sábado, 25 de setembro de 2010

Oie!!

Ooooii gente!! Bom, hoje eu venho pra postar outro capítulo! Esse é um capítulo bem teenso e bem importante, então eu peço pra quem não leu os outros, pra não ler esse ainda, pq senão perde a graça =))))
Então vão lá, e quem é mais sentimental, prepara o lencinho, hehe... beijinhoos

CAPÍTULO 13 – SURPRESAS

- Marina! Princesa acorde, você tem visitas. – minha mãe me chamava. As palavras dela não faziam sentido, eu não conseguia encaixá-las.

- Hã? O que? – sentei e cocei os olhos para poder acordar.

- Você tem visitas querida. Se arrume e depois desça. – ela me deu um beijo na testa e depois saiu do quarto.

Levantei e tentei me recompor, tentando imaginar quem eram as pessoas que teriam vindo me ver. Sim, “as pessoas”, porque minha mãe havia dito visitas, certo? Eu não sabia ao certo, não conseguira ouvir direito o que ela disse, mas estava muito curiosa para descobrir.

Depois de estar devidamente apresentável, saí do quarto e desci as escadas. Quando entrei na sala, tive de me apoiar para não cair, tamanho choque que senti ao ver quem estava lá me esperando. Sentada no sofá estava dona Cláudia, a mãe de Felipe. Ela se levantou e sorriu ao me ver.

- Marina, que bom vê-la bem. – ela andou até mim e estendeu os braços para um abraço.

Eu a abracei, mas não estava entendendo nada. O que ela fazia ali e que receptividade era aquela? Eu não achava uma resposta. Ela pegou minha mão e me levou até o sofá.

- Pela sua cara vejo que está estranhando minha visita, não é? – ela disse e eu corei.

- Desculpe. É só que me pegou de surpresa. – ela riu de minha explicação.

- Está tudo bem. Eu entendo, não fui muito legal com você da última vez que nos vimos. – ela deu um sorriso amarelo.

- Ah! Não se preocupe. Não penso mais nisso. – tentei mudar de assunto – Quando chegou aqui?

- Ontem. Queria ter vindo antes, mas não pude. – ela respirou fundo – Marina, como você está, de verdade?

- Eu... – não conseguia falar direito, não entendia o que ela queria – estou confusa.

- Olha Marina, eu vim aqui, porque eu queria dizer que você tem meu total apoio. – agora sim eu estava confusa.

- O que quer dizer?

- O que Felipe está fazendo com você não tem perdão. Eu sei que no começo eu ia contra o namoro de vocês, mas ele escolheu você e tem que assumir as responsabilidades que isso trouxe. Eu quero que você saiba que eu vou estar aqui para o que você precisar.

Uma emoção muito forte atravessou meu coração e se instalou ali. Era tão bom ouvir aquilo, principalmente sendo dela. Eu me senti acolhida, me senti bem.

- Muito, muito obrigada. – eu disse enquanto uma lágrima escorria por meu rosto.

- Não tem nada para agradecer Marina. Apenas cuide bem de meu neto, ou neta. – ela sorriu colocando a mão em minha barriga.

Ficamos ali conversando por mais algum tempo até que alguém apareceu na porta da sala.

- Cláudia, porque não me esperou? – Fernanda, que parecia ter corrido falou.

- Achei que você demoraria no banho.

Fernanda revirou os olhos e depois olhou para mim, com um sorriso se abrindo nos lábios.

- Marina!

- Nanda! – levantei e fui até ela.

Era muito bom vê-la ali, me senti imediatamente feliz. Depois da conversa que tivemos, realmente passamos a gostar uma da outra. Não tínhamos mais nos visto desde então, mas mantínhamos contato, por telefone e pelo computador. Ela me apoiou muito quando os problemas começaram a aparecer e tinha me dito que mais dia menos dia apareceria ali para me ver.

- Que bom que está aqui. – falei com sinceridade enquanto a abraçava.

- Viu? Eu disse que viria! – ela abriu um largo sorriso.

- Sim, você disse. – eu ri. Eu me sentia tão bem agora que era fácil demais sorrir agora, mesmo depois da noite anterior... – Felipe não me contou que vocês estavam aqui.

- Nós pedimos a ele que não contasse. Queríamos fazer surpresa. – respondeu Nanda radiante.

- Pode ter certeza que fizeram. – as duas riram.

Convidei-as para almoçar ali e elas aceitaram, então passamos muito tento juntas, conversando sobre tudo, mas o assunto principal sempre era o bebê. Cláudia era a que mais falava nele e eu podia ver nela uma alegria em ser avó que eu nunca poderia imaginar. Eu sabia que meu filho poderia não ter o pai – cada vez que pensava nisso um pouco de minha felicidade ia embora –, mas sabia que teria suas duas avós por perto.

Minha mãe havia se juntado a nós em uma conversa no jardim sobre nomes para o bebê – eu realmente não andara pensando muito nisso. Ela olhou no relógio e pulou da cadeira.

- Marina, vá se arrumar logo, estamos atrasadas. – ela disse me puxando da cadeira.

- Atrasadas para que mãe?

- Ir ao médico. Você tem consulta. – ela virou para Cláudia – Venham junto, talvez descobriremos o sexo do bebê hoje.

Quando ela disse isso eu quase caí. Como assim descobrir o sexo do bebê? Já? Eu não sabia se estava preparada. Mesmo assim não havia outra saída, então fui para meu quarto, puxando Nanda pelo braço e me arrumei o mais rápido possível para não irritar minha mãe.

Ao entrar no carro lembrei-me de avisar Lisa, que ficaria brava se eu não avisasse e que eu sabia que chegaria ao hospital antes de mim. Depois de desligar o celular, pensei em outra pessoa a qual eu deveria ligar, mas eu não tive coragem e pedi para Nanda ligar para Felipe por mim.

Nanda ficou um bom tempo com ele no telefone e pelo jeito ela tentava convencê-lo de ir. Aquilo me desanimou ainda mais, mas eu tentei desviar essa ideia da cabeça e pensar no que mais importava agora.

Chegamos ao hospital e como eu previ, Lisa já estava lá. Minha surpresa foi em ver que Felipe estava lá com ela esperando. Pela sua cara ele não parecia muito confortável ali. Quando fui chamada para a consulta minha mãe se levantou para ir comigo e Felipe – com um empurrãozinho de Lisa e Nanda – nos seguiu.

A médica que me atendeu já era conhecida de muitos anos da família, então foi fácil ficar tranquila. Ela conversou rapidamente comigo e depois me levou até onde seria feita a ultrassonografia.

Foi fácil, eu tive apenas que ficar deitava enquanto a médica analisava o que via na tela. Eu não sabia dizer quem estava mais nervoso: eu, minha mãe ou Felipe. Nós três estávamos completamente atentos ao que a médica dizia ou fazia, e isso apenas nos deixava mais nervosos, pois ela pouco falou por um tempo. Depois ela olhou para mim e para Felipe e perguntou:

- Já pensaram em nomes?

Eu dei um sorriso amarelo e respondi:

- Não, ainda não.

- Então quando for escolher o nome pense em dois, um para menino e outro para menina.

- Sim, farei isso. – falei inocentemente, como se fosse algo normal de uma médica dizer.

- O que eu quis dizer foi que você precisará dos dois nomes. Parabéns, vocês terão um casal de gêmeos. – Ela disse sorrindo.

Eu não sabia o que fazer, o que dizer. Gêmeos? Como pode? Eu não sabia se ficava feliz ou triste. Olhei para Felipe. Ele me olhou de um jeito que eu não gostei, um olhar que eu não queria ver. Eu sabia o que aquele olhar significava, mas não queria, eu não podia acreditar que fosse verdade.

Felipe desviou o olhar e sem dizer nada saiu da sala, quase correndo. Eu queria chamar por ele, gritar por ele, mas não consegui fazer nada. De repente tudo se apagou a minha volta e eu não pude impedir que ele fosse embora.

- Eu não acredito que ele fez isso com ela. Nunca pensei que ele de verdade tivesse coragem de abandoná-la. – as palavras raivosas de Lisa me acordaram e trouxeram a verdade a minha cabeça. Eu comecei a chorar sem nem ao menos abrir os olhos.

- Nina, não chore princesa. Olhe para mim filha. – minha mãe dizia nervosa. Eu abri os olhos e encarei-a.

- Mãe, ele se foi! Ele realmente me deixou! – eu abracei-a e chorei em seus braços, sem mais forças.

- Fique calma filha, vai ficar tudo bem!

- Como vai ficar tudo bem? Não tem como. – minha voz soava como um sussurro.

Minha mãe esperou que eu me acalmasse e parasse de chorar para falar novamente. Ela sentou na minha frente e disse que Felipe havia deixado uma carta para mim que Fernanda havia encontrado em seu quarto. Provavelmente porque ele sabia que assim a carta chegaria até mim.

Elas me entregaram a carta e saíram do quarto – nem havia notado que estava em casa – para que eu pudesse ler sozinha a carta. Respirei fundo e abri o papel que estava dobrado e colocado dentro de um envelope.

Nina, dizia na primeira linha da carta. A letra estava tremida.

Eu simplesmente não sei explicar o porquê do que estou fazendo, mas vou tentar. Você mais que ninguém merece uma explicação, pois você é a pessoa mais importante da minha vida, mesmo que não acredite nisso. E não acho que deva... sou um grande idiota.

Quando você me contou que estava grávida eu perdi meu chão. Eu não consegui me imaginar cuidando de uma criança, tendo que formar uma família, pelo menos não agora. Então eu fiz a primeira burrada com você, e depois não parei mais.

Hoje, quando a médica disse que... eram duas crianças, eu fiquei pior ainda. Entenda, não tenho como dar nenhum tipo de futuro para você ou para essas crianças. E é por isso que estou indo embora. Não pense que está sendo fácil, é a pior coisa que já fiz em toda minha vida, mas não vejo outro jeito.

Entenda também que não estou fazendo isso por mim, estou fazendo por você e por... nossos filhos. Eles merecem muito mais do que a mim como pai. E você... você é a pessoa mais especial que já conheci e seu lugar é ao lado de um homem de verdade, que não seja tão covarde e que cuide de você. Eu irei agradecer a qualquer um que consiga colocar no seu rosto o sorriso que eu tanto amo.

Eu sempre a amei e sempre amarei. Amo você mais que tudo e todos. Nunca, nem por um segundo duvide disso. Por favor, se puder, me perdoe. Tenha toda a felicidade do mundo, a felicidade que eu não posso lhe dar. Espero que encontre alguém que a faça sorrir, embora eu nunca mais vá querer ninguém. Você é e sempre foi a única pra mim.

Me perdoe, Felipe.

Quase não consegui enxergar as últimas linhas da carta, devido a quantidade de lágrimas que caía de meus olhos. Eu tentava com todas as minhas forças entender e aceitar aquilo, mas eu não conseguia. Nada nem ninguém me fariam entender que ele havia me deixado de verdade, que dessa vez ele não voltaria.

Como as coisas haviam mudado de rumo tão rapidamente? Num momento eu era a pessoa mais feliz do mundo e tinha certeza que iria passar a vida toda com Felipe, meu primeiro e, eu tinha certeza, único amor. No outro eu estava a espera de duas crianças que eu não fazia ideia de como criar e Felipe havia me deixado.

A primeira coisa em que pensei foi em desistir. Eu fechei os olhos e visualizei um futuro que eu sabia que não teria. Eu, Felipe e as duas crianças em uma casa do jeito que eu sempre sonhei que teria depois de me casar. Eu via as crianças brincando a minha volta e via Felipe sorrindo para mim enquanto observava a cena. Depois eu via ele vindo até mim, me abraçando e dizendo: “eu amo você”.

Como eu queria ficar com os olhos fechados e nunca mais ter de abri-los. Mas eu não podia. Tirei da minha cabeça a ideia de desistir e abri os olhos. O que eu via agora eram as paredes do meu quarto, que de repente pareciam sem graça. Além disso, eu podia ver o futuro que verdadeiramente eu teria. Era um futuro negro, que eu não gostava. E eu sabia que só eu poderia mudá-lo.

Eu tinha que encontrar forças para isso, para mudar as coisas. Não somente por mim, mas por meus pais, por Sophia, minhas amigas e meus filhos. Eles não mereciam sofrer as minhas custas, e eu ainda tinha muita vida pela frente, mesmo que ela não me importasse muito sem Felipe ao meu lado.

Mas antes de fazer qualquer coisa eu tinha que colocar a cabeça no lugar. Tinha que pesar minhas prioridades e as coisas menores. Comecei analisando a carta de Felipe. Se ele realmente ainda me amava e queria que eu fosse feliz, era isso que eu faria, por ele, pelo amor que sempre sentiria por ele.

Havia apenas uma coisa que mesmo se eu quisesse não aconteceria. Eu nunca pertenceria a outro. Nunca amaria outro e meu sorriso seria eternamente dele.

P.S.: Só pra saber? Quem alguém querendo me matar depois desse capítulo??? ahasha Respondam nos coments, obri! E se tiverem alguma sugestão ou alguma dúvida de alguma coisa que não tenha ficado clara, perguntem nos coments tb que eu leio sempre... beijos

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Volteei...

E aí galera!! Demorei, mas não morri *batendo na madeira*... Desculpem mas é que eu estava cheeia de coisas pra fazer, e tenho q atualizar os capítulos também, mas prometo q eu vou terminar de postar o livro. Então aí vai mais um capítulo, bjbj

CAPÍTULO 12 – REALIDADE

As semanas passavam devagar enquanto eu ficava em casa sem fazer nada. Dificilmente saía do quarto e quando o fazia era para saber de Felipe. Apesar de estar me apoiando, ele não parou sua vida e nem eu queria que ele o fizesse. Continuava indo a faculdade e agora também trabalhava. Também não estava mais dormindo em minha casa, mas ia me ver pelo menos uma vez ao dia e quando não ia, ligava.

Eu me sentia uma velha esperando seu marido chegar em casa do trabalho, se enchendo de comida e sem forças para fazer nada. Eu não aguentava mais ver meus pais se preocupando comigo, apesar de Sophia estar muito pior que eu.

Então decidi mudar as coisas. Decidi levantar a cabeça e seguir em frente sem precisar da pena de ninguém. Pena não, mas ajuda sim. Pedi a Lisa que viesse conversar comigo, que ficasse comigo e ela o fez sem reclamar. Ela me escutava e me dizia coisas que eu deveria ouvir e que me ajudavam a seguir em frente. A primeira coisa que fiz, depois que ela me convenceu de que era o certo, foi ir falar cara a cara com Sophia, quando ela voltou para casa.

Bati na porta de seu quarto e perguntei se podia entrar. Sophia respondeu animadamente que sim. Respirei fundo duas vezes e abri a porta com a mão trêmula. Entrei e a vi deitada na cama com um sorriso dirigido a mim. Olhei seus braços. Cicatrizes iam da mão até o ombro. No rosto também havia algumas e nos seus olhos se notava alguma diferença por causa dos cacos de vidro. Congelei no lugar onde estava.

- Venha aqui Nina. – ela chamou ainda sorrindo – Senti sua falta.

Uma lágrima escapou por meus olhos e eu não consegui mover um dedo.

- Não acredito. – ela disse – Já era sensível, grávida então... chora por qualquer coisa. – ela parecia estar brincando.

Corri até a seu lado e me ajoelhei do lado se sua cama, abraçando-a.

- Desculpe. – pedi chorando – Por favor.

- Pare com isso. O que está pensando?

- Olhe como você está. Olhe o que te fiz. E você ainda sorri para mim.

- Você não tem culpa de nada. Acidentes acontecem.

- Como pode dizer isso? – perguntei levantando. Ela estava calma demais, como conseguia não sentir raiva de mim. – Eu devia estar no seu lugar! – gritei.

- No meu lugar? – ela se levantou e pude ver leves cicatrizes na perna. – Eu entrei naquele carro porque quis. E você aprendeu a lição. Não pense que eu estaria tão calma se não soubesse disso.

- Mas olhe seus braços. E seu rosto.

- Já disse que entrei naquele carro porque quis. – Ela gritou irritada com minha insistência.

- Tudo bem. – respirei fundo. – Não quero discutir com você. – puxei-a de volta para a cama – Apenas diga que me perdoa.

- Não tenho o que perdoar.

- Por favor. – eu precisava daquilo.

Ela me olhou fundo nos olhos, depois para a parede. Respirou fundo, olhou de novo para mim e disse:

- Perdôo.

- Obrigada. – eu disse e abracei-a.

Fiquei mais um tempo com ela enquanto ela matava sua curiosidade sobre como era estar grávida. Depois, muito mais calma e confiante, voltei a meu quarto onde Lisa me esperava no computador.

- Eu disse que seria muito melhor se você conversasse com ela.

- Claro que disse. – eu sorri – Estou mais calma agora.

- Isso é bom. – fez uma pausa – Agora já pode voltar a viver.

- Não teve graça.

- Eu sei. – ergueu uma sobrancelha – É serio, você tem que voltar para a faculdade.

- Acha mesmo?

- Tenho certeza. Não dá para parar sua vida só... – foi interrompida por Felipe que entrava no quarto.

- Desculpem. Venho depois. – falou vendo Lisa ali.

- Não. Eu já estava indo. – Lisa disse repentinamente séria.

Os dois não se falavam direito desde que Felipe contou para Lisa o que havia feito. Ela não concordava com aquele acordo que fizemos. Dizia que era loucura e eu sabia que ela estava certa, mas não iria me arriscar a perder Felipe.

Eu sabia que tudo que estava fazendo, o modo como estava vivendo era errado. Eram apenas ilusões de que não havia nada de ruim na minha vida, que estava tudo perfeito. Mas a verdade é que cada coisa estava sobre a outra, virando minha vida, e a dos outros, de cabeça para baixo. Meus pais viviam em constante preocupação comigo e Sophia. Esta tentava encarar os problemas que eu infligi a ela. Eu via Felipe com o rosto cada vez mais cansado a cada dia. Lisa também se preocupava muito comigo e os dois não se falavam mais por minha causa. E eu estava parada no tempo, sem saber como seguir em frente.

Perdi toda minha calma e confiança quando os vi “disputando” para ver quem ficaria no quarto e quem sairia para que os dois ficassem a vontade.

- Você fica. – olhei para Lisa – E você entra. – apontei para Felipe.

- Não se preocupe. Não me importo de vir outra hora. – falou Felipe com um sorriso fraco para mim.

- Fique. Eu já disse tudo que queria.

O modo como falavam, como se estivessem entre inimigos e não entre amigos de infância, me fez tremer de raiva por saber que a culpa era minha.

- Mas que droga! – gritei e os dois me encararam – O que pensam que estão fazendo? – perguntei levantando.

- Fique calma. Não me importo mesmo de vir outra hora. – Felipe disse ao se aproximar de mim.

- E de perder uma amiga por minha culpa, não se importa? – ele encarou o chão envergonhado com minha pergunta – Não aguento mais ver vocês assim.

- Não se preocupe isso é coisa nossa. – Felipe tentou me sentar novamente na cama.

- Não. – soltei suas mãos de mim – Meus melhores amigos brigam por minha culpa e você diz para eu não me preocupar?

- Não é culpa sua. – os dois falaram ao mesmo tempo.

- Vendo vocês assim, meus pais, Sophia, eu penso que devia ter morrido naquele acidente. – falei enfurecida.

- NÃO! – falaram juntos de novo – Nunca mais repita isso Marina! – continuou Lisa.

- Então, por favor, parem com isso. Façam isso por mim, se é que eu posso pedir mais alguma coisa de vocês.

Nenhum dos dois falou nada a princípio, apenas se encararam, como se conversassem por olhar, procurando um jeito de resolver aquilo.

- Mari – começou Lisa – você sabe que eu não concordo com o que vocês estão fazendo.

- Não estou pedindo para você concordar. Apenas para perdoar. Se eu perdoei, porque você não pode? – sorri fracamente para ela.

Ela não disse nada, então me virei para Felipe.

- Você não sente falta de nossas conversas, de tudo que fizemos juntos? Nós três? – puxei-o para sentar na ponta da cama.

- Claro que sinto, mas não posso obrigá-la a aceitar uma coisa de que também não gosto.

- E você Lis, não sente? – peguei sua mão.

- Sinto, mas... – interrompi-a.

- Mas nada. – suspirei – Ouçam. – pedi – Não sou mais uma criança que precisa de alguém para tomar suas decisões. Sei que o que estou fazendo não é certo, mas entendam, não posso viver sem... – preferi não terminar a frase ao ver a cara de Felipe – Não briguem por causa de minha idiotice. Por favor? – peguei a mão dos dois e as juntei.

- Tudo bem. Eu já não estava mais aguentando isso mesmo. – falou Lisa sorrindo e deitando em meu colo.

- Nem eu. – completou Felipe.

Puxei Felipe para mais perto e abracei os dois forte, como se nunca fosse soltar. Eu os amava demais e não queria que nada nos separasse. Nunca.

Lisa, agora apoiada por Felipe, me convenceu a voltar a ir para a faculdade e eu comecei naquele dia mesmo. Era como um flashback. Eu e meus dois melhores amigos indo a faculdade juntos, como naquele primeiro dia. Isso quase me fez chorar. Sentia que as coisas estavam se encaminhando.

Lisa foi para sua sala, me desejando boa sorte e eu fui com Felipe até a minha. Foi estranho estar lá novamente, com aquelas pessoas que eu mal conhecia, mas que sentia falta, pois era uma parte da minha vida que eu gostava muito. Respirei fundo e entrei na sala.

No começo foi fácil. Sentei no fundo da sala e Felipe me ajudou a entender a matéria. Fiquei um pouco perdida, mas depois comecei a entender o que o professor explicava. Mas no meio da aula, comecei a perceber alguns olhares em minha direção. Então me dei conta do que olhavam.

Eu já estava com uns cinco meses de gravidez e minha barriga era perceptível em minha blusa justa. Não estava muito grande, pois eu era muito magra e isso ajudava um pouco, mas mesmo assim era algo visível. Fiquei envergonhada e coloquei o casaco fino que havia levado só por levar. Felipe olhou confuso para mim, pois estava uma noite quente.

- Está com frio? – perguntou erguendo uma sobrancelha.

- Não. – olhei para minha barriga – Estão todos olhando.

- Ah. – virou o rosto para verificar com os próprios olhos – Deixe que olhem. – falou por fim.

Assenti e virei novamente para o professor e tentei me concentrar. Quando a aula finalmente acabou, fui falar com o professor, tentar explicar minha faltas e achar um jeito de não rodar naquela cadeira. Ele foi muito simpático e disse que eu podia fazer alguns trabalhos para compensar.

Umas meninas acabaram ouvindo minhas explicações e confirmaram suas desconfianças. Começaram a cochichar e eu vi a notícia de que estava grávida se espalharia rapidamente. Tentei não prestar atenção, mas umas meninas que tinham inveja de eu namorar Felipe não deixaram.

Quando saí da sala com Felipe elas estavam em uma roda conversando. Uma delas, a mais popular, que sempre arranjava um jeito de se mostrar melhor que os outros, falou alto o bastante para que eu pudesse ouvir:

- Eu avisei a vocês. Aquelas que se mostram as mais santas são as piores. Depois, meninas como eu é que são o problema. Por acaso eu ando por aí exibindo uma barriga de grávida?

Aquelas palavras entraram em minha mente sem eu querer e me dominaram de modo que uma raiva tremenda me domou. Quem aquela garota insignificante pensava quer era para julgar a mim e as minhas ações sem ao menos me conhecer? Para se achar melhor porque a grávida era eu e não ela?

Sem pensar comecei a andar na direção a ela, fuzilando-a com os olhos. Ela me olhou e sorriu de modo desafiador quando me viu avançando, como se quisesse que eu fizesse algo.

Minha mão se levantou involuntariamente enquanto eu continuava andando em sua direção. Ela recuou alguns passos, amas continuou a sorrir, o que só aumentou minha raiva. Quando lancei minha mão na direção do rosto daquela garota irritante, outra mão mais forte que a minha me segurou.

- Não vale a pena. – Felipe sussurrou em meu ouvido enquanto me puxava para longe dali. – Ela não sabe de nada. Não pode te julgar.

Julgar. Naquele momento eu notei porque tivera tanta raiva, eu sabia que aquela não seria a última vez em que eu teria que agüentar o julgamento das pessoas. E eu não queria passar por aquilo. Por um momento pensei em deixar tudo de lado e voltar a ficar trancada dentro de casa.

- Ela está certa. – fixei o olhar no chão – Eu devia ter vergonha de sequer sair de casa.

- Não fale isso. – ele puxou meu rosto para que pudesse olhar em meus olhos – Você não tem culpa do que aconteceu. Ninguém tem. Você não deve sentir vergonha, tem é que sentir orgulho de não ser tão covarde quanto eu.

- O que quer dizer?

- Quando você soube que estava... grávida – ele vacilou ao dizer isso -, você sequer pensou em outra opção a não ser criar essa criança. Ao contrário do que eu fiz.

Eu não consegui responder nada a ele, e ele também não disse mais nada. Então eu decidi mudar de assunto antes que as coisas piorassem.

- Vamos embora daqui. Não há nada mais o que fazer aqui hoje.

- Você está certa, vamos.

- Antes que eu decida bater em mais alguém. – sorri para ele, tentando amenizar a situação.

Ele sorriu para mim, mas de repente ficou sério, enquanto encarava alguma coisa. Virei-me na direção do que ele encarava e vi Anderson, que mantinha seus olhos dirigidos a minha barriga. Por instinto passei minhas mãos nela, como se para proteger.

Olhei novamente para Felipe e, ainda encarando Anderson, ele passou o braço por minha cintura e me puxou o mais próximo possível que pude ficar dele. Era como se um instinto de proteção tivesse se apoderado dele. Eu não pude deixar de sorrir enquanto apoiava meu rosto e seu ombro, mesmo sabendo que criar esperanças poderia me machucar muito depois.

- Ou, antes que você decida bater em alguém. – completei enquanto ele me puxava rapidamente em direção ao carro.

Enquanto ele me levava até em casa eu ficava pensando nas palavras daquela garota e não conseguia tirar da minha cabeça a ideia de que ela não seria a última a falar coisas assim para mim.

Eu sabia que as pessoas não achavam certo ter filho com a minha idade e na verdade nem eu achava. Eu não tinha a responsabilidade suficiente para criar uma criança e o pior é que eu poderia ser mãe solteira, mas nem disso eu tinha certeza ainda. Uma lágrima escapou de meus olhos e Felipe notou.

- Ainda está pensando no que aquela garota disse, não é? – ele disse secando a lágrima.

- Estou. Não exatamente ao que ela disse, mas ao fato de que ainda vou ouvir muitas coisas assim. – olhei minhas mãos.

Ele estacionou o carro em frente a minha casa, saiu e abriu a minha porta antes de falar novamente.

- Não importa o que ninguém fala disso. Só importa o que você está fazendo para o seu bem e para o bem... do bebê. – ele desviou os olhos, depois voltou a olhar para mim – E pode ter certeza de que você está fazendo a coisa certa. – depois falou baixo, como se para si próprio – Aliás, é a única que está fazendo o que é certo.

Ele me abraçou forte por um momento. Um abraço cheio de significados. Como se naquele abraço ele estivesse me dando o que não poderia me dar de outra forma. Eu me apertei contra ele antes que ele pudesse se afastar. Mas ao contrário do que pensei, ele não fez isso. Ele me puxou mais e mais, até quase doer da força que ele fazia para me segurar tão perto.

Meu corpo agiu contra minha vontade e quando vi, e estava aproximando meu rosto do dele. Não faça isso, não faça isso! A parte racional de mim dizia para a parte que não conseguia mais agüentar um dia sem Felipe.

Felipe seguiu meu movimento, e então a parte racional de mim se rendeu a outra, sem mais forças para lutar. Ele segurou meu rosto entre as mãos enquanto delicadamente beijava minhas bochechas. Depois passou a minha testa e meu nariz, até finalmente alcançar minha boca.

Neste momento me esqueci de todo o resto, só ele importava. Eu só conseguia sentir seus lábios nos meus, seu cheiro, sua pele sob minhas mãos e nada mais fazia sentido sem isso. Parecia que ele sentia a mesma coisa, eu sabia que ele sentia, e ao mesmo tempo eu sabia que isso poderia não ser suficiente para mudar sua decisão.

Quando pensei nisso a parte racional voltou a mim e me deu forças para me afastar dele quando ele também o fez. Felipe fixou o olhar no meu por um momento, e eu podia ver nos seus olhos um grande remorso, não pelo beijo, mas pelo resto, por tudo que viria depois e que ele não sabia se poderia me dar.

- Não devíamos ter feito isso. – sussurrei. Minha voz não sairia mais alto do que aquilo.

- Eu sei. Desculpe. – a voz dele não estava mais alta do que a minha.

Depois disso nenhum de nós sabia mais o que dizer. Fechei meus olhos e me encostei em seu ombro, enquanto ele apertou os braços a meu redor, um último abraço. Beijou meus cabelos e me afastou delicadamente, depois entrou no carro e esperou até eu entrar em casa, e então se foi.

Fui direto até meu quarto e agradeci silenciosamente por minha mãe não ter feito nenhuma pergunta. Troquei minha roupa o mais rápido possível e tentei não olhar em direção a minha barriga para não começar a chorar. Deitei na cama e fechei os olhos pensando.

Depois de um bom tempo analisando tudo que tinha acontecido aquela noite e também as opções que tinha para meu futuro, concluí que eu devia para de ter medo. Não devia me importar com o que os outros pensavam.

Não era fácil colocar isso em prática, mas eu não devia mais viver apenas a sombra de uma esperança e deixar todo o resto de lado. Eu tinha de erguer a cabeça e seguir em frente. Essa era a minha realidade agora e nada faria isso mudar. Por instinto coloquei as mãos em minha barriga e depois acabei dormindo, mais calma e confiante, apesar de ainda estar triste.

P.S.: Eu nem acredito q esse já é o capítulo 12, isso é mto divertido ahsahahsaah