E aí galera!! Demorei, mas não morri *batendo na madeira*... Desculpem mas é que eu estava cheeia de coisas pra fazer, e tenho q atualizar os capítulos também, mas prometo q eu vou terminar de postar o livro. Então aí vai mais um capítulo, bjbj
CAPÍTULO 12 – REALIDADE
As semanas passavam devagar enquanto eu ficava em casa sem fazer nada. Dificilmente saía do quarto e quando o fazia era para saber de Felipe. Apesar de estar me apoiando, ele não parou sua vida e nem eu queria que ele o fizesse. Continuava indo a faculdade e agora também trabalhava. Também não estava mais dormindo em minha casa, mas ia me ver pelo menos uma vez ao dia e quando não ia, ligava.
Eu me sentia uma velha esperando seu marido chegar em casa do trabalho, se enchendo de comida e sem forças para fazer nada. Eu não aguentava mais ver meus pais se preocupando comigo, apesar de Sophia estar muito pior que eu.
Então decidi mudar as coisas. Decidi levantar a cabeça e seguir em frente sem precisar da pena de ninguém. Pena não, mas ajuda sim. Pedi a Lisa que viesse conversar comigo, que ficasse comigo e ela o fez sem reclamar. Ela me escutava e me dizia coisas que eu deveria ouvir e que me ajudavam a seguir em frente. A primeira coisa que fiz, depois que ela me convenceu de que era o certo, foi ir falar cara a cara com Sophia, quando ela voltou para casa.
Bati na porta de seu quarto e perguntei se podia entrar. Sophia respondeu animadamente que sim. Respirei fundo duas vezes e abri a porta com a mão trêmula. Entrei e a vi deitada na cama com um sorriso dirigido a mim. Olhei seus braços. Cicatrizes iam da mão até o ombro. No rosto também havia algumas e nos seus olhos se notava alguma diferença por causa dos cacos de vidro. Congelei no lugar onde estava.
- Venha aqui Nina. – ela chamou ainda sorrindo – Senti sua falta.
Uma lágrima escapou por meus olhos e eu não consegui mover um dedo.
- Não acredito. – ela disse – Já era sensível, grávida então... chora por qualquer coisa. – ela parecia estar brincando.
Corri até a seu lado e me ajoelhei do lado se sua cama, abraçando-a.
- Desculpe. – pedi chorando – Por favor.
- Pare com isso. O que está pensando?
- Olhe como você está. Olhe o que te fiz. E você ainda sorri para mim.
- Você não tem culpa de nada. Acidentes acontecem.
- Como pode dizer isso? – perguntei levantando. Ela estava calma demais, como conseguia não sentir raiva de mim. – Eu devia estar no seu lugar! – gritei.
- No meu lugar? – ela se levantou e pude ver leves cicatrizes na perna. – Eu entrei naquele carro porque quis. E você aprendeu a lição. Não pense que eu estaria tão calma se não soubesse disso.
- Mas olhe seus braços. E seu rosto.
- Já disse que entrei naquele carro porque quis. – Ela gritou irritada com minha insistência.
- Tudo bem. – respirei fundo. – Não quero discutir com você. – puxei-a de volta para a cama – Apenas diga que me perdoa.
- Não tenho o que perdoar.
- Por favor. – eu precisava daquilo.
Ela me olhou fundo nos olhos, depois para a parede. Respirou fundo, olhou de novo para mim e disse:
- Perdôo.
- Obrigada. – eu disse e abracei-a.
Fiquei mais um tempo com ela enquanto ela matava sua curiosidade sobre como era estar grávida. Depois, muito mais calma e confiante, voltei a meu quarto onde Lisa me esperava no computador.
- Eu disse que seria muito melhor se você conversasse com ela.
- Claro que disse. – eu sorri – Estou mais calma agora.
- Isso é bom. – fez uma pausa – Agora já pode voltar a viver.
- Não teve graça.
- Eu sei. – ergueu uma sobrancelha – É serio, você tem que voltar para a faculdade.
- Acha mesmo?
- Tenho certeza. Não dá para parar sua vida só... – foi interrompida por Felipe que entrava no quarto.
- Desculpem. Venho depois. – falou vendo Lisa ali.
- Não. Eu já estava indo. – Lisa disse repentinamente séria.
Os dois não se falavam direito desde que Felipe contou para Lisa o que havia feito. Ela não concordava com aquele acordo que fizemos. Dizia que era loucura e eu sabia que ela estava certa, mas não iria me arriscar a perder Felipe.
Eu sabia que tudo que estava fazendo, o modo como estava vivendo era errado. Eram apenas ilusões de que não havia nada de ruim na minha vida, que estava tudo perfeito. Mas a verdade é que cada coisa estava sobre a outra, virando minha vida, e a dos outros, de cabeça para baixo. Meus pais viviam em constante preocupação comigo e Sophia. Esta tentava encarar os problemas que eu infligi a ela. Eu via Felipe com o rosto cada vez mais cansado a cada dia. Lisa também se preocupava muito comigo e os dois não se falavam mais por minha causa. E eu estava parada no tempo, sem saber como seguir em frente.
Perdi toda minha calma e confiança quando os vi “disputando” para ver quem ficaria no quarto e quem sairia para que os dois ficassem a vontade.
- Você fica. – olhei para Lisa – E você entra. – apontei para Felipe.
- Não se preocupe. Não me importo de vir outra hora. – falou Felipe com um sorriso fraco para mim.
- Fique. Eu já disse tudo que queria.
O modo como falavam, como se estivessem entre inimigos e não entre amigos de infância, me fez tremer de raiva por saber que a culpa era minha.
- Mas que droga! – gritei e os dois me encararam – O que pensam que estão fazendo? – perguntei levantando.
- Fique calma. Não me importo mesmo de vir outra hora. – Felipe disse ao se aproximar de mim.
- E de perder uma amiga por minha culpa, não se importa? – ele encarou o chão envergonhado com minha pergunta – Não aguento mais ver vocês assim.
- Não se preocupe isso é coisa nossa. – Felipe tentou me sentar novamente na cama.
- Não. – soltei suas mãos de mim – Meus melhores amigos brigam por minha culpa e você diz para eu não me preocupar?
- Não é culpa sua. – os dois falaram ao mesmo tempo.
- Vendo vocês assim, meus pais, Sophia, eu penso que devia ter morrido naquele acidente. – falei enfurecida.
- NÃO! – falaram juntos de novo – Nunca mais repita isso Marina! – continuou Lisa.
- Então, por favor, parem com isso. Façam isso por mim, se é que eu posso pedir mais alguma coisa de vocês.
Nenhum dos dois falou nada a princípio, apenas se encararam, como se conversassem por olhar, procurando um jeito de resolver aquilo.
- Mari – começou Lisa – você sabe que eu não concordo com o que vocês estão fazendo.
- Não estou pedindo para você concordar. Apenas para perdoar. Se eu perdoei, porque você não pode? – sorri fracamente para ela.
Ela não disse nada, então me virei para Felipe.
- Você não sente falta de nossas conversas, de tudo que fizemos juntos? Nós três? – puxei-o para sentar na ponta da cama.
- Claro que sinto, mas não posso obrigá-la a aceitar uma coisa de que também não gosto.
- E você Lis, não sente? – peguei sua mão.
- Sinto, mas... – interrompi-a.
- Mas nada. – suspirei – Ouçam. – pedi – Não sou mais uma criança que precisa de alguém para tomar suas decisões. Sei que o que estou fazendo não é certo, mas entendam, não posso viver sem... – preferi não terminar a frase ao ver a cara de Felipe – Não briguem por causa de minha idiotice. Por favor? – peguei a mão dos dois e as juntei.
- Tudo bem. Eu já não estava mais aguentando isso mesmo. – falou Lisa sorrindo e deitando em meu colo.
- Nem eu. – completou Felipe.
Puxei Felipe para mais perto e abracei os dois forte, como se nunca fosse soltar. Eu os amava demais e não queria que nada nos separasse. Nunca.
Lisa, agora apoiada por Felipe, me convenceu a voltar a ir para a faculdade e eu comecei naquele dia mesmo. Era como um flashback. Eu e meus dois melhores amigos indo a faculdade juntos, como naquele primeiro dia. Isso quase me fez chorar. Sentia que as coisas estavam se encaminhando.
Lisa foi para sua sala, me desejando boa sorte e eu fui com Felipe até a minha. Foi estranho estar lá novamente, com aquelas pessoas que eu mal conhecia, mas que sentia falta, pois era uma parte da minha vida que eu gostava muito. Respirei fundo e entrei na sala.
No começo foi fácil. Sentei no fundo da sala e Felipe me ajudou a entender a matéria. Fiquei um pouco perdida, mas depois comecei a entender o que o professor explicava. Mas no meio da aula, comecei a perceber alguns olhares em minha direção. Então me dei conta do que olhavam.
Eu já estava com uns cinco meses de gravidez e minha barriga era perceptível em minha blusa justa. Não estava muito grande, pois eu era muito magra e isso ajudava um pouco, mas mesmo assim era algo visível. Fiquei envergonhada e coloquei o casaco fino que havia levado só por levar. Felipe olhou confuso para mim, pois estava uma noite quente.
- Está com frio? – perguntou erguendo uma sobrancelha.
- Não. – olhei para minha barriga – Estão todos olhando.
- Ah. – virou o rosto para verificar com os próprios olhos – Deixe que olhem. – falou por fim.
Assenti e virei novamente para o professor e tentei me concentrar. Quando a aula finalmente acabou, fui falar com o professor, tentar explicar minha faltas e achar um jeito de não rodar naquela cadeira. Ele foi muito simpático e disse que eu podia fazer alguns trabalhos para compensar.
Umas meninas acabaram ouvindo minhas explicações e confirmaram suas desconfianças. Começaram a cochichar e eu vi a notícia de que estava grávida se espalharia rapidamente. Tentei não prestar atenção, mas umas meninas que tinham inveja de eu namorar Felipe não deixaram.
Quando saí da sala com Felipe elas estavam em uma roda conversando. Uma delas, a mais popular, que sempre arranjava um jeito de se mostrar melhor que os outros, falou alto o bastante para que eu pudesse ouvir:
- Eu avisei a vocês. Aquelas que se mostram as mais santas são as piores. Depois, meninas como eu é que são o problema. Por acaso eu ando por aí exibindo uma barriga de grávida?
Aquelas palavras entraram em minha mente sem eu querer e me dominaram de modo que uma raiva tremenda me domou. Quem aquela garota insignificante pensava quer era para julgar a mim e as minhas ações sem ao menos me conhecer? Para se achar melhor porque a grávida era eu e não ela?
Sem pensar comecei a andar na direção a ela, fuzilando-a com os olhos. Ela me olhou e sorriu de modo desafiador quando me viu avançando, como se quisesse que eu fizesse algo.
Minha mão se levantou involuntariamente enquanto eu continuava andando em sua direção. Ela recuou alguns passos, amas continuou a sorrir, o que só aumentou minha raiva. Quando lancei minha mão na direção do rosto daquela garota irritante, outra mão mais forte que a minha me segurou.
- Não vale a pena. – Felipe sussurrou em meu ouvido enquanto me puxava para longe dali. – Ela não sabe de nada. Não pode te julgar.
Julgar. Naquele momento eu notei porque tivera tanta raiva, eu sabia que aquela não seria a última vez em que eu teria que agüentar o julgamento das pessoas. E eu não queria passar por aquilo. Por um momento pensei em deixar tudo de lado e voltar a ficar trancada dentro de casa.
- Ela está certa. – fixei o olhar no chão – Eu devia ter vergonha de sequer sair de casa.
- Não fale isso. – ele puxou meu rosto para que pudesse olhar em meus olhos – Você não tem culpa do que aconteceu. Ninguém tem. Você não deve sentir vergonha, tem é que sentir orgulho de não ser tão covarde quanto eu.
- O que quer dizer?
- Quando você soube que estava... grávida – ele vacilou ao dizer isso -, você sequer pensou em outra opção a não ser criar essa criança. Ao contrário do que eu fiz.
Eu não consegui responder nada a ele, e ele também não disse mais nada. Então eu decidi mudar de assunto antes que as coisas piorassem.
- Vamos embora daqui. Não há nada mais o que fazer aqui hoje.
- Você está certa, vamos.
- Antes que eu decida bater em mais alguém. – sorri para ele, tentando amenizar a situação.
Ele sorriu para mim, mas de repente ficou sério, enquanto encarava alguma coisa. Virei-me na direção do que ele encarava e vi Anderson, que mantinha seus olhos dirigidos a minha barriga. Por instinto passei minhas mãos nela, como se para proteger.
Olhei novamente para Felipe e, ainda encarando Anderson, ele passou o braço por minha cintura e me puxou o mais próximo possível que pude ficar dele. Era como se um instinto de proteção tivesse se apoderado dele. Eu não pude deixar de sorrir enquanto apoiava meu rosto e seu ombro, mesmo sabendo que criar esperanças poderia me machucar muito depois.
- Ou, antes que você decida bater em alguém. – completei enquanto ele me puxava rapidamente em direção ao carro.
Enquanto ele me levava até em casa eu ficava pensando nas palavras daquela garota e não conseguia tirar da minha cabeça a ideia de que ela não seria a última a falar coisas assim para mim.
Eu sabia que as pessoas não achavam certo ter filho com a minha idade e na verdade nem eu achava. Eu não tinha a responsabilidade suficiente para criar uma criança e o pior é que eu poderia ser mãe solteira, mas nem disso eu tinha certeza ainda. Uma lágrima escapou de meus olhos e Felipe notou.
- Ainda está pensando no que aquela garota disse, não é? – ele disse secando a lágrima.
- Estou. Não exatamente ao que ela disse, mas ao fato de que ainda vou ouvir muitas coisas assim. – olhei minhas mãos.
Ele estacionou o carro em frente a minha casa, saiu e abriu a minha porta antes de falar novamente.
- Não importa o que ninguém fala disso. Só importa o que você está fazendo para o seu bem e para o bem... do bebê. – ele desviou os olhos, depois voltou a olhar para mim – E pode ter certeza de que você está fazendo a coisa certa. – depois falou baixo, como se para si próprio – Aliás, é a única que está fazendo o que é certo.
Ele me abraçou forte por um momento. Um abraço cheio de significados. Como se naquele abraço ele estivesse me dando o que não poderia me dar de outra forma. Eu me apertei contra ele antes que ele pudesse se afastar. Mas ao contrário do que pensei, ele não fez isso. Ele me puxou mais e mais, até quase doer da força que ele fazia para me segurar tão perto.
Meu corpo agiu contra minha vontade e quando vi, e estava aproximando meu rosto do dele. Não faça isso, não faça isso! A parte racional de mim dizia para a parte que não conseguia mais agüentar um dia sem Felipe.
Felipe seguiu meu movimento, e então a parte racional de mim se rendeu a outra, sem mais forças para lutar. Ele segurou meu rosto entre as mãos enquanto delicadamente beijava minhas bochechas. Depois passou a minha testa e meu nariz, até finalmente alcançar minha boca.
Neste momento me esqueci de todo o resto, só ele importava. Eu só conseguia sentir seus lábios nos meus, seu cheiro, sua pele sob minhas mãos e nada mais fazia sentido sem isso. Parecia que ele sentia a mesma coisa, eu sabia que ele sentia, e ao mesmo tempo eu sabia que isso poderia não ser suficiente para mudar sua decisão.
Quando pensei nisso a parte racional voltou a mim e me deu forças para me afastar dele quando ele também o fez. Felipe fixou o olhar no meu por um momento, e eu podia ver nos seus olhos um grande remorso, não pelo beijo, mas pelo resto, por tudo que viria depois e que ele não sabia se poderia me dar.
- Não devíamos ter feito isso. – sussurrei. Minha voz não sairia mais alto do que aquilo.
- Eu sei. Desculpe. – a voz dele não estava mais alta do que a minha.
Depois disso nenhum de nós sabia mais o que dizer. Fechei meus olhos e me encostei em seu ombro, enquanto ele apertou os braços a meu redor, um último abraço. Beijou meus cabelos e me afastou delicadamente, depois entrou no carro e esperou até eu entrar em casa, e então se foi.
Fui direto até meu quarto e agradeci silenciosamente por minha mãe não ter feito nenhuma pergunta. Troquei minha roupa o mais rápido possível e tentei não olhar em direção a minha barriga para não começar a chorar. Deitei na cama e fechei os olhos pensando.
Depois de um bom tempo analisando tudo que tinha acontecido aquela noite e também as opções que tinha para meu futuro, concluí que eu devia para de ter medo. Não devia me importar com o que os outros pensavam.
Não era fácil colocar isso em prática, mas eu não devia mais viver apenas a sombra de uma esperança e deixar todo o resto de lado. Eu tinha de erguer a cabeça e seguir em frente. Essa era a minha realidade agora e nada faria isso mudar. Por instinto coloquei as mãos em minha barriga e depois acabei dormindo, mais calma e confiante, apesar de ainda estar triste.
P.S.: Eu nem acredito q esse já é o capítulo 12, isso é mto divertido ahsahahsaah