CAPÍTULO 10 – INESPERADO
- Não se preocupe.
- Mãe, fale logo. Tem a ver comigo?
- Sim. – ela suspirou.
- Então me conte. Eu mereço saber.
- Ontem – ela respirou fundo – a médica me chamou para conversar. Disse-me que tinha que falar algo sério sobre você. Ela disse que achava que você ainda não devia saber, porque não mostrou preocupação quanto a isso.
- Isso o que mãe? – fiquei apreensiva.
- Me responda umas perguntas. Por favor. – fiquei calada. – Você anda comendo demais, não é?
- Sim. – realmente estava. Era só olhar para mim para notar que eu estava maior.
- Chorando sem motivo aparente?
- Sim, também.
- Enjoando?
- Mãe, onde está querendo chegar? – estava quase irritada com aquilo.
- Junte os sintomas filha.
- Sintomas? – de repente me dei conta do que ela tentava me dizer. – Eu... eu... – olhei para minha barriga.
- Você está grávida Marina.
Milhões de coisas passaram em minha cabeça em apenas um segundo. Comecei a ligar as coisas, e estava tudo muito na cara. Como não havia me dado conta antes? Me dado conta de que estava grávida. De repente tudo a minha frente escureceu.
- Marina? Acorde filha. – minha mãe batia no meu rosto fracamente.
Despertei e tentei me lembrar do que havia acontecido. Encostei a cabeça no travesseiro e respirei fundo. Você está grávida Marina. Grávida. A idéia ainda não estava certa na minha cabeça.
Por instinto ou curiosidade, passei a mão pela minha barriga, tentando sentir algo. Senti que havia um volume nela e logo afastei a mão. Essa ideia me vez lembrar de perguntar algo a minha mãe.
- A médica disse de quantos meses estou?
- Três. Talvez mais, talvez menos. Você está bem?
- Sim. Só estou tentando assimilar.
- Terá que contar a Felipe.
- Eu sei. Mas farei isso quando voltarmos. Quando recebo alta?
- Daqui a pouco. Felipe foi arrumar tudo, pegar as malas e logo estará aí para nos levar.
Perguntei mais algumas coisas para ela sobre enjôos, desejos e sensibilidade. A resposta dela foi que isso não tinha nem começado ainda, que eu me acostumasse. Pensei muito enquanto Felipe não chegava e até passei a gostar da ideia de ter um bebê. De ter a capacidade de gerar uma nova vida. Por sorte nasceria com a beleza do pai. Pensei até em nomes, mas parei quando Felipe chegou, queria contar de um jeito que ele recebesse sem ser um choque.
Finalmente saí daquele quarto e daquele hospital, e me dirigi ao carro, apoiada em Felipe, pois minha perna ainda estava quebrada. Sentei na frente com ele e minha mãe foi no banco de trás. Estávamos muito silenciosas, então, para não preocupar Felipe, às vezes eu inventava algo a dizer.
Depois de uma viagem cansativa, chegamos a minha casa. Felipe tirou as coisas do carro e depois me ajudou a sair. Decidi que contaria a ele naquela hora. Pedi a ele que me ajudasse a sentar numa cadeira do jardim. Quando ele se sentou respirei fundo e comecei a falar:
- Tenho que te contar uma coisa muito séria.
- Aconteceu alguma coisa com você que eu não saiba. O acidente deixou alguma sequela?
- Não, não tem a ver com o acidente. Para falar a verdade, sem ele eu não teria descoberto.
- Marina, você está me assustando.
- Fique calmo. Vou tentar falar de um jeito fácil. – segurei sua mão. – Sabe o jeito que venho comendo?
- Como assim?
- Meus enjôos. – ele ficou me olhando – Os choros.
- O que tem isso?
- Junte os sintomas. – repeti as palavras de minha mãe. Ele arregalou os olhos – Estou grávida. – concluí.
Ele ficou me olhando fixamente, sem mexer nenhuma parte do corpo. Comecei a ficar preocupada, sem saber o que ele estava pensando sobre aquilo. Comecei a sacudi-lo para ver se despertava, mas não parecia estar adiantando.
- Felipe! – chamei – Pelo amor de Deus, responda!
Ele piscou, levantou e olhou novamente para mim.
- Não posso. – falou, finalmente – Desculpe, mas não posso. – se virou para ir embora.
O que ele estava dizendo? Eu sabia, mas não queria entender. Não podia passar pela minha cabeça que ele estivesse me deixando. Levantei me apoiando em uma muleta e segurei-o pelo braço.
- Como assim não pode? – perguntei num sussurro, quase sem forças.
- Me desculpe Marina. Desculpe. – ele parecia irritado consigo mesmo – Só não se esqueça que te amo. – deu um beijo em minha testa e se foi.
Escorreguei para uma cadeira sentindo que ia cair a qualquer momento. O que senti não poderia ser descrito
Só não se esqueça que te amo. Se me amava por que então fazia aquilo? Quem ama quer ver feliz. Então por que ele acabava com minha felicidade daquele jeito? Entende, que se eu te perder, perco meu chão? Lembrei de ter dito isso a ele uma vez, no meio de uma discussão. E era assim que me sentia, sem chão, sem vida, completamente perdida.
Levantei cambaleando e entrei em casa procurando minha mãe, pois precisava dela, precisava chorar no colo dela, precisava que ela me confortasse. Sem eu entender por que, nenhuma lágrima saía de meus olhos, apesar de toda a dor que eu sentia por dentro.
- Mãe! Mãe! – comecei a gritar.
- Ela saiu. O que aconteceu Nina? – Sophia falou preocupada.
- Felipe me deixou. – me joguei nos braços dela, fazendo-a cair no sofá – Porque estou grávida.
- Mamãe me contou. Mas por que ele fez isso? – ela fez a pergunta na qual eu procurava a resposta.
- Não sei. Não faço ideia.
Ela não perguntou mais nada, apenas passou a mão pela minha cabeça. Depois de algum tempo, a dor transformada em raiva, decidi que não podia ficar mais ali. Tinha que sair, sem saber para onde. Levantei novamente e tentei ir rápido, mas minha perna não estava ajudando
Peguei a chave do Volvo e fui até ele. Queria dirigir, sair dali. Mesmo com uma perna engessada. Entrei no carro quase caindo e Sophia entrou no outro lado.
- Você está louca? – perguntou – Vai dirigir com uma perna engessada?
- Tenho carteira. – gritei.
- E daí? Isso significa q pode dirigir desse jeito. – segurou minha mão – Pare de bancar a idiota.
- Desça do carro. – falei sem olhá-la.
- Não sem você.
- Ótimo.
Com a perna boa acelerei o carro e saí da garagem. Sophia colocou o cinto e ficou rígida, quando percebeu o jeito que eu estava dirigindo. Tentava acelerar com a perna e frear com a muleta. O carro dançava, de um lado para outro.
Não sabia por que, mas aquilo fazia a raiva passar um pouco, mas não o suficiente para eu voltar ao normal. Não conseguia agir com racionalidade. Agia por impulso. De repente, numa curva, eu não consegui vencer. O carro girou na pista, sem que meu pé e minha muleta o controlassem. Eu não conseguia enxergar nada, apenas ouvia os gritos de Sophia. Senti um baque forte e o carro parou.
Eu havia batido contra um muro, mas só o lado de Sophia fora atingido. Olhei-a e a vi desacordada com muitos cacos de vidro da janela sobre ela. Sangrava muito e a cabeça estava encostada na porta, como se jogada para o lado.
A dor aumentou ainda mais quando a vi daquele jeito. Tudo por culpa minha. Eu jamais me perdoaria por aquilo. Pensei em mexer nela, em chamá-la, em gritar por ajuda, em algo que fizesse o que eu sentia passar, mas nada adiantaria.
Então, peguei meu celular que estava no meu bolso e liguei para a emergência. Pelo menos tiraria minha irmã dali, do estado em que estava, completamente imóvel. Esperei fora do carro e, uns vinte minutos se passaram até que a ambulância finalmente chegasse. Quando chegou e eu vi que Sophia estaria em segurança, peguei minha muleta e saí dali, do jeito mais rápido que pude. Ainda, nenhuma lágrima saída dos meus olhos. Aquilo era completamente incomum.
Andei até uma praça, não muito longe da faculdade e sentei em um banco. Respirei fundo muitas vezes e liguei para a única pessoa que não me pediria maiores explicações e nem me julgaria.
- Lisa? Lis eu estou perdida. – falei com a voz entrecortada.
- Mari? O que foi? Você está bem? O bebê está bem? – ela perguntou preocupada.
- Como você soube?
- Felipe me ligou. – ela pausou – E para constar, eu quis chutá-lo pelo que fez. – não consegui rir com o jeito dela. Nada mais tinha graça para mim. – Mas o que houve então?
Contei a ela toda a história, de modo simplificado, pois não queria que aquilo doesse mais do que já doía. Falei que havia chamado a ambulância e que Sophia estaria a salvo.
- Preciso de você Lisa. Ajude-me.
- Você não tem noção do que sinto em te dizer isso, mas não estou na cidade. Tive de viajar com meus pais. Desculpe. – sua voz era desanimada.
- Obrigada. Terei de dar outro jeito.
- Onde está?
- Na praça perto da faculdade. Por quê?
- Espere aí. Não saia daí. Entendeu?
- Sim. – desligou.
Não tentei entender o que ela pretendia, apenas confiei nela e fiz o que ela disse, pois eu sabia que era o certo a fazer. Baixei a cabeça e apoiei-a nos braços. Ela girava sem parar e eu ouvia as vozes de minha mãe, Lisa, Sophia e Felipe. Todas ao mesmo tempo. Até que ouvi uma voz diferente e notei que não vinha de minha cabeça.
- Marina? Você está bem?
Olhei para cima e vi Anderson, o garoto estranho que não parava de me ligar. Ele me olhava fixamente e esperava uma resposta.
- Problemas. Apenas alguns problemas. – falei sem vontade.
- Aposto que é culpa do tal Felipe. – ele desdenhou.
- Um pouco. – respondi.
- Sabia que um dia ele faria alguma coisa com você. Nunca confiei nele. Ele não é para você. Já devia ter desistido a muito tempo. – ele não parava de falar.
- Por favor. Pare, não quero falar nisso. – pedi.
- Tudo bem. Precisa de ajuda?
- Não. – respondi apenas.
- Venha comigo. – ele me levantou do banco – Posso fazer o que você quiser.
- Não. Obrigada. – tentei me soltar de sua mão.
- Pare com isso. – engrossou a voz – Venha.
- Me solte! – gritei.
- Eu posso te dar o que ele não deu. Fazer o que ele não fez. – ele apertava meus braços e me puxava ao mesmo tempo. – Ser o que ele não foi.
- Chega. Solte-me agora. – eu pedia em vão.
- Não ouviu o que ela disse? – uma voz conhecida perguntou.
Naquele momento, quando ouvi aquela voz, foi como se uma estranha felicidade se apoderasse se mim. A voz de Felipe, a que eu mais queria ouvir, tão perto de mim. Eu não o via, pois estava atrás de mim, então me concentrei em sua voz.
- Ela não te quer. Ela te odeia. – Anderson gritava – Saia daqui. Estamos conversando.
- Não é o que parece. – as mãos de Felipe tocaram minha pele, enquanto ele tentava me libertar de Anderson e um arrepio passou por meu corpo.
- Ela vem comigo. – Anderson gritou.
- Deixei-a decidir. – A voz perfeita disse firmemente.
Anderson encarou-o e depois soltou meus braços. Apoiando-me na muleta, finalmente enxerguei Felipe, que apesar de ter me magoado, era quem eu queria ver, quem me acalmaria.
Sem ter muito em que pensar me atirei na direção de Felipe, que me segurou em seus braços fortes.
- Vá embora. Eu cuido dela. – ouvi-o falar para Anderson que se virou e saiu correndo.
Felipe me levou até o carro, onde me colocou no banco da frente e entrou do outro lado. Olhou-me enquanto eu respirava fundo e perguntou:
- Tudo bem? – olhei-o como se a resposta estivesse estampada em minha testa – Você entendeu.
- Sim. – fixei os olhos na janela.
Não falamos nada por muito tempo, sem mesmo nos olharmos enquanto ele dirigia. Até o momento em que ele soltou o que queria dizer desde o momento em que me viu.
- Então. – pausou – Nós brigamos e você chama logo o tal do Anderson para te ajudar?
Senti a raiva voltar a meu corpo e me dominar enquanto ouvia aquelas palavras.
- PARE O CARRO. – gritei – AGORA.
- O que foi? – ele teve a coragem de perguntar.
- Pare o carro.
Ele diminui a velocidade e parou perto de uma calçada. Abri a porta e saltei do carro. Mal conseguia andar, mas minha vontade era sair correndo. Minha fuga não durou muito, pois ele logo me alcançou. Abraçou-me por trás me impedindo de sair e começou a sussurrar no meu ouvido:
- Fique calma. Eu estou aqui e vou cuidar de você. Esqueça o que falei agora. Vou cuidar de você.
Com as palavras dele, uma enxurrada de emoções passou por mim e todas as lágrimas retidas em meus olhos pareciam querer escapar ao mesmo tempo. Virei-me e abracei-o forte, chorando e falando ao mesmo tempo.
- M...me aj...ajude. – sussurrei – N...não suporto tu...tudo isso.
- Respire fundo. – levou-me até o carro – Tudo irá se resolver. Respire fundo.
Fomos até sua casa e durante todo o tempo, eu não parava de chorar. Ele tentava me consolar, mas não havia muito a fazer. Tirou-me do carro e me carregou até seu quarto, me colocando na cama e me cobrindo com alguns cobertores.
- Está melhor? – ele perguntou passando a mão por minha cabeça.
- N...não. – solucei – Sophia. – consegui dizer.
- Eu sei. Eu sei. Lisa me ligou e falou tudo. Vou me informar de como ela está. Tente se acalmar e dormir. Pelo menos um pouco, faça um esforço.
- Fique aqui. – pedi.
- Estou aqui. – deu um sorriso fraco.
- Prometa. N...não vai sair daqui. Fi...fique comigo. Pelo menos a...agora. – supliquei.
- Descanse.
- Por Favor. Pro...prometa.
- Estarei aqui. Ficarei aqui. Prometo. – beijou minha testa.
Passou para o outro lado da cama e deitou me abraçando. Só assim consegui parar de chorar e descansar por algum momento, mesmo que o menor de todos. Foi o único momento de paz daquele dia.
Eu tive esperanças de que ele não me deixaria mais. Que ficaria comigo e com nosso filho. Mas também sabia que acreditar nisso poderia ser
P.S.: E hoje, no meio das fériaas, oh coisa booa, eu dedico esse post pra BETINHAA q eu amoo demaais. s2. "I like your beard" =P Saudades bebê, e saudades de todas vcs minhas gatinhaas bjinhoos
BÁRBARA! Fiquei puta revolts!
ResponderExcluirPq ela nao xingou ele até a morte?
Pq ela nao falou umas verdades?
COMO ASSIM?
Quem ele pensa que é pra largar ela e voltar como se nada tivesse acontecido? HEIN? HEIN? HEIN?
Não, não posso me conformar!
Faz ela bater nele no próximo capítulo...só um pouquinho! :x
OK já me acalmei! UHAHUA
Tenso guriaaa! Eu até curtia o Anderson, mas depois dessa...nanana!
Continuaaaa! Ta muito bom! Amo amo!
Beeeeeeeeeijao da Natheee
Aaai aai Nathe, soh tu ashahsahshashas
ResponderExcluir=P E a culpa não é minha, é dela, ela q escolheu assim hihi
cara muito boom hein! e também muitooo tenso né?
ResponderExcluirpeloo amooor, quanta cooooisa! asduashdsaui
e siim, por favor faz o felipe pelo menos levar uns tapinhas no próximo, ou no minimo implorar por desculpas, que RAIVA dele!
SHSUADHSAUI
ok ok
muito bom :D
beijaaaao