CAPÍTULO 11 – CONFLITOS
Abri os olhos assustada e encarei o teto. Aquele sonho fora muito real e me deixara pior do que já estava. Estranhei ao ver a parte de cima de minha cama, que indicava que eu estivesse em minha casa. A primeira coisa que veio a minha cabeça foi Sophia. O que aconteceu? Como ela estaria? E depois lembrei do meu namorado, ou ex, eu não tinha como saber.
Sentei na cama e comecei a procurá-lo. Não o via em lugar algum, então enlouqueci. Ele havia me deixado novamente. Descumprido a promessa. Por quê? Por quê?
- Não. Não. – sai pulando da cama e me segurando nela para não cair. – Felipe! – gritei desesperada – Felipe!
Estava a ponto de cair no chão sem esperanças para aguentar mais aquilo, quando dois braços fortes me seguraram. Mesmo sem olhar para trás, eu soube que era ele.
- Ei, ei. – sussurrou me virando de frente para ele – Estou aqui. Fique calma.
- Acordei... você... sumiu. – eu chorava ao falar – Achei que... tivesse me... deixado. – abracei-o forte.
- Eu não prometi que ficaria aqui? – perguntou calmamente.
- Sim, mas...
- Então eu ficarei aqui. Ouviu?
- Sim – solucei – Mas... não te vi... em lugar algum.
- Eu estava no banheiro. Só isso. Agora venha cá. – levou-me de volta a cama – Acho que isso vai te acalmar – continuou – Sua irmã está no hospital internada, mas não sofreu nada muito grave. Seus pais estão lá com ela e me pediram para ficar aqui com você.
- Eles ainda se preocupam comigo. – falei mais calma – Mesmo eu sendo um monstro.
- Você não é um monstro, amor. – sorri ao ouvir isso.
- Amor?
- Eu não disse que deixei de te amar. Pelo contrário. Disse para você não esquecer que te amo. – encarou o chão.
- Então por que fez aquilo?
- Falamos disso depois. Acho melhor... – interrompi-o.
- Não. Falaremos agora. – encarei-o.
- Você deve descansar. Não pense nisso agora. – ficara sério.
- MAS QUE DROGA! – gritei – Até quando vai ficar me enganado. Pensa que pode brincar com isso. Isso não é um jogo. – segurei o choro e tentei ser firme – O que tem aqui – coloquei a mão na barriga – é nosso filho. Não há como mudar isso. Então fale a verdade, porque não estou nem um pouco disposta a tirá-lo, se é isso que pensa.
- Não. É claro que não. – levantou – nunca pediria isso. Só...
- O que? – irritei-me.
- Alguém podia criá-lo.
- NUNCA. – levantei também e ele me apoiou – Eu vou criá-lo. Com ou sem você.
- Tudo bem. Escute-me, pode ser? – sentei de novo encarando a parede. – Nina?
- Fale. – olhei-o.
- Eu ainda não sei o que fazer. Não pedi um filho.
- E eu pedi? – cruzei os braços.
- Dá para escutar? – puxou meu rosto – Te proponho uma coisa. – suspirou – Vou cuidar de você até decidir o que fazer. Garanto isso até me decidir. – segurou minha mão – Mas se não quiser que eu fique, vou embora agora mesmo.
- Isso não é uma garantia de que vai ficar conosco. – olhei para minha barriga – Certo?
- Certo. – fechei os olhos – Nina, eu me odeio por isso. Mas não tenho como te prometer mais do que isso.
- Então terei que me acostumar com a incerteza. – uma lágrima desceu pelo meu rosto e ele secou-a.
- Desculpe. Por favor. Não quero que me odeie.
- Bem que eu queria te odiar agora. – ri sem nenhum divertimento – Mas nunca conseguiria. – deitei em seu colo.
- Cuidarei de você. – sussurrou – Cuidarei de você.
- Então comece agora. – tentei acabar com o clima frio – Estou com fome.
- Claro. – sorriu – Comeu algo depois que saímos do hospital?
- Não.
- Você é louca de ficar tanto tempo sem comer.
- Dormi a noite toda, ou hoje ainda é o pior dia da minha vida?
- Não fale assim. – endureceu a voz.
- Só responda. – sentei.
- Não dormiu a noite toda. – levantou e foi até a porta – Vou pegar algo para você comer. Já volto.
- Preparar você quis dizer. – sorri um pouco.
- É o que quer?
- Sim.
- Tudo bem então. Não demoro.
Ele saiu do quarto e eu me encostei em uns travesseiros. De olhos fechados, tentei repassar tudo que havia acontecido naquele dia que parecia nunca ter um fim. A descoberta de que estava grávida, a rejeição de Felipe, o acidente de Sophia, Lisa tentando me ajudar, Anderson aparecendo e Felipe finalmente me salvando de tudo aquilo.
Tum. Tum. Tum. Ouvi batidas na porta e vi meu pai entrando, com uma expressão séria. Poucas vezes o vi daquele jeito. Encarando seus olhos a dor por Sophia voltou a meu peito.
- Filha, eu... – interrompi-o antes que ele dissesse o que queria.
- Perdão, pai. Desculpe por Sophia, ela não tem culpa de nada. Desculpe por mostrar que não sou o que você pensava. Por despontá-lo. Por ser um monstro. – lágrimas saltaram de meus olhos.
- Não estou aqui para te julgar. – sua voz era fria – Estou sabendo de tudo o que aconteceu. – sentou na ponta de minha cama – O que você fez foi muita falta de responsabilidade, e nada justifica isso. Mas posso entender seus motivos.
- Desculpe. – não conseguia encara-lo.
- Sinto que tenho culpa em tudo isso. Por estar tão pouco tempo com você. – baixou os olhos.
- Não pai. Ninguém tem culpa a não ser eu. Poderia dizer que Felipe tem, mas ele não é responsável pelos meus atos. Só peço que me perdoe, se puder. – encarei-o.
- É claro que perdôo. Você é minha filha. Mas não faça nada assim novamente.
- Obrigado pai. – ele estendeu os braços e eu abracei-o.
- E está de castigo. Por tempo indeterminado.
- Sem problemas. – sorri.
Beijou minha testa e saiu, mas antes disse que me amava, e que eu entenderia dali a alguns meses do que ele estava falando. Eu tinha a leve impressão de que já sabia. Que já sentia por aquela coisinha pequena dentro de mim o amor que ele sentia por mim.
Felipe entrou no quarto enquanto eu tentava me distrair com alguma música, mas eu mal prestava atenção. Pensava
- Não terei que separar algo para você vomitar, não é?
- Acho difícil enjoar com sua comida. Não cheira a sopa de hospital. – respirei fundo para não lembrar do cheiro.
- Como foi com seu pai? – perguntou enquanto eu começava a comer.
- Ruim. – fiz uma pausa – E bom.
- Era para eu entender? – ele me olhou com dúvida.
- Foi ruim ter que encara-lo, mas foi bom porque ele não me crucificou por nada.
- Agora entendi.
- Onde está minha mãe?
Antes que ele pudesse responder, meu celular tocou e era ela. Estava no hospital com Sophia, que queria falar comigo. Congelei no momento em que minha mãe passou o celular para ela.
- Nina. Você está bem? – ela perguntou com a voz fraca e me segurei para não chorar ao ouvi-la.
- Não acredito que está preocupada comigo. Devia estar com vontade de me matar.
- Um pouco. – riu – Mas sei que não fez por mal, e quero te ver bem.
- Não estarei se você não estiver.
- Não se preocupe. Isso nos meus olhos e as cicatrizes não são nada. – eu ainda não sabia exatamente o que ela tinha. Não entendi o que era “Isso nos meus olhos”.
- Eu te amo. Desculpe-me.
- Eu também. Tenho que desligar. Mamãe está mandando. Tchau.
Quando desliguei um jorro de lágrimas se derramou sobre meu rosto e Felipe me abraçou tentando me consolar. Minha irmãzinha era mais adulta que eu. Não merecia o que estava passando. Não tinha culpa de eu ser desequilibrada.
- Ela perguntou... se eu... estava bem. – eu não conseguia acreditar.
- Se preocupa com você.
- É ela que está em um hospital e não eu. – respirei fundo, esperei um pouco e continuei – Sabe o que ela tem nos olhos?
- No acidente... – ele parecia sem jeito.
- Pode falar.
- Cacos de vidro. Pequenos pedaços entraram em seus olhos. Ela ficou com um problema de visão, mas nada muito grave.
- Deixei-a sega? – fiquei perplexa.
- Não. Você é surda? Tem um problema de visão. Não ficou sega, longe disso.
- Cicatrizes também?
- Algumas, principalmente no braço.
- Você a viu? – ele balançou a cabeça afirmativamente – E?
- Ela só não me espancou pelo que fiz porque estava deitada naquela cama. – ele riu sem graça.
- Essa é minha irmã. – suspirei – Nunca me perdoarei.
- Não pense nisso agora. Ainda não terminou de comer.
- Claro. – revirei os olhos.
Devorei tudo como sempre fazia com a comida que ele me preparava e isso me fez esquecer um pouco dos problemas.
Com tudo que estava em minha cabeça acabei esquecendo de todo o resto. Quando comecei a me ajeitar para dormir, ele me lembrou de que tinha de tomar banho, e por um momento me perguntei como conseguia olhar para mim no estado em que me encontrava.
Ele me levou até o banheiro e me ajudou a separar tudo que precisaria. Quase caí para trás quando me olhei no espelho, com os cabelos desgrenhados e olheiras gigantescas. Ter conversado com meu pai e Sophia tinha me acalmado e eu já voltava ao normal. Ainda tinha a cabeça lotada de problemas, mas sabia que eles tinham solução.
Com minha perna daquele jeito, Felipe não teve outra opção senão me ajudar e não parecia se importar. Apesar de não falar nada e ser muito cuidadoso, eu via desejo em seus olhos, mas não tentei nada nem o forcei a tentar.
Durante todo o tempo em que ficamos no banheiro não falamos nada. Eu não me atreveria. Tinha medo de falar besteira e fazer com que ele fosse embora novamente, mesmo sabendo que isso era uma possibilidade verdadeira.
Sentei em um banquinho e comecei a me vestir. Notei o jeito que ele me olhava e fiquei completamente vermelha. Era como se ele me quisesse envolvida em seus braços e sentisse vergonha disso. Era como se ele achasse que não podia sentir isso. Talvez pensasse assim por causa do acordo que fizemos e comecei a pensar como seria ruim tê-lo ali e não tê-lo ao mesmo tempo. Era algo muito difícil de conviver.
- Tudo bem. Já posso me deitar. – falei tentando alterar o clima.
- Claro. – sorriu e me levou até minha cama, me deitando cuidadosamente.
- Vai ficar aqui, não vai? – perguntei com a voz baixa e sem encará-lo. – Me refiro a ficar aqui. – apontei para o espaço da cama a meu lado.
- Se você quiser. – baixou os olhos.
Balancei a cabeça afirmativamente e dei um meio-sorriso. Sim, era o que eu queria. O que eu mais queria e sabia que não deveria querer. Ele – e agora também aquela criança – era tudo em minha vida. Eu amava meus pais, amava Sophia e Lisa também, mas nada se comparava ao que eu sentia por ele. Era algo incontrolável. Algo que nem se eu quisesse sairia de dentro de mim, e esse não era o caso. Eu precisava dele.
Observei-o indo para o banheiro e voltando depois de alguns minutos, pronto para dormir. Deitou-se ao meu lado e ficou sorrindo para mim, mas não se aproximou nem me tocou. Eu sabia que não conseguia ficar assim por muito tempo, então espichei a mão e peguei a dele, depois virei para o outro lado. Parecia que ele pensava na mesma coisa que eu, pois senti seu corpo mais perto do meu e seus braços me envolverem.
Por reflexo, virei o rosto para desejá-lo boa noite. Porém, ao mesmo tempo, ele inclinou a cabeça para beijar meu rosto e assim acabamos nos beijando. Minha vontade era de não desgrudar dele, mas eu virei o rosto rapidamente me afastando.
- Me desculpe. – sentia meu rosto esquentar com minha vergonha, sem bem saber de que.
- Desde quando pede desculpas por me beijar? – perguntou me virando de frente para ele.
- Eu não sabia se... podia. – encarei a parede.
- Então somos dois. – virou meu rosto para ele – Não sei se devemos. Se isso é bom pra você.
- Bom é. Pode ter certeza. – fiz graça, ele riu.
- Entendeu o que quis dizer. – sim, eu havia entendido – Tenho medo de te desapontar.
- Não acha que é um pouco tarde para pensar assim? – perguntei irônica.
- Machuquei você muito. – suspirou – Não quero fazer isso de novo.
- Não vejo outro jeito. – em todas as alternativas eu me via machucada.
- Como assim? – ele não entendeu.
- Com esse acordo eu me machuco. Sem você aqui, também me machuco. Não vejo outra saída.
- Eu não queria que fosse assim. – me olhou culpado.
- Já me acostumei. – falei friamente e me virei, encerrando a conversa.
Não o olhei novamente e ele também não disse mais nada. Apenas apaguei a luz e tentei dormir, mas não conseguia. Aquela conversa girava insistentemente em minha cabeça, me fazendo tontear. Os minutos passavam e o sono não vinha, eu continuava imóvel. Tentava espia-lo pelo canto dos olhos, mas não via nada naquele escuro.
Depois de muito tempo fui vencida pelo cansaço e acabei dormindo, mas isso não ajudou em nada, pois o sonho retornou a aparecer. Acordei assustada no outro dia e Felipe me olhava e perguntava o que eu tinha.
- Um sonho. É só um sonho ruim. – coloquei a cabeça entre as mãos, tentando esquecer.
- Venha cá. – me puxou para perto e passou a mão pelo meu cabelo. – Fique calma, está bem?
- Sim. Não se preocupe. – falei tentando levantar. Eu devia resistir, pelo meu próprio bem.
P.S.: Eu não sei pra quem dedicar hj =( Então eu decidi q eu vou dedicar pra mim mesma pq eu to quebrando a cabeça pra terminar esse livro o// (bem pouquinho achada =P)Fuuuuuuui...
Muitoo boom baah, tah ficando mto booom msmoo!! tu escreve mto beem! hihi bjbj :**
ResponderExcluir