nem se mexeu.

Então fiz a única coisa que faria ele esquecer a raiva e vir falar comigo.

- Ai. Aaaaaaai. – gritei como se estivesse sentindo dor.

Deu certo. Ele veio correndo até mim, perguntando o que eu sentia. Eu apenas ri vendo que ele caíra direitinho.

- Muito engraçada que você é. – ele se virou para se afastar. Segurei-o pelo braço.

- Olhe para mim. – não o fez – Agora é você que está agindo como uma criança.

- Eu sei. – virou-se e sentou na ponta da cama. – É só que não gosto disso. Ele te liga toda hora.

- Mentira. – ri – Desde que o conheço ele só me ligou duas ou três vezes. Não exagere.

- Que você tenha visto. – olhei com dúvida para ele – Ele sempre liga, mas eu não deixo você atender.

- Aaaaaaaaaaaaaaah. Agora entendo. – peguei sua mão – Mas você sabe que eu não daria nenhum tipo de esperança para ele.

- É. Acho que sei. – ele tentou me beijar, mas eu o afastei. Ele me olhou sem entender.

- Você acha? – irritei-me e me virei na cama, ficando de costas para ele.

- Desculpe. – tentou me virar. – Sei que não daria.

Não respondi nem me virei. Eu até gostava do ciúme dele, mas Felipe exagerava. Parecia que não confiava em mim. Como se eu tivesse o traindo o tempo todo. Ou ele se controlava, ou ainda iríamos brigar muito. Infelizmente eu sabia que agia do mesmo modo em relação a ele.

Vendo como eu havia ficado brava ele agiu através de meu ponto fraco: ele mesmo. Começou a beijar meu pescoço, ao mesmo tempo em que pedia desculpas e tentava me virar de frente para ele.

- Isso não vai resolver toda a vez que me deixar com raiva. – falei quando ele conseguiu fazer minha raiva passar.

- Eu sei. Mas agora resolveu, é o que interessa.

- Dessa vez passa. – me beijou.

Ouvimos três batidas na porta e nos afastamos. Minha mãe entrou com um sorriso fraco e uma expressão estranha no rosto.

- Mamãe. Que bom vê-la. – estendi a mão quando ela se aproximou.

- Como você está princesa? – ela parecia preocupada.

- Bem. Aconteceu alguma coisa? – perguntei apreensiva.

- Não, não. Como vai Felipe? – mudou de assunto.

- Bem. E a sen... digo... você?

- Bem também. – ela sorriu.

O dia passou rápido com minha mãe ali. Expliquei a ela como o acidente tinha acontecido, e como – tirando essa parte – tudo fora ótimo naquele fim-de-semana. Na hora do almoço enjoei de novo com o cheiro da sopa, mas minha mãe não pareceu surpresa.

Os dois ficaram a meu lado o tempo todo, mas na hora de dormir, Felipe teve de ir embora, pois minha mãe insistiu em ficar comigo. Ele ofereceu a casa dos pais, onde ela ficaria mais confortável, mas ela disse que tinha de ficar com sua filhinha querida.

P.S.: Oi, entaaum, to viciando nesse negócio de p.s. ashashasahshahsa maas enfiim, hj eu dedico o post pra minha bebê, Rafinha esse é pra ti amoree, q tah sempre empolgada pra ler hihi amo mto vc gatinhaa!!


segunda-feira, 5 de julho de 2010

Outro outro!!

Oii pessoaas!! Entounces, jah q eu to aqui sem nada a fazer (mentira, to esperando noticias de um trabalho q naum fica pronto ¬¬') decidi postar outro capitulo!! AEAEE!!
Boa leeitura
obs:o negocio tah ficando tenso...

CAPÍTULO 8 – FAMÍLIA

Depois de pensar bastante e conversar novamente com Felipe, eu decidi esquecer meus temores e viajar logo com ele para ver seus pais. Afinal, já estava mais do que na hora. Três meses e Felipe ainda não tivera a oportunidade de me apresentar a seus pais como namorada.

- Então, divirtam-se. Cuidado. Não voltem tarde...

Minha mãe começou a falar como se eu fosse sair do país, e não fazer uma simples viagem com meu namorado. Mas ela era assim e nada a faria mudar. Eu não podia reclamar, pois se ela não tivesse conversado com papai, ele não me deixaria ir com Felipe. Minha mãe já tinha prática em enrolá-lo... digo, convencê-lo.

Despedi-me de todos e agradeci a Sophia por ter me feito ir atrás dele, mas ela já tinha enjoado de ouvir meus agradecimentos que duraram a semana inteira. Também agradeci a Lisa, que – eu soubera depois – contou a Felipe como eu tinha ficado e o convenceu a vir falar comigo.

Entrei no carro, e a medida que via a estrada passando, ia me sentindo cada vez mais nervosa. Apesar de ter conversado com Felipe milhões de vezes sobre isso durante a semana, não conseguia esquecer o medo que tinha quanto ao que me esperava na casa dos pais dele. A situação piorou quando no meio da viajem ele contou algo que tinha ocultado a semana inteira.

- Os pais de Nanda foram morar fora do país com o irmão dela, o Marcos.

- E? Quer falar logo? – estava impaciente.

- Ta, só quero que se controle.

- Por quê? Vou te dar um tapa se não me contar agora! – gritei.

- Nanda está morando com meus pais. Está até no meu quarto. – ele me encarou esperando uma reação.

Senti meu rosto passar de vermelho para branco, de branco para vermelho e novamente para o branco em apenas um segundo. Encostei a cabeça no banco e levantei a mão quando vi que ele falaria algo. Respirei fundo e depois voltei a olhar para ele.

- Tudo bem. – falei calmamente.

- Tudo bem de verdade? Ou quando chegarmos lá você vai pular nela e matá-la?

Ri da expressão dele e beijei-o, na esperança de demonstrar que estava calma. Mas parei logo, pois ele estava dirigindo, e eu não estava afim de causar um acidente. Pelo menos não um que envolvesse ele.

- Vou me comportar, prometo. Serei civilizada com ela, tentarei conhecê-la. Mas me recuso a fazer “clubinho do pijama” e dormir no mesmo quarto que ela.

- É por isso que amo você. – ele riu.

- Eu sei. – fiz uma pausa, olhando pela janela do carro – Como ela é?

- Como assim?

- Assim.

- A verdade?

- Claro. – encarei-o.

- É uma menina doce, companheira. Mas às vezes exagera.

- Conhece ela a muito tempo?

- Desde criança.

- Ela dava em cima de você?

- Não, apenas brincávamos juntos. – olhou-me como se minha pergunta fosse um absurdo e depois voltou a atenção para a estrada.

- É bonita? Mais que eu?

- Diferente. Belezas diferentes. – revirou os olhos – E você sabe que será sempre a mais bonita do mundo. – deu um sorriso fraco para mim, que iluminou o meu. Mas isso não me impediu de fazer uma pergunta crucial.

- Beija melhor que eu? – olhei-o com uma sobrancelha levantada.

O carro dançou na pista e Felipe quase perdeu o controle. Olhei-o intrigada. Ou talvez com medo da resposta que receberia.

- Que pergunta é essa? – ele finalmente falou.

- Apenas responda. – olhei para frente.

- Porque isso é tão importante?

Felipe passou a mão pelo meu rosto e me fez soltar o que estava preso em minha garganta desde o começo da semana.

- Não quero ter a chance de te perder para ela. – encarei a janela, com vergonha de olhá-lo.

- Sabia.

Felipe levou o carro até o acostamento e desligou-o. Depois se virou para mim e me fez olhá-lo, do jeito que ao mesmo tempo eu amava e odiava. Tentei não encarar seus olhos, mas não tive outra opção.

- O que eu te disse no dia do seu aniversário? – não respondi, afinal, não sabia do que ele falava – Disse que não te tirava da cabeça enquanto namorava com ela. – não pude deixar de sorrir.

- Eu sei disso. Mas...

- Esqueça todas as dúvidas que tiver quanto a isso. Eu te amo desde que tinha 8 anos. – ele riu lembrando – Acha que tem alguma chance de te trocar por ela?

- Eu sei. Mas você não pode me culpar por isso. Entende, que se eu te perder, perco meu chão?

- Como você disse uma vez, sim, eu sinto a mesma coisa – beijou-me delicadamente – Se te dizer que nunca senti nada por ela é mentira. – arregalei os olhos – Mas não passou de um grande carinho. Não faça essa cara.

- Promete que se sentir algo por ela, vai me contar?

- Marina...

- Por favor.

- Está bem, mas isso não vai acontecer. – virou-se para a estrada – Será que podemos ir agora? – perguntou seriamente.

- Eu sou uma idiota, desculpe. – deitei a cabeça em seu ombro. – E sim, podemos ir.

Felipe passou o braço a minha volta e beijou minha testa. Acabei adormecendo, o que me deixou mais calma. Quando fui acordada por Felipe, estávamos chegando à casa de seus pais.

- Desculpe te acordar, só pensei que fosse querer se ver no espelho. – ele riu.

- Muito engraçado. Então, já me perdoou? – perguntei enquanto arrumava meus cabelos bagunçados.

- Esqueça isso. – ia falar algo, mas ele me cortou – Chegamos.

De repente um ar frio atravessou meu corpo, da cabeça aos pés. Felipe saiu do carro e deu a volta para abrir a porta para mim.

- Pronta? – estendeu a mão.

- Pronta. – não estava nem um pouco pronta.

Segurei firme na mão dele e saí do carro. Olhei para frente e vi seus pais: dona Cláudia e seu Carlos. Ao lado deles estava Fernanda. Com meu jeans e bata, me senti uma freira ao vê-la: ela vestia uma mini-saia, um top preto e um colete acima do umbigo. Mas ela era linda, eu tinha de admitir. Era alta e magra, com os cabelos pretos e lisos descendo pelas costas. Apertei ainda mais a mão de Felipe.

- Lipinho. – Fernanda correu em nossa direção e pulou em Felipe, que a abraçou, mas não soltou minha mão. – Que saudades, achei que não viesse mais me ver.

- Bom te ver Nanda. – respondeu Felipe, me puxando para perto – Essa é Marina.

- Prazer. – falei, estendendo a mão para ela, que retribuiu.

- Bonita sua amiga, Lipinho. – ela disse me encarando.

- Namorada. – ele corrigiu. – Pai! – fomos cumprimentá-lo. – Lembra da Marina, não é?

- Claro que sim. Está linda como sempre. – seu Carlos me abraçou.

- Obrigada.

- Mãe! – exclamou Felipe – Como está?

- Muito bem meu filho. Com você e Nanda aqui, me sinto completa.

Tomei aquilo como um balde de água fria. Seria difícil conquistá-la, mas eu não desistiria. Não havia nem começado.

- Lembra da Marina, mãe? – continuou Felipe.

- Vagamente. Como está?

- Bem, obrigada. – respirei fundo.

- Vamos entrar. – disse seu Carlos.

- Vamos sim pai. Só tenho que pegar as malas no carro.

- Eu te ajudo. – falei antes que Fernanda pudesse se oferecer.

- Tudo bem? – Felipe perguntou quando chegamos ao carro. Acenei afirmando com a cabeça. – Ótimo, está se saindo bem, apenas relaxe. – beijou-me – Vamos, antes que minha mãe nos pegue pelos cabelos. – rimos juntos.

A casa era muito bonita, tanto por fora quanto por dentro. A sala era grande e toda decorada com objetos antigos. Passei o olho por toda ela e por um corredor comprido que dava para uma escada.

- Filho, leve Marina lá em cima para deixarem as malas. – falou o pai dele.

- Claro, vamos. – pegou minha mão e começou a me levar pelo corredor.

- Lipinho – interrompeu Nanda –, estou usando seu quarto. Você pode ficar lá comigo e a Marina fica do quarto de hóspedes.

- Isso. – disse rapidamente dona Cláudia – Nandinha, leve as coisas do Felipe para seu quarto, e as de Marina para o de hóspedes.

Olhei pasma para Felipe, que exibia a mesma cara de espanto que a minha. Abraçou-me e se dirigiu a sua mãe.

- Não, não. Nanda pode ficar com o quarto, eu vou para o de hóspedes com Marina.

- Meu filho...

- Venha Marina! – pelo jeito, ele havia ficado tão irritado quanto eu com aquela situação. Mas me fez bem vê-lo me defender.

Passamos pelo corredor em direção a escada e subimos ao segundo andar, seguidos pelos olhares de todos. Pude ainda ouvir os pais de Felipe discutindo sobre o que havia acabado de acontecer.

Entramos em um quarto grande e muito bonito, como o resto da casa. Larguei minha mala em cima da cama e sentei na ponta dela, sem dizer nada. Observei Felipe largar a mala dele e se dirigir a janela. Sem motivo aparente, ele começou a rir.

- Eu achava que era bobagem sua ficar preocupada com minha mãe, que ela seria adulta o suficiente para entender. Mas vejo que não conheço minha própria mãe.

- Não fale assim. – aproximei-me dele – Tente entendê-la.

Vi a situação se inverter, agora era eu quem o consolava e tentava fazê-lo entender.

- Ela sempre disse que queria o melhor pra mim, minha felicidade.

- Para ela o melhor para você, sua felicidade, é ficar com Fernanda.

- Mas não é.

- Que bom. Penso da mesma forma. Só temos que provar isso a ela agora.

- Obrigada. – ele me abraçou forte.

- Por quê?

- Por ter vindo comigo, enfrentar seus sentimentos.

- O mais precioso e forte deles é o que sinto por você. Meu lugar é onde você estiver.

Vi em seus olhos admiração e paixão, e não precisei de mais nenhuma palavra dele para comprovar a reciprocidade do que havia dito. Distraímos-nos até ouvirmos alguém bater na porta.

- Filho, posso entrar? – era seu Carlos.

- Entre pai.

Quando ele entrou, vi em seu rosto um pedido de desculpas e vergonha pela atitude da mulher.

- Marina, – disse ele – peço perdão pelo que aconteceu lá embaixo.

- Não precisa se preocupar com isso.

- Precisa sim. Minha mãe não... – Felipe estava irritado.

- Esqueça isso Felipe. O senhor também seu Carlos.

- Menina de ouro. – reiniciou o pai dele – Agora, vamos almoçar, devem estar com fome.

Nem me lembrava da hora e de que mal havia tomado café da manhã até ele falar. Acentimos e descemos, sem mais tocar no assunto. Sentamos a mesa, onde Nanda e Dona Cláudia esperavam, em meio a uma conversa. Perguntei-me se discutiam um jeito de me descartar da família de uma vez por todas.

O almoço foi calmo, silencioso. Não houve nenhuma ironia nem outro tipo de tentativas de me deixar mal. Felipe se acalmara e contava aos pais as novidades, como estava sendo morar sozinho e em outra cidade.

Seguimos para a sala onde a situação ficou mais descontraída. Dona Cláudia até pediu para Nanda buscar o álbum de fotos da família, coisa de mãe. Porém não foi para me mostrar como Felipe era fofinho quando criança que ela pediu isso.

Peguei o álbum nas mãos, animada, pensando que o mal estar tivesse acabado. Foi quando me dei por conta de que fotos eu olhava. As primeiras eram dos quatro juntos: Dona Cláudia, seu Carlos, Felipe e Fernanda. Depois eram fotos só dos dois últimos, a maioria abraçados. Mas o que me fez ferver de raiva foi quando vi, em uma delas, os dois aos beijos, de modo apaixonado, ao que parecia.

Senti minha pele esquentar e as lágrimas se acumularem em meus olhos, quando Felipe arrancou o álbum de minhas mãos e o jogou na lareira que estava acesa, queimando todo o conteúdo, que Fernanda não conseguiu salvar quando tentou.

- O que você fez, eram minhas fotos! – gritou Fernanda.

- Nina, olhe para mim. – ele pediu, ignorando-a.

- Com licença. – pedi, levantando. Porém Felipe me segurou.

- Espere, minha mãe deve desculpas.

- Não. – falei com a voz fraca, quase chorando. – Deixe-me subir.

- Tudo bem. Já subo também.

Soltei-me de seus braços e andei devagar pelo corredor, conseguindo ouvir o que Felipe dizia a sua mãe.

- Por que está fazendo isso contra ela?

- Não estou fazendo nada contra ela. Apenas não concordo com sua decisão.

- Você não tem o direito de fazer isso. – gritou – Só não vou embora agora por causa de papai.

Ouvi seus passos em minha direção enquanto eu me aproximava do quarto. Deitei na cama e não pude me conter e comecei a chorar. Tentei esconder meu rosto de Felipe em um travesseiro, mas ele me puxou para perto, me envolvendo em um abraço que me acalmou um pouco.

- Se quiser, nós vamos embora... – falou passando a mão em meus cabelos.

- Não... seu pai... – consegui dizer – Es... estou b... bem. – continuei em meio a soluços.

- Está brincando? – segurou meu rosto – Ela passou dos limites.

- Você... sabia... daquelas fotos? – perguntei tentando mudar o foco do assunto.

- Faz muito tempo, achei que não existissem mais.

- Desculpe, eu não devia ter ficado assim. Conversamos muito sobre isso. – sentei de frente para ele. – Mas, nas fotos, você parecia tão... tão... apaixonado. – olhei para baixo.

- Paixão sim. – encarei-o perplexa pelo modo tão direto da resposta – Amor não. – completou – Eu realmente gostava dela. Teve um tempo que achei que a amava, foi quando tiramos as fotos. Mas me dei conta que era uma paixão repentina, que logo passou, e que fez com que lembranças suas voltassem a minha cabeça.

- Você disse que nunca me esqueceu.

- Sim.

- Então como pode dizer que lembranças minhas voltaram a sua cabeça?

- Elas estavam guardadas, mas nunca esquecidas. Como algo que você quer olhar de novo, mas vai adiando, até não agüentar mais. – sorriu passando a mão em meu rosto.

- Como pude ser tão idiota. Como pude recusar o que você sentia?

- Já não penso mais nisso. Agora te tenho aqui comigo.

- Eu te amo mais do que tudo.

A veracidade de minhas palavras me atingiu e me fez abraçá-lo e beijá-lo como nunca antes. Não vi o tempo passar enquanto ficava ali com ele, por ser o que eu mais queria na vida e porque esquecer as horas me faria bem depois do ocorrido.

Meu estômago parecia agir contra mim, pois começava a se agitar, e eu comecei a sentir muita fome. Ouvi-o roncar enquanto estava abraçada a Felipe, e acho que foi alto o bastante para ele também ouvir.

- Acho melhor descermos e comermos.

- Não. – sussurrei – Sei que devia, mas não quero descer.

- Isso é bobagem.

- Olha, porque não desce, come algo e fica com seu pai enquanto eu tomo um banho.

- Tem certeza? – balancei a cabeça – Tudo bem, então. Vou fazer isso, mas vou preparar alguma coisa para você e depois trago.

- Isso. Agora vá. Seu pai deve estar se sentindo mal. Tranquilize-o.

- Tá. Eu não demoro. – beijou-me e me mostrou onde pegar as coisas para o banho. Depois desceu.

Embaixo do chuveiro, repassei em minha cabeça tudo que havia acontecido só naquele sábado. Respirei fundo milhões de vezes e pensei em Felipe, que merecia que eu me esforçasse para conquistar sua mãe. Aquele sentimento ruim gritava como se fosse pular de dentro de mim, mas eu o abafei. Coloquei todos meus pensamentos em uma balança e depois de algum tempo, decidi que não voltaria para casa enquanto, no mínimo, Dona Cláudia não me ouvisse.

Um pouco mais animada do que antes, saí do chuveiro e comecei a me trocar no banheiro, um pouco apertado, se comparado com o meu. Terminava de arrumar o cabelo quando ouvi vozes no corredor.

- Lipinho, volte aqui. Lipinho! – consegui distinguir Fernanda pelo jeito que chamava Felipe.

- Me deixe em paz! – ele gritou. Entrou no quarto e bateu a porta.

Saí do banheiro com os olhos arregalados, sem entender nada do que acabara de acontecer. Vi Felipe largar uma bandeja com comida e sentar na cama, de costas para mim.

- O que foi que aconteceu? – perguntei sentando ao lado dele.

- Nada.

- Não me tire para idiota. O que aconteceu?

- Fernanda estava enchendo o saco, só isso.

- Mesmo? – tentei fazer com que me olhasse.

- Mesmo. – beijou minha testa – Esqueça isso. Trouxe sua comida. – levantou e pegou a bandeja – Está com fome?

- Sim. – respondi ainda intrigada.

Deixei minha desconfiança de lado e comi tudo o que ele havia preparado e, como sempre, estava muito delicioso. Aliás, eu precisava me controlar, pois estava comendo além do necessário e a cada dia me sentia maior. Minha barriga estava mesmo maior, de um jeito estranho. Mas quando perguntava a Felipe, ele dizia que eu estava linda como sempre.

O pai de Felipe foi ao quarto desejar boa noite e novamente vi um pedido de perdão nos olhos, que, com palavras, foi expresso através de gentilezas.

Depois de nos despedirmos dele, decidimos ir logo dormir, pois o dia fora muito longo e com complicações desnecessárias, que queríamos esquecer. Pensei que demoraria a dormir, mas, felizmente, dormi rapidamente e muito calma por estar nos braços de Felipe.

Acordei com um susto no outro dia: alguém batia na porta. Felipe ainda estava ali deitado também, e logo se apressou a falar.

- Pai? É você, pai?

- Não, é a Nanda. – ela tinha um tom calmo e baixo – Posso entrar. Juro que não é para arranjar confusão.

Acenti com a cabeça para Felipe, quando ele me olhou, como se perguntasse o que diria a ela com os olhos. Sentei rapidamente e prendi os cabelos, ficando um pouco mais apresentável.

- Tudo bem. Entre.

- Com licença. Desculpem atrapalhar.

- Não atrapalha. – falei antes de Felipe. – Pode falar.

- Queria saber... se você não quer dar uma volta comigo. Só nos duas. – ela parecia um pouco nervosa, com aspecto diferente do dia anterior.

Felipe engasgou ao meu lado, tão surpreso quanto eu. Não conseguia entender o que ela pretendia com aquilo. Seria mais uma tentativa de me mandar para casa sem chance de volta?

- Desculpe, mas eu...

- Não se preocupe. Não vou te matar, só quero conversar.

- Não sei se é uma boa idéia. – falou Felipe, que até agora só prestava atenção ao diálogo.

- Não. Tudo bem. Eu vou. – fiquei realmente curiosa – Pode me esperar lá fora?

- Sim, mas venha rápido. Acho que Cláudia não gostaria disso.

Fiquei mais curiosa ainda. Então Cláudia não sabia do que Fernanda estava fazendo. Decidi dar a ela um voto de confiança e fui me arrumar. Felipe ainda olhava com cara de quem não gostava da idéia, mas ele confiava em mim, e me deixou fazer o que achei melhor.

P.S.: Hj eu dedico o post pra Brukee, q foi a primeira pessoa pra quem eu contei do livro e também do blog... e ela me apoiou mto mto... E ELA TAH MTO EMPOLGADA COM O LIVRO SHAHSAHSAHSHASHA Amo mto vc amore bjss